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quarta-feira, 29 de julho de 2015

10 Melhores álbuns brazucas que comemoram uma década neste ano (2015)

O 1º semestre do ano de 2015 já passou e alguns lançamentos nos surpreenderam e outros ainda virão por aí. Mas o nosso blog teve a ideia de listar os 10 melhores álbuns brazucas lançados em 2005 que comemoram uma década neste ano. Confessamos que foi uma tarefa difícil e talvez alguns artistas tenham ficado de fora, mas esperamos ter colocado os mais importantes também. Foi feita uma seleção com os principais trabalhos lançados em 2005 e depois foi feita uma seletiva até ficarem os 10 melhores. Os críticos montaram a própria lista sendo que o 1º colocado de cada lista ganharia 10pts. e os demais iam ganhando 9, 8, 7 e assim seguindo a ordem até o 10º colocado, que ficaria apenas com 1pt. No final foi somado os pontos e montado o TOP10.

Nessa edição contamos com a participação especial do crítico Tiago Abreu, colunista e editor no Portal O Propagador que nos ajudou a escolher os 10 e comentar cada um deles. Logo abaixo estão os discos da 10ª a 1ª colocação e os comentários dos nossos blogueiros. Vamos a lista!

10º Lugar: Grandes Infiéis - Violins

Tiago Abreu: Este disco particularmente, me é um dos três melhores de 2005. A Violins é uma banda de Goiânia com mais de dez anos de carreira, vários discos lançados, e essas informações poderiam se confundir com o currículo de qualquer banda bem-sucedida no mercado (e mercado no sentido literal da palavra). Mas o fato de ser independente apenas abrilhanta sua posição, pois 2005 foi um ano terrível para a cena nacional. As composições da Violins são maduras, bem trabalhadas, tem letras muito complexas. Sua sonoridade não é fria e totalmente descompromissada, mas também não é quente comercialmente falando. Novamente, isso não é negativo, e apenas afasta os menos atentos a suas propostas. Certamente, é um grupo que deveria ser mais reconhecido, e que deveria estar no primeiro lugar desta lista. No mais, apenas digo que "Angelus" é a melhor música sobre ateísmo que eu já ouvi, até o momento em que escrevo.


9º Lugar: Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências - Cidadão Instigado

Tiago Abreu: O Cidadão Instigado, como projeto capitaneado por Fernando Catatau, chega com um dos melhores trabalhos do ano, com a devida justiça. Com uma sonoridade muito eclética, com influências do rock psicodélico, nota-se uma textura muito retrô nas composições, arranjos vocais e teclados utilizados, se repetindo em várias faixas. Uma curiosidade sobre a banda, especialmente aos cristãos que acessam o site: um de seus ex-integrantes, Amaury Fontenele, foi um dos melhores produtores musicais que já circulou pelo meio 'gospel'. Algumas de suas obras podem ser encontradas nas discografias de Fruto Sagrado, Brother Simion, Luciano Manga e outros.






8º Lugar: WARderley - U.D.R.

Tiago Abreu: Você pode estar achando que U.D.R. numa lista de melhores discos é uma piada. Mas não é. E preciso justificar: U.D.R. é uma das coisas mais geniais que surgiram na cena musical brasileira após os Raimundos. E não exagero: Essa galerinha cultuada como “inovadores” a exemplo de Cansei de ser Sexy, Bonde do Rolê, por mais que neguem, são influenciados pela U.D.R. E, meus caros, convenhamos, até pra fazer música ruim uma banda deve ser boa. É exatamente que vemos neste trio, formado por Professor Aquaplay, MS Barney e MC Carvão. As letras falam sim de anticristianismo, satanismo, transexualidade, zoofilia, coprofilia, benzina e uma série de temáticas politicamente incorretas, regadas a uma sonoridade criada, em grande parte, no Fruity Loops. Mas os versos são tão bem construídos, com uma sátira tão peculiar, que o fato de serem tão zoados soa incrível. Porém, é de imensa ingenuidade pensar que eles estão a simplesmente vomitar estes temas em seus ouvidos como uma brincadeira de mau gosto. Na música da U.D.R., há muito o que refletir acerca da violência e as condutas consideradas desviantes do nosso conceito confuso (e hipócrita) de normalidade. Os músicos sabem disso, pois possuem formação acadêmica na área de humanas. Enfim, há de se destacar a influência escrachada de Mano Brown (Racionais MC's) na longa "Avião Brutal do Scat", a homenagem a Rogério Skylab em “Você é Burro”,a paródia divertidíssima do Muse em "Rock and Roll Anticósmico da Morte" (quem mais seria capaz de fazer uma letra satânica em cima de um arranjo do Muse além da U.D.R.?) e “Clube Tião Caminhoneiro Hell”, com sua sonoridade contagiante. Enfim, o disco é um recheado de clássicos, como "O Cais", "Gigolô Autodidata", "Dança do Bukkake" e "Som de Natal", mostrando que a banda era realmente forte, como mostraram no disco Jamo Brazilian Voodoo Macumba Kung Fu... São 66 faixas (sim, várias delas com 6 segundos de duração). Sinceramente, se você ouve U.D.R. e se sente ofendido, é justamente pessoas como você que a banda quer criticar. 

7º Lugar: Casa dos Espelhos – Rosa de Saron

Tiago Abreu: O Rosa de Saron, com a entrada de Guilherme de Sá, sofreu uma evolução constante. Casa dos Espelhos é o registro deste gradual amadurecimento, embora eu, particularmente, ache que não é suficiente para figurar uma lista de melhores álbuns do ano (mas convenhamos, 2005 foi um ano tão ruim que nem soa absurdo esta obra aqui, em relação a outros discos que vocês verão dentre os primeiros). O trabalho é introspectivo, musicalmente suave, o que se espera de um trabalho do Rosa de Saron. No entanto, creio que a produção musical deixa a desejar. O timbre da bateria também não é lá dos melhores, e os graves tem pouca evidência.

