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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Aquela dose de pessimismo que a paixão causa

O que eu deveria fazer? Esconder e fingir que tá tudo bem? Certo, não sei fazer isso. Talvez eu seja aquele cara que esquece a chave em casa, o dinheiro no banco, o moleque que não quer ser homem. Sou mais eu quando estou com você, mas eu sei, tá cedo ainda né? E falando nisso, que horas são mesmo? Tá na hora de eu voltar para o meu Breaking Bad e acabar logo com essa ilusão de que com você vai ser diferente. Eu sei que sou muito pessimista e que eu deveria explicar melhor o que quero propor com esse texto porque o leitor não está entendendo nada. Mas eu sou assim mesmo, entende? Encho o texto de ponto de interrogações e depois termino como se não tivesse escrito nada. Vai entender não é? 
"E eu percebo que quanto mais velho mais inseguro me torno"

Se fosse pra falar sério eu teria dado play na primeira música deprimente do meu computador e descarregado essas palavras em canções e não em crônicas pessimistas sobre relacionamentos. Preciso daquela coisa que as pessoas chamam de êxtase. E com o tempo eu entendi que todos tem, só não usam. Prefiram o extra, mas observe, êxtase e extra podem soar parecidos, mas são diferentes. Combinamos de nos encontrar certo? Pode até ser um encontro bacana mas eu sei que no final não vai dá em nada. Desculpa, mas eu sei. Já vivi isso. "Mas ela é diferente" - é o que minha mente diz. Mas eu já fui enganado por ela. Dizem que quando somos enganados uma vez, demora pra voltarmos a confiar. E eu sei também que as mensagens vão continuar chegando feito tiros complexos dados no escuro, mas o alvo é sempre a distração. "Pouco a pouco o coração vai perdendo a fé". É o que diz a música que mesmo cantada em outra língua, dá pra sacar a essência pessimista que é a paixão. E eu percebo que quanto mais velho mais inseguro me torno. É isso que a paixão faz com um ser humano: acaba. Nos mostra quão inúteis somos e incapazes de superarmos as próprias crises internas para transformar esse sentimento em algo mais sólido. 

Sabe: é ter que sorrir pra não admitir que está carente. Enganar a si mesmo na frente dos amigos e na madrugada ouvir aquelas canções bad e imaginando o quão bom seria se ela tivesse do lado. Mais encontros vão acontecer, posso ter certeza disso, mas meus pensamentos vão estar sempre com a vibe suspeita pra não se apaixonar outra vez. E lembrei: a última vez que me senti assim foi com alguém que nem um encontro permitiu que tivéssemos. Droga! Agora eu vou desacreditar num encontro que, mais uma vez, eu mesmo marquei. Eu deveria enterrar minha cabeça no buraco mais próximo ou colocá-la no congelador da minha geladeira e esperar a morte? Sorte a minha de não ser normal. E "a gente nem ficou" e eu já estou com aquele frio(zinho) na barriga de "será que ela gostou de mim ou só fingiu?". Deveria acabar com isso e ir ler um pouco. As aulas começam em breve e eu aqui, trabalhando sem ganhar um real. Mas eu preciso disso: video-game, música e café com leite. É, eu sempre preciso de algo novo todos os dias. Enquanto isso eu vou me preocupando com os outros encontros que ainda não existe nem em minha mente (ham?). Talvez eu esteja apressando demais as coisas, mas sabe como é né? É paixão...

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Nem a carência me aguenta mais

Talvez eu seja mesmo esse cara encalhado, carente e "na minha" como meus amigos dizem. Se eu vou ficar pra titio? Não, isso eu já sou. Mas talvez eu vá ser aquele cara chato que vai sempre acender vela para os casais mais próximo, se é que você me entende. O mais chato, tipo deprimente, nessa minha fantástica história é que eu sempre me dou mal. Faço planos, luto para conquistar a garota e no fim, sou recompensado com um "não te quero mais". Se é chato ter que lembrar disso? Sim e muito. Mas fazer o quê: isso é o que sou. Possa ser que confessando amenize a pena do meu pecado. Porém, o pior disso tudo não é nem meu estado vegetativo de carência, mas todas as minhas decisões erradas que me trouxeram até aqui. Terei que lembrar todas as vezes que for prometer algo pra alguém que, um dia prometi n's coisas pra uma pessoa e não cumpri. Pessoas inúteis só fazem promessas inúteis, mas quem confiou discorda de mim. Não tiro a razão dela pois eu também ficaria puto. Eu me conheço bem, sei que minhas falhas e minha pouca paciência são as piores assassinas de motivações amorosas. Sei que minha insegurança fala por si e divide sua vaga com o ciúme. Amadureci, tenho certeza disso, mas isso não é o suficiente para que eu afirme que estou pronto pra outra. Primeiro: eu preciso ter consciência do que estou fazendo e de como estou agindo. Obviamente que não tenho nenhum desses atributos necessários. Eu não sei lidar gente! 
"O que eu preciso é de extras"

E aquela história lá de "quando eu tiver meu filho vou ensiná-lo a gostar de Switchfoot como eu"? É meio sem nexo né, já que eu ainda não encontrei a mãe do cujo. E cá entre nós, ninguém nunca sonha que terá um filho com uma gata e depois se separar dela. Bom, ao menos eu não. Quero que só a morte nos separe. Subo lá no Torre Eiffel se for preciso para jurar amor eterno. O que eu preciso é só de um "Era uma Vez" pra poder dizer 'Felizes para Sempre". Vai parecer careta, eu sei, mas eu sou daquele tipo de pessoa que acredita que existe uma pessoa para cada pessoa nesse cosmo, entende? Cadê a minha então? Não sei, talvez ela esteja lendo isso agora, ou não...

Enquanto os pontos não se ligam, eu vou escrevendo besteiras na madrugada e pensando nos casais que estão por aí se amando e falando besteiras. Vão me dizer que eu preciso sair mais, conhecer novas pessoas, fazer amizade e tal. Queridos, eu não estou me candidatando a presidente da República. O que eu preciso é de extras e esses extras podem estar bem do meu lado. Ou não, sei lá, talvez a massa esteja certa, eu preciso realmente "fazer amizades", mas eu sou meio bicho do mato entende? Tenho aquele complexo'zinho de me relacionar com seres humanos, que só em estar com meu cachorro, já me sinto seguro. 

- Ué, já acabou? Que texto curto!
É porque nem a carência me aguenta mais.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

"Eu não considero minhas canções como sendo pessimistas, elas são realistas" - Entrevista: Lay Soares

Lay Soares é uma das vocalistas da banda curitibana Simonami. Já entrevistamos sua irmã, Lillian aqui no blog e agora é  vez dessa jovem compositora e interprete falar de sua relação com a música e de seus projetos. 

D&CB: Antes de tudo, agradecemos de coração por ter reservado um pouco do seu tempo para nos responder. Conte-nos um pouco sobre como foi o início de sua relação com a música e qual a importância da mesma em sua vida?
Lay Soares: Minha relação com a música foi sendo construída desde a infância. Minha família adora cantar os hinos antigos do "cantor cristão" (hahahaha!) Minha vó pegava o cantor, sentava na cama e se deixasse cantava o dia inteiro. Papai acordava a gente cantando alto pela casa toda também  (hehe) Conforme a gente foi crescendo, eu e a Lilian fomos nos envolvendo mais com o louvor na igreja e perdendo a vergonha de cantar na frente de um monte de gente. Com o tempo a Lilian foi conhecendo músicas novas, estilos novos mais fora do nosso contexto e eu peguei carona. A gente ia de Hansons a Bjork! (risos) Enfim... a música foi criando corpo e fazendo parte da minha história, cada música que eu ouvia em determinada época, se eu ouço hoje, cada uma delas me leva pra um momento da minha vida ou pra uma sensação que eu já tive antes. A música é importante pra mim porque é a maneira que eu encontrei de entender o mundo e de me fazer ser entendida por ele.

Você é uma das vocalistas do Simonami e uma das principais dividindo voz com sua irmã Lillian. Como funciona essa interatividade e como o Simonami influencia sua dedicação a música?
Bom, eu e a Lilian somos irmãs né, crescemos juntas e descobrimos muitas coisas juntas também, como a nossa voz. Pode parecer meio brega mas, nossas vozes reconhecem uma à outra, então a dinâmica acaba fluindo naturalmente, cantamos juntas desde sempre (hahaha). Nossas vozes são familiares, por isso as vezes mesmo sem ensaiar, sem saber como vai ser, as nossas vozes acabam brincando juntas de um jeito incrível! No palco, ou no ensaio é bonito ver isso acontecer, porque a gente se olha e já sabe o que uma vai fazer. Bom, a Simonami tem cinco cabecinhas pensantes ali, cinco compositores, cinco estilos diferentes e isso é muito louco porque pelo discurso de cada um eu consigo ter uma noção do lugar que a música ocupa na vida deles e da maneira como ela ocupa, isso me instiga a repensar a minha perspectiva, a maneira como eu componho, como eu canto, como eu estudo música, como eu interpreto ela num show, enfim, a Simonami acaba me incomodando (no bom sentido) me fazendo pensar no que eu quero com a música, o que eu quero passar com as coisas que eu escrevo, que som eu quero produzir... essas coisas. 


Alguns blogs e sites colocam a Simonami como parte do novo movimento da música cristã (ou crossover), e a "Jóia pra Alegria" do primeiro EP de vocês e "Conjura", composição da Lillian, expressa pontos cristãos interessantes. Como integrante da banda, como você ver essa posição midiática?
Olha, nem sei se a gente realmente faz parte de algum movimento (hahaha). Jóia pra Alegria (do Alexandre) e Conjura (da Lilian) são músicas que falam sobre a vida, sobre o que a gente viveu, sobre as merdas que aconteceram com a gente e sobre as conclusões que tiramos delas. Acho que como a gente é cristão e viveu nesse mundo aí, acaba sendo inevitável falar de Deus quando a gente fala de vida, assim como sei lá... a Karol Conká fala do Erê na música dela, mas isso não significa que ela faz parte de um novo movimento da música do candomblé :) É só ela falando do que ela conhece, do que acredita, do que ela vive, igual a gente.


