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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Salvem o Humbug! Ou: crescendo com a banda que se ouviu desde a primeira demo de álbum

Não é segredo pra ninguém que Arctic Monkeys caiu na boca (e nos ouvidos) de todo mundo. As 'molieres' só não jogam a calcinha no palco, no melhor estilo Wando, porque... sei lá, porque o palco é muito alto e distante? Hehe. Enfim. Eles não são uma banda romântica, apesar dessa temática ser corriqueira nas canções. Mas são uma banda que virou "modinha" (fama, né?) mas que pra mim tem ainda um certo valor. E por que não teria? Porque eu sou um cara meio (ou mais que meio) underground, um tanto indie. E, se uma banda dita indie alcança o mainstream, deixou de ser indie faz tempo.

Frescurinhas de indies e undergrounds à parte (porque eu amo mainstream também), a banda foi quem me surpreendeu quando eu era adolescente e só fazia tocar (e mal) bateria, porque eles eram também novos e já corriam o mundo. Foi quem me chamou atenção, depois, pra guitarra elétrica e pro rock indie quando eu ainda tocava só um violãozinho, de leve, e nem tinha muita pretensão nas 6 cordas. Foi quem me avivou a chama da música, a vontade de sair e fazer música. Apesar de todas as bandas que eu escutei na vida, na minha adolescência apenas Arctic Monkeys, Linkin ParkFall Out BoyGreen Day me deram vontade de ter uma banda, pra viver seriamente de música.

Um resumo simples do começo deles: a banda é de amigos de infância e todos estudaram juntos. Então começam a fazer shows locais, distribuem demos -- e um desses demos deles veio de um amigo lá do UK parar em minha mão -- e constroem uma base de fãs local bem fiel e insistente em espalhar sua música. Detalhe que eles tiveram até ajudinha da mídia, mas nem tanta. Quer dizer, estávamos no final da era rádio FM, ela ainda ajudava muita banda, coisa que não acontece mais hoje. Mas eles dependeram mesmo da internet. Os fãs deles é que divulgavam as músicas, pegavam as demos e mandavam uns pros outros. Daí, pro deleite dessa galera toda, lançam CDs single que vendem milhares de CDs. Depois lançam um CD que vendeu 300.000 mil cópias em uma semana. Aos 19 anos de idade.

Quem não queria ser esses caras?

Bem, a treta mesmo vem agora. Os fãs, ex-fãs, e talvez os ouvintes ocasionais, vão entender onde eu quero chegar. 2 primeiros álbuns, "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" e "Favourite Worst Nightmare", pura explosão hormonal adolescente, letras festivas e engraçadas até, mas poucas sendo reflexivas de fato. Por mais que todo mundo cante tudo nos shows, é mais por nostalgia. 505 tem um significado forte, já o citei em outro post aqui no blog, também If You Were There, Beware, Do Me a Favour, umas poucas, mas a maioria das canções tinha mais um tom de diversão. Isso vendia e vende pra caramba. Eu, adolescente, cabeça-de-vento, ouvia e amava aquilo. E até hoje eu ouço e me divirto. Eles, não mais adolescentes, rodaram países, festivais (Glastonbury 2007 é mitológica), programas de TV, gravaram DVD, todos os clipes eram muito pedidos na MTV (me lembro como se fosse hoje, na estreia deles na MTV Brasil, alguma VJ zoando eles por serem novos e cheios de espinha na cara) e as músicas muito pedidas na rádio, etc etc etc. Parecia a vida de fã mais perfeita imaginável.

Daí veio um baque, pra mim e muita gente. Um álbum que, até onde sei, só fã mesmo da banda é que curte. O Humbug. Vocais totalmente diferentes, sonoridade mais dark e lenta, teclado (teclado! ‪#‎comoassim‬) numa música... em duas, três, quatro... não acreditei. Pensei (sério), "Alex saiu da banda? O que esse cara tá fazendo com a Gibson do Jamie? E é outro batera? Cadê o 'Agile Beast'?"... letras diferentes, fortes, significativas. Tudo diferente. Parecia outra banda. Lembro como se fosse hoje, eu e mais meio mundo de gente discutindo sobre o álbum e o futuro da banda nas comunidades do (finado) Orkut sobre Indie Rock e Arctic Monkeys.

