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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Playlist: Garçom, liga o Jukebox aí por favor!


Opa!
Hoje é dia de Playlist.
Depois de eu ter ido ao show do A-ha, fiquei inspirado pra ouvir música antiga, e acabei reencontrando um canal no Youtube que é fantástico! Se chama Postmodern Jukebox e você pode conferi-lo aqui.

O PMJ (como também é chamado) é uma iniciativa de Scott Bradlee. Scott nasceu em 1981, se apaixonou pelo jazz ainda na adolescência e daí por diante seguiu descendo a mão nos pianos da vida. Chegou a dirigir alguns espetáculos off-Broadway, mas na busca por inspiração criativa, começou a brincar de reescrever música pop em temas antigos. Em 2012 saiu um vídeo importante, que dá início à nossa playlist e à carreira internetástica de Scott (com uma mãozinha do Reddit :D ). Não bastasse isso, Scott foi chamado pra colaborar na soundtrack de um certo jogo com quatro de seus covers de estilo vintage. Ah, quer saber qual jogo? BioShock Infinite. É mole?

Na verdade, você vai descobrir que mesmo se você não gosta de pop (como eu gosto bem pouco) agora vai ter uma desculpa pra gostar de tais canções... mesmo que numa versão diferente, rs. O fato é que é algo totalmente excelente, inovador e incrível e é melhor eu parar de falar e você começar a ouvir. Vamos lá?

Scott Bradlee's Postmodern Jukebox


Começando com o vídeo que podemos dizer que deu o start no Postmodern Jukebox. Scott já tinha subido outros vídeos antes desse (muito bons, por sinal) mas quando ele juntou um grupo de amigos musicistas pra fazer essa brincadeira, a zoeira acabou passando dos limites! Reescreveram How You Remind Me do Nickelback num estilo Motown. O resultado? Aqui embaixo. Gerou 1,5 milhão de views até o presente momento!

A Motown Tribute to Nickelback

A próxima é a canção que me fez descobrir o PMJ! Um abraço pra minha amiga Samile que postou isso algum dia no twitter, o que me fez rir não só porque era totalmente inusitado como também a cantora (Kate Davis, que não só canta maravilhosamente como ainda toca baixo -- aquele baixo clássico, grandão) é parecida com a própria Samile. Ah, pequeno detalhe: o vídeo alcançou 8 milhões de visualizações em 3 meses. Somente. Então, curte aí All About That Bass.

All About That [Upright] Bass feat. Kate Davis

O que eu acho mais incrível é que Scott e cia. LTDA fazem um trabalho tão legal que acontece até mesmo dos próprios autores originais recomendarem os covers dele. E, quem diria, a Lorde mandou pra galera que o cover de Royals favorito dela era justamente do PMJ. Fui ver... e quase tomei um susto quando um cara do tamanho de um guarda roupa vestido de palhaço entra em cena. Daí o cara abre a boca e meu queixo cai... que tal? O sujeito grandalhão é Michael Geiger que criou o personagem chamado Puddles, o palhaço triste com uma voz dourada. É simplesmente sensacional. Confere aí, vai.

Royals - "Sad Clown With the Golden Voice" version

Num outro vídeo entra em cena um garoto, Von Smith. Ele surgiu durante as audições do American Idol de 2009 mas foi eliminado nas semifinais do programa. Aos poucos o rapaz foi se apresentando aqui e ali, até abrir um show de Lady Gaga. Bem, o moleque foi chamado pelo Postmodern Jukebox para interpretar Rude, do Magic!, que todo mundo já ouviu. E daí eu fiquei pensando se na verdade a música era antiga e o Magic! fez uma reedição, porque ela realmente parece ter uma alma antiga...

Rude feat. Von Smith

Por falar em Lady Gaga, sobrou pra ela também! Mas aqui tem um detalhe interessante: além do vocal (lógico), chamaram Sarah Reich, que é sapateadora. Quando olhei a thumbnail do vídeo (a imagem do video que aparece na busca do youtube) achei esquisito, mas quando escutei parece que fez todo sentido, Bad Romance num estilo Ragtime Gatsby ficou incrível. Se liga!

Bad Romance feat. Ariana Savalas & Sarah Reich

Agora, peraí... quem nunca ouviu, dançou, curtiu ao som de Hey Ya! que me atire a primeira pedra -- a menos que tenha nascido a menos de 12 anos, então fica desobrigado rs. Na verdade, esse cover é totalmente diferente da original. Oooooh, claro, todos são. Mas eu quero dizer que a gente tá tão acostumado com o ritmo dance da original que eu particularmente estranhei o começo do cover, que é bem lento (convenhamos: agora você pode entender o que é cantado! haha!). Mas Sara Niemietz cantou com tanta alegria e o arranjo de Scott é tão belo que não tem como ouvir e não sorrir! Ouve aí essa reedição de um CRÁSSICO do Outkast.