Suas composições são - em sua maioria - pessimistas e versam sobre conflitos internos e situações decisivas. Algumas são bem conhecidas pelo público através da sua conta do soundcloud. De onde vem a inspiração pra essas canções e como você explica esse lado "sombrio" nas letras?
(Risos) Esse lado "sombrio" se chama vida! Eu não considero minhas canções como sendo pessimistas, elas são realistas (haha). A gente vive numa sociedade que prega a felicidade como se esse fosse um jeito saudável de viver, sempre com um sorriso costurado na cara independente da dor que você esteja sentindo. O sofrimento é saudável também. Chorar, sentir dor, tentar entender a dor, expressar a tristeza, isso tudo é recomendável, melhor do que guardar, reprimir e sair por aí felizinho dizendo que tá tudo bem. O ser humano é composto dessa dicotomia, alegria e tristeza, prazer e dor, morte e vida. Não dá pra um excluir o outro. A morte, o sofrimento,  a "bad", não são coisas sombrias, fazem parte daquilo que a gente chama de viver, e a música faz com que eu enxergue beleza nisso, faz com que eu veja que eu não sou a única que vive, que existem pessoas que cantam a minha música porque vivem uma vida também, cheia de coisas boas e de coisas ruins. Se você vive conflitos internos, e transita por essas questões, isso significa que você está vivo.

Como você ver o cenário undergroud atual?
Sou uma leiga nesse assunto de underground. O que eu vejo é muita banda independente com um som foda se virando por aí pra conseguir um espaço nas cenas por aí, e seguir o estilo que a banda curte. Ultimamente eu tenho conhecido uma galera massa que tá aí nos mesmos corres, se ferrando pra caramba, indo em show cilada, tentando se descobrir, mostrar o som. Gente nova, carne fresca, banda que eu nunca tinha ouvido na vida, de tudo quanto é estilo! Isso é bonito de ver. Ver que coisa nova tá surgindo aí, uma galera tentando novos projetos musicais, experimentando as coisas, descobrindo os sons... enfim. Não sei de nada, tô aqui só experimentando esse momento, tentando fazer parte disso mostrando minha cara por aí também. (hahahaha)

Recentemente você foi convidada para dá uma palestra em um evento musical online sobre composição. Como foi feito esse contato e qual seu sentimento em relação a palestra?
Poxa, uma situação completamente nova pra mim! O querido do Gustaf Rosin, vocalista e guitarrista da Moldar, veio com essa proposta de que eu falasse nesse congresso online sobre a minha experiência artística nesse meio musical e eu aceitei logo de cara sem nem saber direito como seria (risos)! Agradeço imensamente por ele ter confiado em mim pra palestrar no 1º Congresso Nacional de Composição e Criatividade Musical (CONAMUS), é muita responsabilidade! Ele me explicou tudinho, tirou minhas dúvidas de iniciante e eu peguei mais confiança pra falar do que eu tenho pra oferecer. Eu fico muito muito muito feliz de poder participar de um evento tão importante e tão grande desse jeito, ao lado de gente grande! Poxa, meu nome tá junto com o do Lucas Silveira, do Felipe Andreoli, do Gustavo Bertoni, com o do Dave Elkins da MAE que foi uma das bandas que eu mais ouvi nessa minha vida! É uma honra enorme participar desse congresso com gente que eu admiro, que eu sou fã (hahahaha)


Ainda sobre suas composições, diga-nos um pouco sobre "Juro que eu tentei" e "O Conselho do Bom Senso", suas novas músicas do soundcloud.
Amo demais essas músicas. Elas são registros de momentos importantes da minha vida e fazem com que eu me veja de outro jeito, como se estivesse me vendo de fora. Falam de como eu me cansei de satisfazer os outros, de tentar alcançar os outros, falam de amor, é claro, e de desamor também. A "Juro que eu tentei" fala da menina que eu decidi alimentar, a jovem, doente, triste. Decidi alimentar um pouco essas sensações porque cansei de ver gente tentando agradar e sair sorrindo mesmo de coração ferido, cansei de gente pedindo pra fulano não chorar como se isso fosse ruim, de gente falando que minhas músicas são "bads" e que eu deveria tentar compor coisas mais felizes.  "Conselho do Bom Senso" eu escrevi pra me dizer  'chega lay, já deu dessa história', o momento que eu passei e a história que essa música esconde precisava de um fim, precisava afundar, então eu fiz ela pra fechar uma história, pra colocar um ponto final num momento.

Pergunta clichê do blog: o que você ouve no dia-a-dia (do nível, tipo, não dá pra deixar de ouvir) e com quem você sonha dividir palco ou composição?
Ultimamente tenho ouvido demaaaaaaais Fickle Friends, Paperwhite, Vulfpeck, Troco em Bala, Great Good Fine Ok, Baiana System, uma misiquinha específica chamada Swept Away do Vanilla, Alice Caymmi, Karol Conka, Flora Matos, e mais um monte aí... Meu sonho é cantar com o Castello Branco, com a Corinne Bailey Rae, com Supercombo, com a Lucy Rose (hahahah) sonhos grandes.

Quais são seus novos projetos musicais solo e/ou com a Simonami?
Bom, a Simonami tá mais sossegada agora, então as ideias são várias. Ando pensando em soltar uma coletânea com tudo que eu já produzi até o momento. Eu, a Lilian e o Jean estamos com umas ideias loucas aí pra nós três também (risos) só isso que eu posso dizer :P

Lay, obrigado pela simpatia e pedimos que deixe uma mensagem aos nosso leitores!
Eu que agradeço muitíssimo pelo interesse no meu trabalho! É bonito ver que minhas músicas, e minha visão sobre as coisas tem algum peso ou fazem algum sentido pras pessoas (haha). E aos leitores, eu espero que tenha conseguido satisfazer as curiosidades sobre a Simonami, sobre mim, sobre música :) 
Um Abraço!

sábado, 17 de outubro de 2015

"A-ha! Aqui estão vocês!" - Análise (da expectativa e) do show do a-ha em Recife, 2015

TEXTÃO À VISTA! :)

08-10-2015.

Que dia, meus amigos, que dia!

Ou melhor, que noite.

A uns 5 anos atrás, o trio musical de noruegueses mais famoso anunciava seu fim. O A-ha, banda formada lá nos anos 1980, faria sua turnê mundial de despedida em 2010. E passaram pelo Brasil, inclusive. Vieram ao meu estado, inclusive. E à minha cidade, inclusive. E eu não fui! :'( :'( :'(

Vou explicar-lhes uma situação: eu sou fã da banda. Pra ser mais específico: não querendo desmerecer as pessoas em geral, mas eu sou fã de música. Da mesma maneira que a maioria das pessoas é super fã de livros, filmes e séries, eu me dedico a ouvir e analisar música (e fazer, eventualmente, assim como tem gente que lê bastante e por isso escreve muito melhor que eu). E, apesar de ainda me faltarem muitas horas de audição de música pra me considerar um cara minimamente conhecedor de música, eu sou fã do A-ha. (parabains, Phil)

Por que eu falei de não querer desmerecer as pessoas em geral? Porque a maioria da turma, em geral, vai a lugares que tem música não pela música em si, mas por qualquer outra coisa. Exemplo: baladas e festas por aí; a música é sempre a mesma (no meu caso, Pernambuco, é sempre o forró estilizado de sempre e um DJ qualquer entre uma banda e outra), é geralmente ruim (opinião própria), e quase ninguém se importa com a música, mas a música é apenas uma tentativa de quebrar o silêncio e criar uma ambiência pra curtir o momento, desestressar da semana, flertar um pouco, encher a cara, etc. E eu odeio fazer isso, pra mim música tem que ser ouvida, tem que se dar atenção a ela.

Magne, Morten e Paul: a-ha
Mas voltando ao foco do texto: sou fã do A-ha. Isso veio desde 2005. Explicarei em breve a história lá no meu blog pessoal (algo que lhe salvará tempo de ler um textão se você resolver continuar aqui mesmo) (mas espero que você seja curioso e vá lá ler :D ). Eles são noruegueses, a banda se formou em 82 (mas consideram o início em 85, quando lançaram o primeiro álbum) e de cara foram sucesso na Europa. E por serem uma banda antiga e internacional, conforme o tempo passa é complicado esperar os caras virem ao Brasil. Eles fizeram muito sucesso aqui, muito mesmo (ainda bem) mas mesmo assim, suas turnês são mundiais e a gente tem que ter paciência.

O fato é que a banda, de 82, durou até 94. Eles acabaram mesmo. Mas, ainda que a contragosto, se apresentaram no Nobel em 98, e resolveram voltar; daí, foram de 2000 até 2009, quando anunciaram uma turnê de despedida (Ending on a High Note), que terminaria em 2010. Dessa vez pareciam que iam acabar mesmo, afinal eram 25 anos de estrada, rostos e vozes desgastadas, uma bagagem grande na vida. E de fato vieram ao Brasil, e à minha cidade. Mas afinal, qual o motivo do meu choro lá em cima? É que eu não fui pro show em 2010! Eu tinha 16 anos, ok, mas eu gostava muito da banda. E saber que viriam a Raincife (tava chovendo, Morten até ficou resfriado) mas não poder ir foi ruim. Imagine sua banda favorita anunciar um show em sua cidade a um preço razoável de ingresso mas você não pode ir? :(

Então, a esperança morreu ali pra mim. E pra um monte de gente. Só restou ouvir a banda ao longo dos anos. Reviver os álbuns, etc... 