Acontece que os garotos cresceram e eu queria minha banda preferida (preferida até aquele momento, hoje o conceito de "preferido" pra mim virou variável) pra sempre como os outros álbuns. Ah... eu é que tinha que fazer meu vocabulário musical crescer. Eu não era maduro musicalmente. Demorei bastante a ser, e o Humbug foi crucial para isso. Mas eu não sabia como e nem quando isso ia acontecer, enquanto vivia aquela fase de "não aceito que uma de minhas bandas favoritas mudou tanto", já bastava o Linkin Park...
Capa do álbum "Humbug" da banda Arctic Monkeys lançado
em 2009

Daí um dia eu estava só em casa, fazendo *nada* e liguei na MTV (sempre ela). Arctic Monkeys ao vivo, em Valencia, liguei logo no começo. A primeira música era "Dance Little Liar" e eu achei mesmo que era outra banda. Os caras vestidos de sobretudo (só depois percebi que tava um super frio lá) e cabelo nos ombros. Nada a ver com os garotos de outrora (palavra bonita hein!). E bem pouco a ver com o estilo atual, que conhecemos hoje. Até a voz não era nem de garoto nem encorpada como agora... era uma voz suave. Passei 5 minutos custando a acreditar que aquela banda era Arctic Monkeys mesmo. 

Só acreditei quando emendaram Brianstorm logo em seguida. Com Brianstorm não tem erro.

Então, depois que o show acabou, percebi que eu tinha um caminho longo pela frente. Ouvi diversas vezes o Humbug e pouco a pouco fui me abrindo pra esse "novo" Arctic Monkeys. Por eu ser um fã de música ao vivo, fui procurar apresentações deles com canções do Humbug, e me acostumei mais, eles tocavam com mais energia, mais presença. A sensual My Propeller, a tranquilona Secret Door, a intimista Dance Little Liar, a energética Pretty Visitors, ah todas tão legais. Mas demorei, viu!

Foi só quando veio o outro álbum, Suck It And See (literalmente "pague pra ver") em 2011, e pegando a ideia das músicas "tão diferentes" ao vivo, que entendi onde diabos eles estavam querendo chegar. Mesmo assim, não escaparam de alfinetadas quando anunciaram o Suck It And See. Os fãs, ainda no Orkut, se perguntavam se a banda ia durar, pois no anúncio desse CD disseram que ia ser bem na linha do Humbug. E realmente se apresentaram menos na TV, a MTV Brasil caiu muito de 2008 pra frente, e a rádio FM hoje é bem meh!. Mas quando chegaram nos festivais eles botaram pra quebrar, o T In The Park 2011 por exemplo é muito aclamado pelos fãs. Todos ficaram de boa e a banda sumiu ali pelo fim de 2012...

...daí começou 2013, shows onde tocavam canções antigas como Mardy Bum, Old Yellow Bricks e minha xodó A Certain Romance, que eles costumavam finalizar os shows lá no comecinho, notícias de um novo álbum. BOOM! Veio o álbum A.M. e o show em Glastonbury 2013... esse festival é a casa deles, só pode. Esse show foi ainda mais mito que 2007 e a primeira faixa foi uma tal de... Do I Wanna Know, vocês conhecem? (hehe). Era a primeira execução dela ao vivo e eu en-doi-dei, se eu fosse mulher minha calcinha tava no chão, mesmo vendo via Youtube. (desculpem, garotas, foi só pra não perder a piada.) Os caras agora tem esse 5º CD e uma penca de músicas boas e amadas pelo público pra se desdobrar e encaixar um bom setlist, variado e bonito (como se eles não soubessem fazer um bom setlist). Mas daí se vê como o Humbug foi importante pra banda e pros verdadeiros fãs! Uma mudança de paradigma às vezes cai bem, hein!

Se por acaso você é daqueles que ouviu a banda no começo e depois desistiu de ouvi-los, ou se você é daqueles que conhece Arctic Monkeys agora nos últimos tempos por causa de R U Mine, Arabella, Do I Wanna Know? ou No. 1 Party Anthem... que tal tentar o Arctic Monkeys do meio? Deem uma chance!