Hey Ya! feat. Sara Niemietz

Esse é mais um que eu ouvi e fiquei em dúvida se a banda pela qual conhecemos a música não a pegou de outro artista antigo. Miche Braden honra a tradição melanina-power que eu tanto amo (e carrego na pele, haha) com aquela super voz que parece que só as marrons tem! Alcione que o diga... mas o fato é que Sweet Child O' Mine fica parecendo uma daquelas canções clássicas, tocadas nos antigos bares e cafés do sul dos Estados Unidos. Ê lasquera...

Sweet Child O' Mine feat. Miche Braden

O próximo é um que eu confesso que fiquei espantado (pra não dizer assustado). Na boa, eu me arrepiei todo. E eu não gosto de Britney Spears, exceto pra fazer piada. Cara, Haley Reinhart tem uma voz rasgada e aveludada ao mesmo tempo, canta de uma maneira sensual, não sei explicar. Não digo nada, apenas confira.

Oops!... I Did it Again feat. Haley Reinhart

Sobre a próxima canção, agora eu fiquei com uma dificuldade imensa de escolher a versão que eu mais gosto. Eu sou fã de Green Day, entenda-se que eu já escutei toda a discografia deles. Mas essa reedição com Maiya Skyes na voz tem tanto soul, tanta tristeza (que a música pede, na verdade) que Boulevard of Broken Dreams começa a fazer muito sentido nessa versão... sentido demais da conta :'(

Boulevard of Broken Dreams feat. Maiya Skyes

E Haley Reinhart ataca mais uma vez! Com uma voz tão sensual quanto a versão de Oops... I Did it Again! ela me transporta pro universo de Nova Orleans de novo. E com uma música que já foi feita por um cara altamente talentoso, mr. Jack White do White Stripes! Esse Scott Bradlee é o cara, eu só sei dizer isso, haha...

Seven Nation Army feat. Haley Reinhart

Confere lá no canal deles que tem muito mais coisa: Katy Perry, Imagine Dragons, Robin Thicke, Coolio, Beyoncé, Carly Jae Repsen, Radiohead, Rihanna, Taylor Swift, etc etc etc etc! Eles também estão disponíveis no iTunes se você quiser comprar alguma(s) música(s) deles.

Por último mas não menos importante: o Postmodern Jukebox está no Spotify já tem um tempo! Siga-o agora ou um piano vai cair na sua cabeça!

Abraço forte!
Vlw flw :)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Análise: CD "Continuum" - John Mayer

"First record, get 'em in.
Second record, make them think.
Third record... crush 'em."

2006. Surgia nas lojas um álbum todo cinza. As vendas do dito cujo cresciam vertiginosamente. As identificações com suas músicas também.

Primeiro álbum, atraia-os. Com o Room For Squares, John Mayer trouxe uma sonoridade pop rock bem chiclete, e não havia nada a fazer, a não ser curtir e ouvir mais e mais.
Segundo álbum, faça-os pensar. Com o Heavier Things, ele amadureceu musicalmente e principalmente liricamente, e acho que vocês viram o quanto eu fui prolixo tentando explicar o que eu pensava sobre as canções dele. Definitivamente me fez pensar, e muito, tanto que tem coisa que eu escrevi na postagem que eu já duvido se hoje penso assim. (até acho que devaneei demais da conta, me perdoem).
Terceiro álbum... esmague-os, acabe com eles. Justo... o terceiro álbum veio pra acabar com as almas de todo mundo, passar uma rasteira e finalizar com uma chave de ouvido pra ninguém mais aguentar e se entregar logo! Não à toa, o Continuum ainda hoje é o queridinho da galera. Os vocais levemente sussurrados enquanto cantados são bem firmes, mais controlados (e com menos ar, hehe) que nos álbuns anteriores, e a tradição R&B vem lado a lado com Soul e mais Blues. Fica parecendo que ele enganou todo mundo quando lá no início ficava no rock acústico, na zona de conforto do seu violão, pra chegar agora e botar uma bela duma bomba nos nossos ouvidos. Como se não bastasse, tivemos mais dois Grammy para o moço: dessa vez, Melhor Álbum Vocal de Pop para o Continuum e Melhor Performance Vocal Masculina de Pop para a canção "Waiting On The World To Change". (Ele não se cansa, né?)