...até quem no final de 2014 saiu um super anúncio no Jornal Nacional: O A-ha vai se apresentar no Rock in Rio. :O

Cara, tipo... a reação inicial foi TENHO QUE COMPRAR ESSE INGRESSO E ESSAS PASSAGENS JÁÁÁÁ. Eu realmente queria ir. E tinha amigos(as) que iriam junto! Pilhei mesmo. Fiquei frustradão quando descobri que não seriam a atração principal (que foi Katy Perry! argh), mas ainda fiquei querendo ir, até que, navegando nas interwebs, achei outra notícia... o A-ha vai fazer uma turnê pelo país após o Rock in Rio...  E VAI PASSAR EM RECIFE.

MEU. JESUS. AMADO.

Fiquei até assustado. Cara, sério? A-ha está de volta mesmo? Daí eu entendi que era não só um show, mas uma turnê de um álbum novo, Cast in Steel (muito bom por sinal, mas só ouvi faz pouquinho tempo). E pilhei de novo. Comprei ingresso, alguns amigos e minha família morreram de vontade mas ninguém podia ir, então eu meio que fui representando eles lá. Os dias passavam e a expectativa aumentando, até chegar essa bela quinta-feira. (um obrigado a minha amiga Consthanza que também é super fã deles e foi comigo lá.)

O show foi incrível, pra falar a verdade eu custei a acreditar que eu realmente estava ali próximo da banda. Mas cantei as 20 canções o mais alto possível -- mesmo as mais recentes! Vamos ao setlist e um breve review de cada faixa:

The Wake: canção nova, do álbum Cast in Steel. Essa eu não conhecia :P
I've Been Losing You: clássica! Álbum Scoundrel Days bem representado logo de cara. Após o silêncio inicial da canção desconhecida, o povo cantou em coro, especialmente o refrão, e a ficha de que eles realmente estavam ali começou a cair, finalmente.
Cast in Steel: faita-título do novo álbum, bela canção, de verdade!
Cry Wolf: WOOO OOOO, TIME TO WORRY! :P Essa eu gravei! Tá no final do post, confere lá.
Move to Memphis: uma de minhas favoritas, tirada do álbum de 1993, Memorial Beach (controverso e de um período chato dos integrantes, se separaram um ano depois).
Stay on These Roads: essa eu mandei pro meu Instagram. Outra clássica! Faixa-título do álbum de 1988. Canção muito bonita, a letra é encantadora e a música só faz o conjunto ser perfeito! *-*
Scoundrel Days: A mais rock'n roll do show, amei essa versão ao vivo. Por isso gosto tanto de coisas ao vivo, às vezes os truques de estúdio enganam e a música não tem o peso e a ênfase que deveria ter, e ela não soa tão rock no álbum, parece um pop qualquer. Um viva aos lives!
Crying in the Rain: canção de Carole King, famosa pelos Everly Brothers, A-ha regravou em 1990 e daí por diante todos a amam também. (detalhe pra um monte de gente lá na plateia chorando mesmo sem estar chovendo... ops :x )
We're Looking for the Whales: pelo visto, o álbum Scoundrel Days de 1986 entrou em peso nessa turnê (mesmo 2015 sendo aniversário de 30 anos do álbum anterior a ele), e essa faixa mais pop e não tão conhecida teve seu lugar no show. E eu gosto muito dela :D ou seja, fui um dos únicos a ficar dançando e cantando ela em meio a 16 mil pessoas, hehe.
Sycamore Leaves: um rock mais stoner, faixa bem trabalhada, classicão! Também de 1990. O peso dessa foi bem trabalhado, gostei pra caramba.
Hunting High and Low: preciso mesmo falar dessa?
The Swing of Things: Outra favorita minha, outra de 1986, outra letra que bate fundo na alma.
Forest Fire: mais uma nova, essa é mais animadinha, gostei bastante de ouvi-la no Rock in Rio. Sem querer ser herege, ela me lembra muito Take On Me.
You Are the One: clááássica! Uma das mais aclamadas pelos fãs, divertida, dançante (mamãe que o diga), gostosa de ouvir e cantar (pra alguém, inclusive).
Foot of the Mountain: faixa-título do então último álbum, de 2009, que me fez suar pelos olhos quando descobri que iriam acabar a banda de vez.
Soft Rains of April: aí sim, fomos surpreendidos novamente. Essa faixa eu ouvi pouco na minha caminhada de fã, então fiquei na minha. Mas aí o show acabou...

até voltarem com:

The Sun Always Shines on T.V.: preciso mesmo falar dessa? (2)
Under the Makeup: essa é nova! Muito linda! Olha, pra mim ela merecia uma vaga numa novela da Globo. Sério! Eu a ouvi ainda antes do Rock in Rio (porque eles liberaram essa faixa pra galera ouvir) e consegui aprendê-la a tempo :D
The Living Daylights: tão clássica que a turma às vezes esquece que foi tema de 007. E geralmente a mais divertida e agitada nos shows, desde o primeiro DVD que assisti. Magne empurra mesmo a galera, até Morten se solta um pouco. E aí o show acabou, de novo...

mas claro que faltava...

Take on Me: PRECISO MESMO FALAR DESSA? Voltaram pra cantar o maior sucesso de todos os tempos, uma das músicas clichês dos anos 80, e a única que a maioria cantou (as outras eles só filmaram, rsrs).

Lembra quando eu falei que odeio quando a música não tem a atenção que merece? Essa foi a única raivinha que tive nesse show, porque a imensa maioria das pessoas cantou 4 ou 5 no máximo... o resto foi só filmar, umas palmas aqui e ali, e etc. Quer dizer, foram pelo hype? Pelo status de dizer que estiveram onde o A-ha tocou? Pra preencher o Instagram? Sei lá. Até meus pais, que pouco sabem inglês, conheceriam mais canções que muitos daqueles presentes. Mas essa raivinha passou logo, porque preferi me concentrar em curtir a presença de uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos.

E mais uma coisa: entendam que eu falei faixa por faixa, mas é lógico que não é fácil fazer um review de show, porque não é fácil transmitir a atmosfera do lugar e a energia da banda no palco. Então fiz o que pude nas descrições acima! ¯\_(ツ)_/¯ Mas o show foi muito bom. 2 horas de duração. O som estava muito bem ajustável, a banda teve uma performance impecável, mas a voz de Morten... isso era o que todo mundo tinha medo. O fato é que a voz dele não é mais tão cheia e forte como foi antes (pô! 30 anos cantando, é lasca), mas a entonação e a imposição da voz continuam perfeitas. O conjunto todo da obra, na verdade, soou ainda melhor do que a banda em 2010 (que como eu disse eu não vi ao vivo aqui, mas vi o DVD lançado). É quase como comparar suco de uva fresco, colhido no pé (início da banda) com um vinho antigo e suave (agora): ambos são bons, cada um com suas características, mas a essência da uva estará sempre lá, e a essência do A-ha estará sempre lá, não importa o caminho que eles percorram.

Até a próxima, A-ha. E voltem sempre que puderem. Eu e mais 16 mil estaremos prontos pra lotar aquela casa de show novamente.
(Ou quem sabe, 60 mil em um estádio... vocês são capazes disso, já colocaram 198 mil no Maracanã!)



A-ha - "Cry Wolf" | Recife, 08.10.2015.
O melhor dia do ano. :D

terça-feira, 13 de outubro de 2015

1 Ano de blog! (Ebaaaaaa!)

Então galera, um ano já né? Como o tempo passa rápido. Um dia desses eu estava por aí no facebook procurando pessoas (e ainda estou) para me ajudarem a publicar no blog e tal, e agora aqui estou, com uma sensaçãozinha de "caramba! eu não desisti!". Tivemos muitas razões pra parar. Eu comecei sozinho até que encontrei meu eterno parceiro Phil Santos e alguns outros colegas que, nunca vou esquecer da ajuda imensa que deram pra nós. Alguns não temos mais contato e não puderam deixar suas mensagens de parabéns. Um ano de que isso faz parte do meu ofício e do meu trampo principal. É óbvio que falhamos as vezes, acertamos outras, mas estamos sempre aqui, jogando pra fora um pouquinho do que está sobrando em nós. E com a palavra, Phil Santos:

"Eu ainda me lembro de quando o Jhonata me chamou pra fazer parte do blog. Quer dizer, lembro vagamente do dia em si, mas a gente já vinha conversando a um tempo sobre fazer arte, e depois ele me mostrou o blog e me pediu pra mandar algo. Eu tinha uns textos bem ruins prontos, peguei um e dei um tapa, acabou ficando IMENSO, ENORME, mas ele aprovou, e assim foi.

Daí pra frente foi textão e mais textão, e tome textão, haha. Cara, a experiência de participar de um blog organizado é novidade pra mim (porque meus antigos blogs eram tão arrumados quanto meu quarto). O Dialetos me re-ensinou a escrever, mas de um jeito mais "amistoso" e menos analítico/científico. Ainda tô aprendendo, mas acho que dei uma mudada.

A convivência com o Jhon e o Rockfeller (e os outros amigos que estiveram próximos, participando do blog ou não) foi crucial pra que a gente pudesse sobreviver na blogosfera. Um grupo dividido não resiste ao tempo! Apesar da minha falta de tempo, é muito bom fazer parte disso. E os comentários dos amigos leitores são um belo bônus, um up, como quem diz "vai, continua, tá bem legal, manda mais"! E vou continuar! Obrigado a todos! Deus abençoe."

Nossa ex-blogueira Maria Lima também nos deixou uma mensagem:

"Jhonata, Phil e Estêvão, pessoal, parabéns pelo blog! E Parabéns D&CB, por ter sobrevivido Um Ano com esses malucos... E eu por ter sido parte dessa história, por ter compartilhado um pouco da minha alma e adorado essa experiência, quero parabenizar o Dialetos & Coisas Boas com o que considero um dos meus melhores textos já escrito, um Poema que coloquei minha Alma! Espero que gostem do Presente! 