Sim, isso é um grito de um audiófilo que prefere conhecer bandas por toda a sua discografia, e não apenas pelas melhores músicas, mas mais que isso, é um grito de alguém que ama e conhece uma banda desde o começo e, apesar dos reveses, continua sendo fã deles depois de tanto tempo -- no caso, 10 anos!

Vou dar uma ajudinha a vocês: Dance Little Liar (a exata versão que eu vi há anos atrás na MTV), Dangerous Animals e Pretty Visitors.


Dance Little Liar & Brianstorm


Dangerous Animals


Pretty Visitors


Até a próxima, galera.
Abraço forte, vlw, flw.

PS: o CD demo era o Beneath The Boardwalk (só descobri depois, meu amigo que vivia no UK trouxe apenas um CD qualquer gravado sem nome, só o nome da banda), fiz uma cópia pra mim no bom e velho (e lento) Nero e ouvia um bocado. Daí eu perdi esse disquinho numa mudança. :(

Massss... 1 mês de muita amargura depois, descobri que uma banda de Sheffield tinha estreado um clipe na MTV... e aí a história toda (re)começou.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Playlist: Rock Feels, This Song Hurts ou "aquele rock que dói na alma"

Opa!

Fala, galera. Phil na área! De volta às playlists, e relembrando aquele velho probleminha meu, em que costumo ouvir um álbum de cada vez e por inteiro, de um único artista, e playlists mistas raramente me encantam (e eu raramente acerto fazer uma), eu estou começando a mudar isso. Passei um tempo sem celular (e portanto sem controlar meu ambiente musical ~chateado~) e fui ouvir rádio FM. Argh! Nada que me agradasse. Fui então pra rádios virtuais: Deezer, MixRadio, Spotify... acabei me achando em algumas playlists e (re)encontrando novas e boas bandas pra se ouvir.

Menos papo mole e mais ação: hoje é dia de sofrer! Hehehe. Especialmente pra você que nasceu dos anos 90 pra cá e era ligado na MTV Brasil, estará mais acostumado às minhas opções de hoje. Essa playlist está disponível no meu Spotify (link no fim do artigo) e tem pra lá de 30 músicas, colocarei mais depois, mas não dá pra pôr todas no blog, então vão aí 10 músicas da categoria Rock Feels, ou como eu chamava antes: This Song Hurts (versão rock, pois dá pra achar música doída em qualquer ritmo). Nostalgia, depressão, saudades, tristeza, frio na barriga, essa playlist é pra mexer com nosso interior, sim senhor!

Vambora que eu já falei demais!

"I came here to rock, not to feel!
Now even my feels have feels!"


Começando com Nickelback - "Photograph". CARACA MALUCO, morri de nostalgia. Até lacrimejo quando paro pra falar dessa canção. Saudades de minha primeira casa, meu antigo bairro, minha escola, velhos amigos, velhos lugares... "I miss the town, I miss the faces" :'(




My Chemical Romance parece ser uma banda feita para ser dolorosa. Diversos clássicos como "Welcome to the Black Parade", "I'm Not Okay (I Promise)" e "Ghost of You" trazem um mar de melancolia rapidinho. Mas percebo que "Helena", mesmo sendo mais agitada, é a mais doída delas. Tanto pela temática (homenagem a Elena, falecida avó de Gerard Way, vocal da banda) como pela composição em si, e ainda a própria voz do cara. Seus clipes adicionam mais, sempre são temáticos e bem feitos (sugiro ver Ghost of You também). Enfim, morra pelos ouvidos (lol).



Fui buscar a próxima lá nos anos 90. Grunge é um negócio meio louco, sujo, sombrio e doloroso quase que por definição, mesmo que Pearl Jam não queira se identificar com esse gênero, mas nasceram lá em Seattle debaixo da mesma cena, então... Bem, "Jeremy" é um clááááássico! E um bem tenso. A letra deixa claro, o clipe assusta ainda mais, a história verídica por trás deixa nego triste rapidinho. E como essa é a intenção da playlist, lá vai Jeremy, "at home, drawing pictures of mountain tops - with him on the top".