Aos fãs de John Mayer, um pequeno alerta: não falarei (não agora) sobre o JM3. Por quê? Porque estou cobrindo os álbuns dele em carreira solo. Porém a todos é necessário dizer umas coisas. John Mayer Trio é importantíssimo pois através da parceria paralela com Steve Jordan e Pino Palladino, John pôde explorar outras sonoridades e evoluiu bastante musicalmente. Isso fica ainda mais notório ao vivo e chega ao ápice em 2007, mas esse ano fica pra depois, haha. O fato é que essa experiência serviu como escape do pop (e, portanto, do estigma de cantor romântico pop chiclete mainstream de canções como "Your Body Is a Wonderland" e "Daughters") e o rumo bem blueseiro cheio de atitude deve ter sido uma injeção de ânimo e inspiração pra John, de forma que chegou chegando no Continuum. O álbum, aliás, não tem nenhuma canção muito acelerada (contrastando de canções com clima aventureiro de "Try!" do JM3), fica bem tranquilo. E antes que eu esqueça: fandom do John, não me matem se discordarem de algo aqui, ok? :D

[Mas o que eu posso dizer aos fãs? "Got a brand new blues that I can't explain. Who did you think I was?" Aqui vocês entenderam, sim!]

É importante dizer que diversas outras parcerias também fizeram John evoluir bastante. A do JM3 produziu um grande material, mas entre 2004 e 2006 ele conheceu e conviveu com bastante gente importante dentro da música. Cantores, musicistas, produtores. Ele mudou bastante. Pra melhor! Falando de voz, o próprio John afirma em entrevistas que no Continuum ele encontrou sua voz definitiva. Dali para diante, ele utilizaria esta forma de cantar como base para sua carreira, e assim tem sido (na medida do possível, enquanto a idade passa pouquinho a pouquinho).

Bem, as sessões de gravação para o álbum ocorreram entre Novembro de 2005 a Setembro de 2006 no The Village Recorder, em Los Angeles, Califórnia; Avatar Studios e Right Track/Sound em Nova Iorque; e Royal Studios em Memphis, Tennessee. Steve Jordan e o próprio Mayer assinaram a produção. E é melhor eu parar aqui e começar a análise faixa a faixa, ou vou ficar só falando, falando, falando, sem chegar a lugar nenhum, enquanto devaneio mentalmente admirando o álbum. Let's go!


















À esquerda, a primeira capa do "Continuum". À direita, uma das capas alternativas.


Começando com "Waiting On The World To Change". Reflexiva e admirativa. O solo é baseado num lick de Jimi Hendrix, num tom diferente. Ela fala de ter esperança de vivermos um mundo melhor. É realmente muito bonita, mesmo pra quem não curte o estilo do John. E que tem um belo clipe, por sinal.
Em seguida, "I Don't Trust Myself (With Loving You)". Homens, podem incluir esta num encontro a dois. Mulheres, cuidado com os homens que escolherem essa canção. Haha. É apaixonante, diria até levemente sensual. Por outro lado, pode ter uma cara de dúvidas em um relacionamento quebrado, mas não acho que vá por aí.
"Belief" foi a primeira canção de John que ouvi (sabendo que era ele) e desde então é uma de minhas favoritas de todos os álbuns dele. Fala da guerra (perdida) que fazemos quando queremos impôr nossas convicções a outras pessoas. Observação social! É reflexiva, mas um tanto alegre. E a guitarra é crucial aqui, tanto o riff que acompanha a música quanto o solo bem marcante, pra mim tem um jeito meio Sting.
"Gravity" é uma canção importantíssima. Lançada em single, ela tem muito soul, e com isso me refiro tanto à influência do ritmo soul como o fato da canção ter bastante alma mesmo. O riff inicial é bastante tocante e marcante, assim como o solo. Pode parecer que em estúdio ela não é tão poderosa, mas ao vivo seu potencial vai longe. (Na verdade, John se transforma em outro bicho ao vivo, é absurdamente fantástico.) Ah, e temos Alicia Keys vocalizando no fim da música, coisa singela, mas bonita. Vai ouvir e esquece meu texto, hehe.
A propósito: "Just keep me where the light is" é trecho da canção e uma frase bastante tatuada por aí. Pode ser uma inspiração pra sua próxima (ou primeira) tatoo, que tal?
Adiante vem "Heart Of Life". Uma canção fofa, envolvente e restauradora quando se está com algum probleminha na vida. Boa pra enxugar lágrimas, levantar a cabeça e ver que a vida (ainda) é bela. Tranquilona, simples, guitarras e voz (e uns samplers no fundo), só. Pra que mais? ;)
"Vultures" foi gravada primeiro no "Try!", que como falei é álbum do John Mayer Trio (e ao vivo). Mas ele deu um tapa na composição e botou no Continuum. Os vocais aqui são bem marcantes, e novamente o riff de guitarra (atenção guitarristas intermediários, essa é bem fácil de tocar) prende a atenção, ditando o rumo da canção.
E aí vem a canção que é pra mim (e pra muitos outros) um hino de uma geração... seja qual geração for: "Stop This Train". Essa canção é universal, sobre crescer, amadurecer, muitas vezes inesperadamente. É o trem da vida, e da vida de cada um. Por isso serve pra qualquer geração. Se daria pra trazer uma citação pra cá (sendo a letra toda incrível!), pra mim seria esse trecho aqui: 