Preconceito Racial

Podemos viver no mesmo ritmo
Compartilhando o mesmo sorriso
Em um só coração
Lado a lado
Ou frente a frente
Um olhar...
... De inocente
Quer ser aceito... 
...Como gente!
Ser uma estrela admirável
De um passado contundente
Ser reconhecido simplesmente
Como alguém descente!
Posso ser o seu autor
O seu anjo protetor
Já tenho uma história
Mas me falta um final com vitória!
Se interpretar o meu pranto
Verás que meu coração é um encanto!
Sou parte da emoção
Quero ser visto pelo seu coração!
Segure a minha mão
Sinta que sou seu irmão
Que seja intenso!
Podemos caminhar na mesma direção?!
Para um mundo seguro
Precisa-se, de corações puros!
Não somos diferentes
Mas nos foi permitido o caminho mais difícil
Não queremos mais...
...Apenas uma chance para viver em paz!

Entramos em contato com alguns leitores e pedimos para que deixasse umas mensagenzinhas bonitinhas pra nós :)

"Parabéns lindos pelo blog! Que venha muitooos e muitos anos de sucesso. Sejam sempre assim, talentosos e que nunca desista dos seus sonhos e objetivos. Sucesso!" (Aline Torres - MT)

"Queria dar feliz aniversário ao blog e parabenizar principalmente o Phil (vulgo tio Phil em 2013) e o Jhonata pelo conteúdo que eles passam através dessa tela à todos os leitores, foi muito bom poder participar dessa história e acredito na competência de vocês para crescerem e se tornarem um Blog de grande história e alcance. A Deus seja toda a Glória!" (Guilherme Stecanella - PR)

Muito mais do que um ano de blog, eu comemoro essa data como um marco na minha vida pessoal também. Conhecer o Phil e o Estevão e toda galera que fez parte de alguma forma disso, é simplesmente incrível. Acima de tudo, quero dizer que tudo que fazemos nesse blog é por amor. É o amor a arte, a escrita e a quem ler. E é isso, que venha mais e mais 13 de outubro! <3 


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A ponta do lápis

(Revirando coisas guardadas antigas, encontrei um caderno do Ensino Médio, cheio de anotações, principalmente incompletas. E a poesia abaixo, que escrevi lá pelos meus 14 anos. Faz tempo, viu! Ê nostalgia.)

Aula de Química sobre dureza de objetos:
"O mais duro risca o menos duro. Então quem é mais duro:
O lápis ou o papel?"
"O lápis, porque risca o papel."
"Errou; na verdade, é o papel que risca o lápis."

"Ah, ele risca tudo, não perdoa nada..."
Seja feito de madeira ou de plástico
(ou de plástico meio emborrachado, feito aqueles lápis de estudante
que a turma na escola adorava pegar pra dobrar até dar um nó)
Ah, ele risca tudo
não perdoa nada
papel, parede, mesa, chão
olho, boca, sobrancelha
lápis também é maquiagem,
certo, mulheres?





Mas o bom lápis mesmo
é aquele cuja ponta transcreve
todo o pensamento sem fundamento do escritor
ou todo o cálculo do gênio da Física
ou o belo desenho da querida criança
ou a rápida anotação do professor que tanto nos ajuda.

É aquele que escreve
a carta que mantém o amor aceso
o bilhete que refresca a memória
a tarefa que reforça a inteligência
o conselho que traz mais sabedoria.

Ponta de lápis que sempre acompanha todo poeta cheio de nada na cabeça.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Eu nunca vou te ter

Eu sou essa falha: a falha de ser alguém que gosta de quem não gosta de mim. O conservadorismo de poeta melancólico é ser pessimista. Pessimismo sempre, entendeu? Eu sou essa falha que interliga impassibilidade com emoções. Sou a ponte pela qual você nunca irá passar. Eu não vou escrever um livro e nem vou fazer negócios no exterior, pois sou fraco por essência e tenho sérias dificuldades com idiomas diferentes. Causa e efeito: amar e sofrer. Eu sou essa falha que não contra argumenta. Que sofre calado e suporta o frio sem cobertor. Sou feito de lágrimas e me acabo sempre no último play. Estranho os outdoor's, estranho tua foto e até teus amigos mais íntimos. Mando cartas sempre para o meu sub-consciente dizendo que te quero e que te amo. Nós dois sabemos que o que nos faz ser parecidos, é o mesmo que nos diferencia. E eu já conclui que nunca vou te ter. Por mais que você não admita (é óbvio que você não vai admitir, até porque não quer me ver sofrer não é isso?), eu já sei que não vamos ficar juntos e que o seu lugar é bem distante daqui. Eu nunca vou te ter porque você só está dando um pequeno tempo até conhecer um cara melhor que eu e se jogar nos braços dele. Ele vai te mostrar que por mais que ele seja "o cara", jamais será capaz de te mostrar o que te mostrei, beijar como te beijei e te fazer feliz como eu seria se você tivesse optado ficar comigo. 

Eu sou essa falha que é se apegar demais. E pior, sem nunca perceber que o meu apego era só carência e, essa é outra falha. Eu sou essa falha que te incomoda demais, escreve coisas atoas e sem sentido e vive pelos cantos sonhando acordado. Sou, sem sombra de dúvidas, aquele que roteirizou o nosso futuro de modo esplêndido, mas não sabe te conquistar no presente. Talvez as coisas realmente precisam ser assim: você aí e eu aqui. Quem sabe a gente entenda tudo isso depois não é mesmo? Daqui a, sei lá, 20 anos, vamos estar casados, com filhos lindos, formados e viajando a cada 15 dias a trabalho. Você e sua família na Disney e eu e minha família em Florença, ostentando felicidades. Mas isso também é só roteiro e, pode não ser o meu papel. Atuar e aturar essa personagem que é ser falha, não é fácil. Eu sou essa falha, que falha. 
Eu sou essa falha que você chama de "cara legal"

Eu assisto teus passos e vejo que eles são lentos mas tua visão faz parecer que são quilômetros. Eu nunca vou te ter por esse motivo: você sempre vai estar a minha frente. Entendo que as vezes o melhor a fazer é não fazer nada. É sorrir pro nada e fingir que tá tudo bem. É relevar a omissão e sacar as armas que estão com balas vencidas. Eu sou essa falha, que não entende o outro e pensa ter o mundo nas mãos. Eu saio todos os dias a procura da minha outra metade pois viver sem ser par é singular, e isso é chato até para os autistas. Eu sei que não sou o melhor e isso nunca esteve nos meus planos, mas eu sou essa falha que pode se acertar. Queria ser alguém diferente ao menos uma vez e poder mandar todo mundo sentar, beber um suco de maracujá e reverem seus conceitos. Eu sou isso que você chama de "cara fofo". Perdoem a expressão mas isso é f**a! Eu sei, não posso falar palavrões. Mas eu sou essa falha que erra mesmo sabendo que não pode errar. Te ver todos os dias e não poder fazer nada é o mesmo que viver e não poder ser feliz. Se os dias demoram a passar, imagina as horas...

Eu sou essa falha que você chama de "cara legal". Sou o fruto de uma coisa só, a letra de uma tinta branca, o fracasso dessa perfeição, a singularidade do plural, o homem que te deseja.  Eu sei, eu sou só falha. Eu assumo o meu pecado e me disponho a pagar. Pagar pela tua decisão de não me querer e pela minha burrice de viver te perseguindo. Vai ver se estou em Paris, passeando pela Rua dos Rejeitados escrevendo canções para os que não podem ter o que querem. Eu sou essa falha e por isso eu nunca vou te ter. Eu sou essa falha que é te procurar sabendo que irá se esconder. Eu sou essa... (desculpa!)

Visconde - Penny

"Aprendi com esse sonho sem sentido e sem explicação
Que a minha vida, não passa do roteiro sem a tua direção
E eu sei, ainda nem te conheço..."

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Jogando com o diabo

Jogar novamente
Às vezes jogo pra ativar a minha mente
Google Imagens
Mesmo sabendo que são grandes as chances de perder
Eu jogo apenas para ver,
Ver no que vai dar,
Até onde podemos continuar

Esse eterno empate
Ou nossa eterna derrota
Eu não sei qual resultado
Melhor nos conforta

Talvez nossa eterna discórdia
Se estenda até a gente compreender
Que fomos programados a nunca dar certo
E talvez a melhor forma de resolver
É fazer o proibido
O errado e o impuro.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Monotonia da chatice aguda

Entre as trilhões de conversas que tenho com o meu bom-senso, a percepção de que ainda serei melhor do que sou é o papo que mais me agrada. Fico me remoendo perguntando porque ela insiste em falar comigo. Será que ela quer ver o tsunami mais próximo me levar até a morte aos poucos? - chove em Rio Branco. E agora me dei conta que depois de longas e longas datas, cai pingos de chuva significante na minha cidade. Nada casual, somente a nostalgia do "não tenho mais" que passou por aqui deixando sua mensagenzinha de trouxa. Sem ser rude, eu digo aos que estão lendo que aqui não há nada de interessante. Bom, a não ser que você seja um simpático solitário, beleza! Puxa a cadeira aí que eu vou servir um cafezinho pra nós.

Sabe aquela sensação de que você poderia estar bem mais feliz do que está? Pois é, é assim mesmo que esse honesto escritor  se sente: buscando algo incerto. A incerteza é tudo numa imensidão de nada. Já ouviu isso? Se bem que esse café pode estar um pouquinho amargo né? Quer açúcar? Sinta-se a vontade! Então, a busca é constante e as forças são poucas. Lembro que ontem eu estava bem confiante. Bem, eu só me sinto confiante quando não penso no incerto. Me sinto vivo quando estou morrendo por dentro. Eu sei, eu sei, isso é papo de poeta solidário e paradoxo de gente burra. Mas pow, dá um desconto para a minha falta de compreensão dos fatos. País em crise, pessoas morrendo, guerras no oriente e eu aqui escrevendo bobagens. Mas quem que disse que a imperfeição sabe raciocinar? Somos átomos meu caro! Átomos de uma coisa só e mesmo assim matamos para ocupar um lugar que não é nosso. Átomos de uma infinidade de sonhos e mesmo assim tentamos negar essa realidade.
"Somos átomos meu caro!"