2003, Blink-182 lança um álbum sem título (ou autoentitulado, que seja) e "I Miss You" é um dos singles. São uma banda de pop-punk (menos punk nesse álbum que nos anteriores) mas essa canção em particular é mais tranquila, pra dar uma quebrada no ritmo do álbum, e na letra há uma dorzinha que Mark Hoppus e Tom DeLonge traduzem muito bem na interpretação. "Will you come home and stop this pain tonight?"



Eu ainda me pergunto porque chamam (ou chamavam) Avril Lavigne de princesa do (pop?) punk, mas que ela é uma grande artista, não dá pra negar. "When You're Gone" cai direitinho na categoria "this song hurts". Um pouquinho pop demais pra meu gosto de roqueiro, mas deixemos passar, porque o coração já está fragilizado aqui, a letra não ajuda a melhorar e o clipe só piora a situação. Que dó do velhinho chorando pela esposa, cara! :'(



E o que dizer de Evanescence? Ah, "My Immortal" é clichê, nem vou falar, só vou ali ficar em posição fetal tentando não suar pelos olhos pela dor da composição, a nostalgia imensa da época que a canção saiu em clipe e... e... :'(




Os fãs que curtem Green Day desde muito tempo sabem que esse não foi lá o melhor álbum deles, mas é inegável que o American Idiot trouxe uma imensa visibilidade pra banda. De qualquer forma, amadurecer um pouco e amansar o punk louco, deixá-lo mais humano, é uma boa ideia. "Wake Me Up When September Ends" chega na temática de continuar a história do personagem do álbum, o clipe dá mais tensão com uma temática de exército (que sempre dói na alma: saber que se pode perder um ente querido em tragédia é uma bronca e tanto), mas aí vem uma triste dose de realidade: Billie Joe homenageia rapidamente o pai, morto por um câncer há (então) 20 anos, no mesmo ano que deu a primeira guitarra pra Billie. Mesmo sem saber disso, a canção já derruba, traz lembrança e saudade de uma penca de gente. "20 years has gone so fast..."



Arctic Monkeys hoje é clichê. Mainstream total. Mas em 2007, quando lançaram o Favourite Worst Nightmare (pros fãs de sempre é o melhor álbum, mas meu xodó é o Humbug) eram uma grande banda mas ainda com estigma de bandinha teen com muita energia e pouco foco e maturidade. Mas os garotos por algum motivo eram bons, e "505" mostra isso. Me parece ser "autobiográfica", pois reflete bem o músico viajante... "It seems like, once again, you have to greet me with goodbye". Dói saber que se quer passar mais tempo com quem se gosta mas não dá, chega nos lugares já dizendo tchau e tendo que ir embora... :'(




System Of A Down é uma banda verdadeira e crua demais pra parecer assim dolorosa. Ainda assim, deixaram um registo que toda vez que ouço me faz parar (inclusive me fez parar enquanto escrevia isso) e fazer um ar pensativo e preocupado. Sério. "Soldier Side", a última canção do último álbum, Hypnotize, cantada por Daron (principalmente) e Serj, traz (de novo) a dura realidade de soldados que vão quase sem esperança de voltar pra casa. Um clipe de um fã, com montagens de "300", aperta mais as glândulas lacrimais. :'(



Os dois primeiros álbuns do Linkin Park são aclamados como os melhores deles. Bem, eles cresceram e amadureceram, suas canções mudaram por isso, mas as (muitas) canções sobre as depressões adolescentes ainda estão na memória (e venderam mais, sorry), então vamos voltar a 2003 com o Meteora bombando em todo canto. Confesso que quis botar "Numb" aqui no post, por ser mais conhecida mesmo, mas deixo uma que é meio down mas nem tanto, pra ajudar a não deprimir além da conta: "From The Inside". Reconhecendo que está mal, que dói pra caramba, que parece que vai explodir tudo, que não há saída, mas gritando que não vai mais se desgastar e que vai jogar tudo de ruim embora! Yeah!



Oh, a propósito, a playlist do Spotify é essa: https://open.spotify.com/user/12184591847/playlist/1qn6IkxFQJj1WByuKF6bLC
Precisa ter conta, mas faz com o Facebook mesmo, o próprio Spot dá a opção e resolve rapidinho.

Um abraço forte a todos, e por favor prometam que não vão cortar os pulsos!
Falou.