"So scared of getting older
I'm only good at being young
So I play the numbers game
To find a way to say that life has just begun"

Um momento, por favor. A próxima canção é parada dura. "Slow Dancing In A Burning Room" não é conhecida por ser o melhor não-single dele por acaso. (Talvez por culpa do Where The Light Is, que eu cito mais à frente, mas mesmo em estúdio ela é divinamente interpretada). A canção é dolorosa, descreve bem o fim de um relacionamento, mas John escreve de forma... lenta e dolorosa, rs. Quer dizer, posso estar enganado, mas a sensação que eu tenho é que ele dá detalhes sem avançar demais na história, como quem corta com uma faca querendo aproveitar cada centímetro da lâmina. Tristemente linda, mesmo dolorosa é uma canção bonita demais, muito aclamada (e chorada) pelas fãs. (Se vc mandar essa música como "presente" pra alguém que você gosta, vou te chamar de zé ruela eternamente, kkkk.)
E agora vou fazer um review de Jimi Hendrix. É que "Bold As Love" é do segundo álbum do gênio da guitarra, e Mayer faz um cover aqui. Belo cover, por sinal. Fazendo jus aos tempos psicodélicos, Hendrix faz um paralelo entre cores e sentimentos, nomeando sentimentos pra cada cor do arco-íris dentro de uma história. John não mexe demais na composição (ainda bem, porque isso seria heresia) e apenas dá uma cara diferente, muito boa. Falar de riffs e solos seria clichê já que estamos falando do maior guitar hero de todos os tempos, e de um super fã dele o interpretando. Atenção guitarristas, essa é uma grande pedida pra estudar, hein?
As próximas canções levam uma linha ainda mais melódica que as anteriores. "Dreaming With a Broken Heart" pode ser considerada melodramática, mas chega bem perto da expressão máxima da dor de um relacionamento quebrado - em muitos pedaços. Deitar e dormir com o coração partido, e ainda ter que acordar no outro dia e tentar viver normalmente. John se mostrou um letrista com bastante sensibilidade, e isso é admirável. Apesar disso, ainda não consigo vê-la sem achar que destoa das outras canções, não a curto tanto.
"In Repair" é realmente adorável, mas vejo pouco reconhecimento dado a ela, tanto quanto "Come Back To Bed" do álbum anterior. É tanto apreciativa quanto reflexiva, perfeita pros dias mais estressantes. Curto bastante o seu solo de guitarra! Essa segue a linha de mudança de vida de "Heart Of Life" de uma maneira diferente, mais pessoal, porém. Ele vai admitindo que está ruim e tem muito a fazer pra ficar bem, mas vai com calma. 

"Oh, está demorando demais!
Eu poderia estar errado. Eu poderia estar pronto.
Oh, mas se eu seguir o conselho do meu coração,
eu deveria assumir que ele ainda está instável.
Eu estou em conserto..."

Finalizando, temos uma maravilha do slow blues. "I'm Gonna Find Another You" foi baseada no mestre B. B. King (o solo já dá indícios, mas numa jam com Jools Holland ele fala de B. B. King e em seguida toca um trecho dessa canção)(a propósito, mr. King, um dos reis do blues: que Deus o tenha). É um fim de relacionamento de um ponto de vista interessante, é sobre achar um outro alguém pra chamar de "você". O alvo do artista. A musa inspiradora. O carinha que atrai suspiros. Aquele "você" das letras de canção, o "você" que se ama e se derrete todo, e que se dedica cada nota de um solo. "Você (aqui é ainda o antigo "você") pode ter suas razões, mas você nunca terá minhas rimas. Eu vou cantar meu caminho para longe da tristeza... eu vou encontrar outra 'você'." A Gibson L5 grita e esperneia ~com classe~ durante os licks e o solo. Finalizou com estilo, com presença, e com um futuro promissor: se você acha que o Continuum é incrível, espera só até ver o que John fez ao vivo um ano depois...

Bem, vou dar uma (grande) pista: a fera se chama Where The Light Is, tem completo no Youtube pra assistir (e no 4shared em mp3) e eu recomendo fortemente que você se jogue de vez assim que acabar de ler essa postagem (e logo após comentar aí embaixo, obrigado!).


  • Letras: 10
  • Produção: 10
  • Projeto Gráfico: 8
  • Interpretação: 9