Mas, voltando para aquele assunto: ela volta e meia aparece por aqui. Diz que está cansada, que a vida está ruim e me pergunta como estou. Lógico que com aquele velho (des)interesse pela resposta. Me disse até que ia casar. O cara é boa pinta, trabalhador, ama ler Fernando Pessoa e está concluindo seu mestrado em COMO SER UM TREMENDO IDIOTA SENDO APENAS UM SER HUMANO. Ele é super gente boa!

Ela diz para as amigas que eu sou chato e nerd. Eu nem posso contra argumentar pois realmente sou chato e nerd, mas e daí? - ah, e já faz tempo que parou de chover em Rio Branco e já voltou aquele calorão insuportável. As amigas dela sabem muito bem quem sou e até já sorriram pra mim quando me viram na rua. Desculpa, nem perguntei se você quer mais café. Sou insistente e pontual. Nem gosto dela, se é isso que você ia me perguntar. Ela me parece ser do "povão" como diz um amigo meu que também é chato e nerd. Ela fuma e eu detesto mulheres que fumam. Um ponto positivo: ela assume o seu cabelo cacheado e eu sou fã de mulheres que assumem seus cachos. Eu sei, já faz tempo que estou enrolando aqui na tentativa de dizer algo útil e agradável e não vou direto ao ponto. Mas o lance é que eu não sei o que quero dizer e, provavelmente eu terei que ir embora sem dá resposta alguma. Mas me responda aí, o café estava bom?

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Larissa

É muito fácil deitar, ligar o notebook, abrir o editor e começar a digitar bobagens. Em outro momento seria só abrir o caderno, pegar a caneta e escrever. Mas quem disse que é fácil lembrar de cada dose de ansiedade? Saiba que em cada rascunho desse texto há um pouco de você, Há um pouco da tua beleza rara disfarçada de beleza externa. Eu sei, não é assim que se trata uma dama, mas eu nem quero aprender a disfarçar. O teu disfarce é só poeira e isto o vento leva. Entre as acústicas e as elétricas eu só procuro onde eu me perdi. Tem aquelas pessoas que me acham inteligente e outras dizem que tenho um futuro promissor, mas tu Larissa, o que dizes? Aah! Não é fácil me responder assim tão rápido né? Eu sei onde tu andas: vagando em minha memória numa rua perigosa chamada "nostalgia". Nem queria dormir cedo hoje, mas 3hs é um bom horário para descansar a mente e no outro dia, ou melhor, no mesmo dia, encarar que não te tenho aqui. Encarar essa realidade que é viver sem ser um par e, conformar-me com essas turvas letras. Engraçado né? Falando em nostalgia lembrei daquele dia em que eu fui obrigado a correr atrás do ônibus - coisa que nunca faço - só para não perder a hora de te ver. Pra você isso nem tem nexo e nem razão. E se eu te disser que foi tu Larissa que me fez desistir dos cursinhos e noções básicas de geometria? Iria acreditar? Foi tu que eu vi quando fechei os olhos na tentativa de não te lembrar em longas viagens de busão. Eu sou apenas um idiota, eu sei. Lembras quando te liguei de madrugada? Eu inventei uma história qualquer somente pra chamar tua atenção e te provar que eu realmente não conseguia dormir sem antes falar contigo. Escrevendo assim faz parecer que sou vítima e tu és a vilã não é? Mas olha bem: eu tô falando a tua língua. Ou você acha mesmo que eu vivo usando o "tu" na segunda pessoa? 
São fragmentos de uma atuação fajuta cuja a plateia é você própria

Naquele dia no café da manhã, eu esperei você acordar pra dizer o que tinha sonhado na noite anterior, mas foi em vão. Você alegou que estava com dor de cabeça e não queria conversar. Pow, tu pensa que isso não machuca? E eu já nem sei se devo usar o "tu" ou o "você". No sonho tu eras tão bela e ingênua. Na vida real também só que menos sincera. Eu sei, é tudo clichê. Tudo esporádico e tudo é nada. Eu sei, eu sei, não precisa me interromper. Só peço que não me marque mais em suas fotos pois elas são reflexos de uma mentira duradoura. São fragmentos de uma atuação fajuta cuja a plateia é você própria. Eu peguei o caminho mais curto pra vir te encontrar e dizer que eu não vou mais tentar. Não vou mais te pedir pra ficar e nem te prometer um futuro excelente. Tu não mereces! Tuas guerras contra esse sentimento que é só meu não precisam mais acontecer. Eu me dou por vencido e meu castigo será limpar da memória teu nome, teu rosto e teus contatos. Esquecer tuas manias mais toscas e desejos mais pessoais. Amanhecer sem tuas mensagens de "bom dia amor" não vai ser tão fácil, mas meus amigos vão me ajudar enviando "acorda trouxa!". Alguém já te disse que o teu sorriso é só disfarce Larissa? Já te esbarraram no shopping e te ofereceram uma bebida? Qual mesmo a tua bebida favorita? Lembrei, gostas de suco de laranja né? Tua insensatez é só ironia. Mas eu te deixo ir e dessa vez não vou te chamar quando eu estiver sozinho. Só dessa vez eu vou lembrar que tu está longe e com outro alguém. Não espere pois não vou desejar que seja feliz e que tenha filhos lindos. Nem espere que eu vá para o seu casamento e, sobre a minha "despedida de namoro", ele acabou de acontecer com essas verdades sendo ditas. Se eu precisar te ver outra vez, te aviso antecipadamente para que tu tenhas tempo de planejar um imprevisto - ironia já que imprevistos ninguém planeja. Adeus, Larissa!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Vontade de Viver

Às vezes eu me sinto um tanto confuso, e no final das contas eu não sei direito o que eu realmente estou sentindo...

Se é apenas um pouco de tristeza ou se eu perdi um pouco da vontade de viver...

Faz um tempo que não me sinto próximo do ambiente em que estou, às vezes estou rodeado por amigos mas ainda sinto que falta algo, sinto que estou fora de sintonia, sinto que estou acompanhado porém sozinho...
Google Imagens

Na verdade eu tenho infinitas coisas a arrumar, eu me sinto como um malabarista, em cima de uma corda, a 20m de altura, jogando umas 10 bolas ao ar todo desequilibrado. [A essa altura deve ter me restado umas 3 bolinhas, e eu continuo suando para as restantes não caírem]...

Meu prazer nos últimos tempos tem sido ficar deitado na cama, olhando pro teto, desafinando um som na guitarra e escutando um slow song...

Dizem que a tecnologia veio para aproximar as pessoas, mas será que eu sou o único que se sente sozinho quando conversa pelo celular?

Seria mentira minha dizer que eu não sei o que me faz falta. Algumas vezes eu penso se a falta de vontade de viver não está ligada a vontade de viver e apenas existir...

Precisava me sentir mais vivo, sabe, quando você realmente sente que está em movimento, que está fazendo aquilo que gosta, que chega até a doer? 

Preciso de mais sensações como esta.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Análise CD "Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa" - Emicida

Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa é um disco ousado. Diria até que é um álbum arriscado. Emicida falou da cultura negra de uma forma que só ele seria capaz de fazer. Neste trabalho o rapper continua com o peso de sempre, agora, é perceptível que o "poeta das ruas" não perdeu nada do seu dialeto rico e sábio para passar uma mensagem realista para seus ouvintes. Mãe abre o disco de forma magistral. O cantor faz uma homenagem a sua mãe e a muitas mães que criaram seus filhos sozinhas e com dignidade. É a minha favorita do disco. 

“Mãe é uma emocionante homenagem à batalhadora mãe do moço, Dona Jacira, que até dá uma palhinha no final da música. A música pode ser tida como uma continuação de “Crisântemo”, do primeiro álbum, também autobiográfica, mas que conta a história do pai de Emicida, Miguel, que morreu ainda na infância do rapper. " [1]

8 vem em seguida com um tom de manifesto e contando a realidade (lamentável) racista que vivemos em nosso país. Emicida aproveita e homenageia os professores agredidos pela polícia no Paraná com o trecho "...jogando na retranca querendo que os menó respeita / os professô que a polícia espanca".

Casa traz as crianças para o coro e reforça a ideia de correr atrás dos sonhos e vencer as dificuldades, pois são muitas e, o principal: "nunca se esqueça o caminho de casa". Amoras é o primeiro interlúdio do disco sendo uma canção para a filhinha do Emicida. Citando Martin Luther King, Zumbi e Malcolm X, o compositor recita uma poesia de orgulho negro e amor pela cultura desde a infância. Mufete é a mais africana do disco e que reflete um pouco a fase que o Emicida passou na África. 

A frente temos duas grandes participações especiais: Caetano Veloso em Baiana e Vanessa da Mata em Passarinhos. A primeira é uma MPB bem divertida e que enaltece a mulher negra. A segunda é um reggae bem embalado com a linda voz da Vanessa. Sodade é o segundo interlúdio do disco com uma língua africana quase em forma de oração. Chapa fala de um amigo que foi embora e deixou amigos e familiares com muita saudade. Boa Esperança foi o primeiro single do álbum e embalado de um clipe que rapidamente rodou o Brasil.

"O clipe da inédita "Boa Esperança" reforçava esse rumo ao apresentar um cenário de guerra civil começando de dentro das casas, quando empregados de uma mansão pegam seus patrões como reféns depois de serem humilhados durante o trabalho. O nome da música foi tirado de um dos irônicos nomes dos navios negreiros que traziam africanos para a América. Para dirigir o clipe, o rapper chamou João Wainer (do filme "Junho" e repórter especial da Folha) e Kátia Lund (de "Cidade de Deus"). Tudo indicava que o novo álbum viesse com sangue nos olhos." [2]

A música rema contra o racismo e tem um peso do nível de sua letra. Ainda teve a participação do J. Ghetto. Trabalhadores do Brasil é uma pequena poesia recitada por Marcelino Freire e o terceiro e o último interlúdio do disco. Mandume é a mais pesada e uma das melhores do disco e, também é a que tem mais participações: Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphao Alaafin. Madagascar é agradável e cheia de poesias. Salve Black (Estilo Livre) fecha o álbum no melhor estilo samba. 

SCQPLC é um álbum que merece ser ouvido com atenção e respeito pois é a cultura negra sendo representada. Para mim, um dos melhores lançamentos neste ano. 


[1] http://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2015/08/24/resenha-emicida-sobre-criancas-quadris-pesadelos-e-licoes-de-casa/

[2] http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/08/1665346-emicida-combate-o-racismo-com-novo-album-pra-cima.shtml

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Bom dia!

...

.................

.............?..........!

....... .

Hm?

O que foi isso?

Foi um instante e depois foi embora. Mas o que...

Essa sensação de acabar de acordar... algo tão misterioso e incrível... por 5 segundos não se tem nada na cabeça, saca? Parece que não há rotinas, problemas, chatices, dores. Parece que eu não sou eu, de uma forma positiva. Bem, o alarme tocou, é verdade, mas eu não parecia um alguém estressado, ou talvez nem necessariamente acordado, embora de olhos abertos.

É uma calma que não dá pra explicar.
Será que se eu me enrolar mais na cama eu consigo prolongar isso? 

É uma calma que não dá pra explicar. Será que se eu me enrolar mais na cama eu consigo prolongar isso? Porque parece que quando percebi que rolou essa sensação, ela foi embora... adianta fingir que ainda estou pré-acordado (isso existe?), dizer a mim mesmo que estou de boas?

E eu até vou esperar pra saber se isso duraria mais. Ou até se isso volta. Tipo como quem sonha, acorda e quer voltar pro sonho... mas não sei se rola fechar os olhos, dormir e acordar de novo, porque quando acordar de novo vou estar novamente igual uma folha branca de papel, nada na mente, não vou perceber nada e vou de novo ficar procurando essa sensação depois que ela já tiver ido embora. Hmm, melhor não, né.

Ih cara, percebi algo interessante agora. Mano, até fiquei espantado aqui. Haha! Que curioso. Eu me deitei ontem com a cabeça fervendo, cheio de coisa pra me preocupar (pré-ocupar, detalhe). Era coisa pra caramba. 

Mentalizando o diálogo mais promissor e o mais decepcionante.

Imaginando a pior prova e a... bem, só dá pra pensar na pior mesmo.

Enfim.

Fantasiando as situações mais incríveis e as mais dolorosas.

Projetando a pior reunião e a mais feliz.

Pensando em você, também.

E agora, com os olhos abertos, cabeça no travesseiro, o teto, a luz na janela e nada mais, nem sei se é isso tudo o que eu acho. Nem sei se vai ser tão massa ou tão merda. Nem sei se você é o que eu procuro. Ué, mas não era pra ser do jeito que eu imaginei? Haha! Que contraditório que sou! Porque agora eu não sinto o menor peso na mente em dizer que não me preocupo em te querer ou não, ou que não me preocupo se vou discutir com a jornalista e enrolar meu chefe e fechar a cara na minha mesa no trampo ou se o dia será o mais produtivo do ano.

Diferente de ontem à noite, que eu sentia o peso do mundo (e ainda da Lua e uns dois cometas) na mente. E hoje, eu já nem sei mais. (Além dessa delícia de cama, minha amada .) Minhas convicções, parece que estão no lugar, depois da enxurrada de dúvidas de ontem. Como diz o ditado: nada como um dia após o outro. Maaano, como minha cabeça tá leve! Qual era a importância toda daquilo que pensei ontem? Uma noite de sono, um segundo de "nada", um minuto lembrando que eu era o mais inseguro e auto-questionador, e agora está tudo ~aparentemente~ tão resolvido que parece que zerei a vida. O que falta? Mega-Sena?

Hm, acho que não, né. Cairia muito bem, mas não vou arriscar tanto. Investir na Bolsa de Valores seria muito melhor, mas não tenho tempo nem saco pra isso. E tenho muito pra fazer hoje. Aliás, que dia é hoje mesmo? Nem lembro o que tenho de fazer. Hm, depois eu olho a agenda. Preciso é ver minha playlist pra o ônibus de daqui a pouco. E esse grupo do whats? 376 MENSAGENS? Gente, vocês não dormem? Vixe. Ah, no trampo eu leio, vejo as outras redes sociais, Twitters e Buzzfeeds da vida, mato um pouco do trabalho... 

E esse cheiro de café... 

Ok, eu me rendo. Eita, olha lá, solzão na janela.

Vamos lá, levantar.

Bom dia!



"But this morning
There's a calm I can't explain..."



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Nostalgia

Nostalgia
Emoções que nos fazem lembrar
Lembranças que nos fazem chorar
Momentos inesquecíveis
Às vezes imprevisíveis
Felizes!
Mas destrutíveis.
Marcantes!
Mas são instantes.
Google Imagens

Deixa marcada uma lágrima
Que é algo desesperante
Sem poder ir adiante
Espera por um instante
Um abismo enlouquecente
Uma lágrima se faz presente
Se é forte a emoção
Pode machucar o coração
E você se pergunta então
Por que ferir um coração?
E quando fica sem chão
Em nada mais há razão
O que era emoção
Machucou seu coração
E o triste olhar pode mostrar
O que jamais queres lembrar.

Maria Lima

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

26

Bem, agora que fiz 26 anos posso dizer que estou mais perto dos 30 do que dos 20.
Isso me faz pensar nos lados positivos, por estar há 26 anos vivo na luta, mas também me traz uma sensação desconfortável ao saber que cheguei a este degrau.

Quem me conhece sabe que eu não me sinto bem quando chega agosto. O meu aniversário é a principal causa, mas este mês me traz uma atmosfera pesada e escura, e por incrível que pareça, mesmo sem querer demonstrar todos conseguem observar. Acredito que ninguém no fundo gosta de ficar velho, mas pra mim isso é um pouco diferente, tem um pouco mais de razões pessoais que me levam infelizmente a ficar dessa maneira. Mas quem sabe daqui uns 10, 20, 30 anos, esse quadro mude...
"Talvez meu erro tenha sido não ter dado valor pro tempo"

Talvez meu erro tenha sido não ter dado valor pro tempo, ou então ter me vendido pro trabalho, sabe, são tantas situações que ficaria até impossível e insensato tentar enumerá-las aqui. Mas é complicado pra mim, ao chegar neste degrau e ver alguns objetivos ainda tão distantes de mim, e a cada dia a caminhada se mostra com mais obstáculos, com o fôlego mais apertado e cada vez mais sozinho...

Não gostaria de vir aqui e soltar palavras tão carregadas de melancolia, mas não consigo fingir e escrever um texto no Facebook dizendo o quanto minha vida é maravilhosa, sendo que não é assim que me sinto. 

E pra quem lê esse texto, e tem menos de 26 anos, gostaria de dizer uma coisa a vocês, que eu considero como sendo fundamental pra você não se arrepender depois:

- Nunca deixe, em hipótese alguma, que algo ou alguém roube seu tempo.

Acredito que esse é um dos melhores conselhos do mundo, e a gente só se dá conta do valor do tempo depois que ele passou, e você olha pra trás na sua vida e percebe que perdeu muito tempo com coisas e pessoas descartáveis.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

E se acordássemos agora?

É bem comum que nós, jovens da era moderna, sinta que algo ainda nos falta. Quando se atinge uma certa idade, você percebe que as coisas que outrora achava importante, agora não faz diferença nenhuma. E olha que estou com 19 agora. Novinho demais para achar as obviedades chatas. Mas bem que quando se tem um foco e determinação o bastante para apostar todas as fichas nisto, a vida ganha uma forma mais consistente. Não sou cozinheiro, mas acho que quando se cozinha uma comida muito gostosa para uma ocasião pra lá de especial, tem que haver uma magia culinária ali. Não para quem está cozinhando, mas para quem vai se deliciar. Acredito que na vida, é mais ou menos assim também. Precisamos ser mágicos moderados para colocarmos um ingrediente especial em nossos objetivos. Se não for assim, qual o sentido então? Qual é o lance de se viver 19 anos sem pensar numa faculdade, profissionalização, casa, carro, família? E eu percebo bem que, tristemente, essa idade intelectual de "se tocar pra vida", nunca chega para algumas pessoas. Muito me entristece ver alguém sem perspectiva de vida, achando que tudo se resume nas últimas 24 horas do dia ou na próxima boate do sábado a noite. Entristece-me saber que o índice de suicídio aumenta a cada ano e os maiores causadores é a juventude. Mas calma, este não é um texto social e nem de cunho religioso. É um texto que se propõe - sem minha ajuda - passar uma mensagem. Uma simples mensagem diante de tantas que são pregadas no dia-a-dia. Você liga a TV ás 8 da manhã e ver um cara de meia idade negociando um carro de trocentos mil reais com parcelas de, sei lá, uma vida? Liga o computador e é bombardeado de anúncios que tentam te convencer a emagrecer. A noite, ouve o vizinho dizer que seus filhos estão rebeldes e que não sabem mais o que fazer com eles. E eu não sei dizer, mas acho que é aí onde encontramos graça na vida: as diferenças mostram o que a ansiedade frenética que há em nós não é capaz de mostrar. Percebemos olhando os defeitos dos semelhantes que, não existe ninguém perfeito e que não somos os únicos que temos problemas nesse espaço existencial chamado vida. A irreverente Clarice Lispector dizia que viver ultrapassa qualquer entendimento. Somos desafiados a compreender isto. Não mais julgaremos pela aparência e nem reclamaremos do som alto as nove da manhã de domingo. Oscar Wilde ressaltou que viver é a coisa mais rara do mundo e que a maioria das pessoas apenas existem. Existir é relativamente fácil. Seu pai pranta a famosa sementinha em sua mãe, é dada a fecundação e após nove meses você nasce. Pronto, agora você existe. Agora viver, leva tempo. Eu entendo porque é bom crer no sobrenatural, ou melhor, em milagres. Isso vos dá esperança. Entendo porque no dia 2 de novembro, milhões de pessoas no mundo saem de suas casas e vão ao cemitério lembrar de seus entes queridos. Isso os motiva. Isso mostra algo a eles e garante mais alguns meses seguros e alegres. Mas eu confesso que sinto medo. Tenho medo de um dia acordar e ver que a vida que escolhi viver não tem nada a ver com que eu realmente queria para mim. Me amedronta pensar que um dia não terei condições morais e financeiras nenhuma de levar minha família a Disney. Quem não quer conhecer o Patolino e o Mickey?

Há aqueles que não cansam de falar do futebol, e outros,
das novelas e seriados. Algo vos motiva!

Certa vez, em um diálogo descontraído com uma amiga, falamos do quão as pessoas são burras e fazem coisas bizarras inconscientemente, a exemplo de te empurrar na porta do ônibus a fim de conseguir um assento. Isso vos dá esperança. Isso os motiva. Assim como gosto de discutir teologia e NFL com as pessoas, há aqueles que gostam de falar das crises politicas e econômicas do nosso país. Há aqueles que não cansam de falar do futebol, e outros, das novelas e seriados. Algo vos motiva! Eu também entendo porque os jovens da periferia escrevem uma letra imoral e sem bom senso algum e mixam com um batidão de funk para postar no YouTube um vídeo com algumas garotas dançando. Eles querem dinheiro, fama e reconhecimento. Tudo o que garante a eles um alívio, uma sensação de "CONSEGUI!!!". O que me faz ser tão só é que ainda não encontrei-me! Ou melhor, não me amo por inteiro. Ainda me acho pequeno e inferior. John Lennon disse que "Quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém". Entende? Se você não tem gasolina, não vai poder dá carona a ninguém. Se eu não me amo por inteiro, não posso fazer outra pessoa feliz. E aqui, chego a mais um ponto desse nosso texto chato e complexo - ou complexo e chato, como queira -; o ponto em que nós olhamos para a vida que levamos e procuramos identificar o que ainda falta. É certo que nunca seremos bons o bastante. Seremos até a morte, incompletos. Porém, podemos ser melhores. Podemos viver! Acordar na madrugada para ver o sol nascer e o ouvir o galo cantar. Sorrir para os idosos e crianças nas praças. Dizer te amo para a esposa todos os dias, mesmo sem ter um motivo em especial. Alegrar o chefe dizendo o quanto você é feliz em tê-lo como líder. E mesmo que esse texto tenha soado um clichê motivacional, ele retrata a minha e a sua história. Acha que tudo isso é utopia e que sonhamos demais? Então que tal se acordássemos agora?

quarta-feira, 29 de julho de 2015

10 Melhores álbuns brazucas que comemoram uma década neste ano (2015)

O 1º semestre do ano de 2015 já passou e alguns lançamentos nos surpreenderam e outros ainda virão por aí. Mas o nosso blog teve a ideia de listar os 10 melhores álbuns brazucas lançados em 2005 que comemoram uma década neste ano. Confessamos que foi uma tarefa difícil e talvez alguns artistas tenham ficado de fora, mas esperamos ter colocado os mais importantes também. Foi feita uma seleção com os principais trabalhos lançados em 2005 e depois foi feita uma seletiva até ficarem os 10 melhores. Os críticos montaram a própria lista sendo que o 1º colocado de cada lista ganharia 10pts. e os demais iam ganhando 9, 8, 7 e assim seguindo a ordem até o 10º colocado, que ficaria apenas com 1pt. No final foi somado os pontos e montado o TOP10.

Nessa edição contamos com a participação especial do crítico Tiago Abreu, colunista e editor no Portal O Propagador que nos ajudou a escolher os 10 e comentar cada um deles. Logo abaixo estão os discos da 10ª a 1ª colocação e os comentários dos nossos blogueiros. Vamos a lista!

10º Lugar: Grandes Infiéis - Violins

Tiago Abreu: Este disco particularmente, me é um dos três melhores de 2005. A Violins é uma banda de Goiânia com mais de dez anos de carreira, vários discos lançados, e essas informações poderiam se confundir com o currículo de qualquer banda bem-sucedida no mercado (e mercado no sentido literal da palavra). Mas o fato de ser independente apenas abrilhanta sua posição, pois 2005 foi um ano terrível para a cena nacional. As composições da Violins são maduras, bem trabalhadas, tem letras muito complexas. Sua sonoridade não é fria e totalmente descompromissada, mas também não é quente comercialmente falando. Novamente, isso não é negativo, e apenas afasta os menos atentos a suas propostas. Certamente, é um grupo que deveria ser mais reconhecido, e que deveria estar no primeiro lugar desta lista. No mais, apenas digo que "Angelus" é a melhor música sobre ateísmo que eu já ouvi, até o momento em que escrevo.


9º Lugar: Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências - Cidadão Instigado

Tiago Abreu: O Cidadão Instigado, como projeto capitaneado por Fernando Catatau, chega com um dos melhores trabalhos do ano, com a devida justiça. Com uma sonoridade muito eclética, com influências do rock psicodélico, nota-se uma textura muito retrô nas composições, arranjos vocais e teclados utilizados, se repetindo em várias faixas. Uma curiosidade sobre a banda, especialmente aos cristãos que acessam o site: um de seus ex-integrantes, Amaury Fontenele, foi um dos melhores produtores musicais que já circulou pelo meio 'gospel'. Algumas de suas obras podem ser encontradas nas discografias de Fruto Sagrado, Brother Simion, Luciano Manga e outros.






8º Lugar: WARderley - U.D.R.

Tiago Abreu: Você pode estar achando que U.D.R. numa lista de melhores discos é uma piada. Mas não é. E preciso justificar: U.D.R. é uma das coisas mais geniais que surgiram na cena musical brasileira após os Raimundos. E não exagero: Essa galerinha cultuada como “inovadores” a exemplo de Cansei de ser Sexy, Bonde do Rolê, por mais que neguem, são influenciados pela U.D.R. E, meus caros, convenhamos, até pra fazer música ruim uma banda deve ser boa. É exatamente que vemos neste trio, formado por Professor Aquaplay, MS Barney e MC Carvão. As letras falam sim de anticristianismo, satanismo, transexualidade, zoofilia, coprofilia, benzina e uma série de temáticas politicamente incorretas, regadas a uma sonoridade criada, em grande parte, no Fruity Loops. Mas os versos são tão bem construídos, com uma sátira tão peculiar, que o fato de serem tão zoados soa incrível. Porém, é de imensa ingenuidade pensar que eles estão a simplesmente vomitar estes temas em seus ouvidos como uma brincadeira de mau gosto. Na música da U.D.R., há muito o que refletir acerca da violência e as condutas consideradas desviantes do nosso conceito confuso (e hipócrita) de normalidade. Os músicos sabem disso, pois possuem formação acadêmica na área de humanas. Enfim, há de se destacar a influência escrachada de Mano Brown (Racionais MC's) na longa "Avião Brutal do Scat", a homenagem a Rogério Skylab em “Você é Burro”,a paródia divertidíssima do Muse em "Rock and Roll Anticósmico da Morte" (quem mais seria capaz de fazer uma letra satânica em cima de um arranjo do Muse além da U.D.R.?) e “Clube Tião Caminhoneiro Hell”, com sua sonoridade contagiante. Enfim, o disco é um recheado de clássicos, como "O Cais", "Gigolô Autodidata", "Dança do Bukkake" e "Som de Natal", mostrando que a banda era realmente forte, como mostraram no disco Jamo Brazilian Voodoo Macumba Kung Fu... São 66 faixas (sim, várias delas com 6 segundos de duração). Sinceramente, se você ouve U.D.R. e se sente ofendido, é justamente pessoas como você que a banda quer criticar. 

7º Lugar: Casa dos Espelhos – Rosa de Saron

Tiago Abreu: O Rosa de Saron, com a entrada de Guilherme de Sá, sofreu uma evolução constante. Casa dos Espelhos é o registro deste gradual amadurecimento, embora eu, particularmente, ache que não é suficiente para figurar uma lista de melhores álbuns do ano (mas convenhamos, 2005 foi um ano tão ruim que nem soa absurdo esta obra aqui, em relação a outros discos que vocês verão dentre os primeiros). O trabalho é introspectivo, musicalmente suave, o que se espera de um trabalho do Rosa de Saron. No entanto, creio que a produção musical deixa a desejar. O timbre da bateria também não é lá dos melhores, e os graves tem pouca evidência.

Jhonata Fernandes: A mudança de estilo da banda Rosa de Saron não foi motivo para deixar os fãs chateados ou começarem a atirar pedras na banda. Muito pelo contrário: a banda que outrora (com o Marcelo Machado nos vocais) era considerada do estilo heavy metal, passou a ser alternativa e mais pop-rock em sua sonoridade com a entrada do Guilherme de Sá nos vocais, o que agradou muita gente. Eu sou (muito) suspeito em falar desse disco porque marcou boa parte da minha transição de adolescente para adulto e, considero este um dos melhores discos da banda (o 5º melhor pra ser mais específico). Músicas como "Sem Você", "As dores do silêncio", "Amor Sincero" e "Lembranças", são um dos principais hits da banda. Uma curiosidade sobre este disco: ele iria se chamar "Além do meu jardim" que é uma das faixas do álbum, mas como a banda Oficina G3 lançou no mesmo ano o "Além do que os olhos podem ver", a banda achou melhor desistir do título para não dá a impressão de que houve plágio de uma outra banda cristã. 

6º Lugar: Hoje - Os Paralamas do Sucesso
Tiago Abreu: Das bandas do rock nacional, a única que realmente não deixou a peteca cair, e seguiu uma regularidade na qualidade de seus discos foi Os Paralamas do Sucesso. O Titãs enfraqueceu-se muito desde Domingo (1995), Legião Urbana acabou, Capital Inicial virou uma piada, Raimundos perdeu seu mentor, enfim, uma série de fatalidades. Hoje é um disco cujas composições surgiram após o acidente de Herbert Vianna, mas mesmo assim não é musicalmente mórbido. Algumas letras, sim, são autobiográficas, e te fazem pensar sobre questões básicas da vida, como o poder de andar. Os arranjos de metais estão mais presentes, ao contrário do disco anterior, mais cru. 

Estevão Rockfeller: Ótima banda, não ouvi por completo mas o que ouvi me agradou.

5º Lugar: Livre para Voar – Chimarruts

Tiago Abreu: O disco do Chimarruts é uma fusão agradável de reggae e pop, trazendo todas as temáticas recorrentes do reggae: as raízes (“Roots Rock”), a crença em Jah (“Eu Tenho Fé”, “Jah Jamais Permitirá”) e a nateureza (“Lua Nova”). Livre para Viajar é aquele trabalho que apresenta exatamente o que se espera ao falar de reggae, e foi um trabalho razoável num ano bastante fraco de lançamentos.

Jhonata Fernandes: Livre para Voar me pegou de surpresa. Eu conhecia algumas músicas do grupo mas não sabia que iria me esbarrar com elas exatamente nesse álbum. Ouvindo enquanto discutia algumas ideias com os amigos, percebi que a banda é realmente boa no que se propõe fazer. Foi com certeza um dos melhores lançamentos do ano de 2005. Como uma banda underground, o Chimarruts representa e bem a cena. Destaco a bela canção "Versos Simples" que tem uma relação amena com uma fase da minha vida (que não teve nada a ver com namoro).

Estevão Rockfeller: Armaria, muito ruim!

4º Lugar: Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3

Tiago Abreu: Das bandas do mainstream, tirando Os Paralamas do Sucesso, Além do que os Olhos Podem Ver, da Oficina G3, é o único registro verdadeiramente honesto e que não é uma baixa (ou média) na carreira de um grupo. Considero como o segundo melhor disco da banda, perdendo apenas para o antológico Indiferença. Na verdade, a entrada de PG foi muito mal vista por parte do público, e o álbum O Tempoque é um trabalho bom, em sua proposta, e coeso – foi incompreendido, apesar das altas vendas. A sequência não foi tão boa assim, e lançaram Humanos, um disco com influências do new metal, pouco convincente, cheio de vícios, modismos da época, e um repertório inconsistente. Com a saída de PG, o trio remanescente acordou do comodismo e produziu um disco muito mais sério e "original". Com influências do metal progressivo, o disco é marcado pelo entrosamento entre Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos, acompanhados por Lufe e, em alguns momentos, Déio Tambasco. Afram surpreende nos vocais, e em momento algum nos deixa com saudade do ex-vocalista. As letras tratam da hipocrisia cristã, sem cair nos clichês antigos, com reflexões articuladas de forma mais trabalhada, sem muita religiosidade. Destaque para os contratempos cavernosos de "Réu ou Juiz", a letra de "A Lição" e a pegada 'bluezística' de "O Fim é só o Começo". Continuo considerando esse, Indiferença e Elektracustika, os melhores discos do Oficina, superiores ao superestimado e, em alguns momentos, chato, Depois da Guerra.

Jhonata Fernandes: Talvez esse seja o único disco dessa lista que eu discordo severamente de estar nessa posição. Para ser mais claro, considero o "Além do que os Olhos Podem Ver" um bom álbum, mas muito pior que "Hoje" dos Paralamas e "Casa dos Espelhos" do Rosa. Eu também não entendo a pressão louvadora que as pessoas colocam em cima desse trabalho pois, pra mim, ele continua sendo um Oficina forçado tentando fazer rock pesado além do que consegue [o nome desse álbum poderia ser perfeitamente "Além do que o Oficina consegue ser"]. Mas, nem tudo são pedras: o disco realmente é bom ao nível da banda e a situação em que os integrantes estavam. É um rock pra curtir, refletir e acreditem, dançar. 

3º Lugar: 4 - Los Hermanos

Tiago Abreu: O Los Hermanos é uma banda estranha: eles são superestimados e subestimados ao mesmo tempo. Superestimados, quando me refiro aos insuportáveis fãs e pseudointelectuais que acham o quarteto a coisa mais interessante surgida nas últimas décadas de nossa música, e subestimada para os que têm "Anna Júlia" como a melhor coisa que produziram. Entre os dois extremos, eu fico no centro, e vejo a música deste grupo como algo bastante normal. Há coisas que gosto e coisas que eu não gosto. E 4, definitivamente, está no segundo grupo. Este disco é simplesmente a justificativa para todo o argumento de pedantismo que pode ser atribuído aos Los Hermanos. Com canções dormentes, conduzidas de forma moribunda, só se salva exatamente pelas duas primeiras faixas, "Dois Barcos" e "Primeiro Andar". O restante é simplesmente enrolação da dupla Camelo e Amarante, que não conduziram o bom trabalho feito na maior parte das músicas do anterior, e relativamente agradável, Ventura. Vale lembrar que Amarante sempre foi o ponto de equilíbrio das idiossincrasias de Camelo, mas neste disco, ele simplesmente se jogou no buraco, juntamente com Marcelo Camelo.

Jhonata Fernandes: Começo dizendo que 4 é um disco pra fã. Quem acompanhou (e acompanha) o grupo, sabe das suas constantes mudanças de estilo e trabalhos as vezes bem estranhos. Eu estou na classe de fãs que já se apaixonaram por algumas músicas e inclusive pelo disco Ventura (que foi um dos melhores que ouvi no ano de 2014). Tenho amigo que não engolem, ou, não conseguem sacar a intenção do simplista 4. Dou crédito a todas as músicas mas enfatizo "Dois Barcos" "Primeiro Andar" que são as melhores do trabalho.

Estevão Rockfeller: Dá vontade de se matar, mas é um trabalho bem feito. Mas continuo preferindo o Ventura.

2º Lugar: Anacrônico – Pitty

Tiago Abreu: É engraçado que os discos que eu dei menor nota estão dentre os primeiros (risos). Ela já é uma personalidade que ganhou a graça do público, e sempre tem seus clipes dentre os mais assistidos dentre todos os artistas de rock nacionais. E Pitty faz sucesso justamente porque a sua música é a mais básica e comum possível. Se você ouve um disco dela procurando letras interessantes e uma sonoridade intrigante, você não vai achar. E isso é relativamente decepcionante. Como se fosse uma versão do Foo Fighters brazuca (eu sei que a comparação é meio nonsense), é aquele tipo de música que te envolve momentaneamente, mas rapidamente você se esquece.

Jhonata Fernandes: Sobre o Anacrônico eu fico em cima do muro: ao mesmo tempo em que ele foi um bom lançamento brazuca da época, ele não foi melhor que muitos que nessa lista estão atrás dele. É perceptível a influência do grunge por parte da extensão vocal da cantora pois várias vezes ele tenta dá uns gritos (desnecessários) e tentar transparecer que suas letras são fortes o bastante para o estilo (nível Nirvana). No "Admirável Chip Novo" a banda meio crua ainda consegue pôr um pouco de sua cara e emplaca hits como "Teto de Vidro", "Admirável Chip Novo", "Máscara" e a romântica "Equalize". No Anacrônico, percebo que a banda quis experimentar algo mais punk, porém, de uma maneira errada: tentando usar letra fortes ao invés do instrumental pesado. A faixa homônima me deixou a desejar e "De Você" foi uma mostra do que seria Pitty nos próximos anos. Destaco "Na sua estante" (porque foi a música que me fez gostar da banda) e "Déjà Vú".

Estevão Rockfeller: Nunca fui fã da Pitty, mas este álbum não é ruim, ganharam pontos comigo.


1º Lugar: Imunidade Musical - Charlie Brown Jr.

Tiago Abreu: Quando você vê Charlie Brown Jr. dentre os dez melhores álbuns do ano (pior, em 1º lugar!), é sinal de que há algo realmente errado na nossa cena musical. As composições de Chorão & Cia. são tão infantis quanto a de um pré-adolescente de onze anos, a sonoridade, clichê quanto o estilo pede, é o que agrada a galera e justifica o primeiro lugar. Acho que o maior ultraje deste disco é a regravação infame de “Pra não Dizer que não Falei das Flores”. Ouvir a banda a regravar este clássico é tão bizarro caso o Slayer decidisse fazer um cover de “YMCA”. Desculpe fãs do grupo, mas todo culto que envolve sua obra pra mim não faz sentido.

Jhonata Fernandes: Como o Chorão nos disse nesse mesmo álbum: "falem bem, falem mal mas falem de mim" (música: É Quente), qualquer crítica a esse disco é válida. Até mesmo a minha mãe que não entende nada de música, falasse algo sobre o Imunidade Musical, estará tudo em paz. Mas há muita coisa boa nessa disco. Gente, já ouviram falar de GUITARRAS? Esse disco contém GUITARRAS. Eu disse e repito mais uma vez sem desligar o CapsLock: GUITARRAS! As 23 faixas não deixa o álbum enjoento, muito pelo contrário, deixa ele proporcional. Letras que falam bem com o público-alvo considerando que quase todas as músicas escritas pelo Chorão foram feitas quando o cantor estava lombrado, são canções que contém verdades e ideias claras. Ela Vai Voltar (Todos os Defeitos de Uma Mulher Perfeita) conquistou a galera. "O Mundo Explodiu Lá Fora" é uma das minhas favoritas e, pra um cara que só estudou até a 7ª série do fundamental, o Chorão foi um verdadeiro poeta das ruas. "Senhor do Tempo" suaviza o disco e "Dias de Luta, Dias de Glória" virou música-referência para quem não conhece o trabalho da banda.

Estevão Rockfeller: Longe de ser o melhor deles, mas me agradou bastante.

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