Jhonata Fernandes: A mudança de estilo da banda Rosa de Saron não foi motivo para deixar os fãs chateados ou começarem a atirar pedras na banda. Muito pelo contrário: a banda que outrora (com o Marcelo Machado nos vocais) era considerada do estilo heavy metal, passou a ser alternativa e mais pop-rock em sua sonoridade com a entrada do Guilherme de Sá nos vocais, o que agradou muita gente. Eu sou (muito) suspeito em falar desse disco porque marcou boa parte da minha transição de adolescente para adulto e, considero este um dos melhores discos da banda (o 5º melhor pra ser mais específico). Músicas como "Sem Você", "As dores do silêncio", "Amor Sincero" e "Lembranças", são um dos principais hits da banda. Uma curiosidade sobre este disco: ele iria se chamar "Além do meu jardim" que é uma das faixas do álbum, mas como a banda Oficina G3 lançou no mesmo ano o "Além do que os olhos podem ver", a banda achou melhor desistir do título para não dá a impressão de que houve plágio de uma outra banda cristã. 

6º Lugar: Hoje - Os Paralamas do Sucesso
Tiago Abreu: Das bandas do rock nacional, a única que realmente não deixou a peteca cair, e seguiu uma regularidade na qualidade de seus discos foi Os Paralamas do Sucesso. O Titãs enfraqueceu-se muito desde Domingo (1995), Legião Urbana acabou, Capital Inicial virou uma piada, Raimundos perdeu seu mentor, enfim, uma série de fatalidades. Hoje é um disco cujas composições surgiram após o acidente de Herbert Vianna, mas mesmo assim não é musicalmente mórbido. Algumas letras, sim, são autobiográficas, e te fazem pensar sobre questões básicas da vida, como o poder de andar. Os arranjos de metais estão mais presentes, ao contrário do disco anterior, mais cru. 

Estevão Rockfeller: Ótima banda, não ouvi por completo mas o que ouvi me agradou.

5º Lugar: Livre para Voar – Chimarruts

Tiago Abreu: O disco do Chimarruts é uma fusão agradável de reggae e pop, trazendo todas as temáticas recorrentes do reggae: as raízes (“Roots Rock”), a crença em Jah (“Eu Tenho Fé”, “Jah Jamais Permitirá”) e a nateureza (“Lua Nova”). Livre para Viajar é aquele trabalho que apresenta exatamente o que se espera ao falar de reggae, e foi um trabalho razoável num ano bastante fraco de lançamentos.

Jhonata Fernandes: Livre para Voar me pegou de surpresa. Eu conhecia algumas músicas do grupo mas não sabia que iria me esbarrar com elas exatamente nesse álbum. Ouvindo enquanto discutia algumas ideias com os amigos, percebi que a banda é realmente boa no que se propõe fazer. Foi com certeza um dos melhores lançamentos do ano de 2005. Como uma banda underground, o Chimarruts representa e bem a cena. Destaco a bela canção "Versos Simples" que tem uma relação amena com uma fase da minha vida (que não teve nada a ver com namoro).

Estevão Rockfeller: Armaria, muito ruim!

4º Lugar: Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3

Tiago Abreu: Das bandas do mainstream, tirando Os Paralamas do Sucesso, Além do que os Olhos Podem Ver, da Oficina G3, é o único registro verdadeiramente honesto e que não é uma baixa (ou média) na carreira de um grupo. Considero como o segundo melhor disco da banda, perdendo apenas para o antológico Indiferença. Na verdade, a entrada de PG foi muito mal vista por parte do público, e o álbum O Tempoque é um trabalho bom, em sua proposta, e coeso – foi incompreendido, apesar das altas vendas. A sequência não foi tão boa assim, e lançaram Humanos, um disco com influências do new metal, pouco convincente, cheio de vícios, modismos da época, e um repertório inconsistente. Com a saída de PG, o trio remanescente acordou do comodismo e produziu um disco muito mais sério e "original". Com influências do metal progressivo, o disco é marcado pelo entrosamento entre Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos, acompanhados por Lufe e, em alguns momentos, Déio Tambasco. Afram surpreende nos vocais, e em momento algum nos deixa com saudade do ex-vocalista. As letras tratam da hipocrisia cristã, sem cair nos clichês antigos, com reflexões articuladas de forma mais trabalhada, sem muita religiosidade. Destaque para os contratempos cavernosos de "Réu ou Juiz", a letra de "A Lição" e a pegada 'bluezística' de "O Fim é só o Começo". Continuo considerando esse, Indiferença e Elektracustika, os melhores discos do Oficina, superiores ao superestimado e, em alguns momentos, chato, Depois da Guerra.

Jhonata Fernandes: Talvez esse seja o único disco dessa lista que eu discordo severamente de estar nessa posição. Para ser mais claro, considero o "Além do que os Olhos Podem Ver" um bom álbum, mas muito pior que "Hoje" dos Paralamas e "Casa dos Espelhos" do Rosa. Eu também não entendo a pressão louvadora que as pessoas colocam em cima desse trabalho pois, pra mim, ele continua sendo um Oficina forçado tentando fazer rock pesado além do que consegue [o nome desse álbum poderia ser perfeitamente "Além do que o Oficina consegue ser"]. Mas, nem tudo são pedras: o disco realmente é bom ao nível da banda e a situação em que os integrantes estavam. É um rock pra curtir, refletir e acreditem, dançar. 

3º Lugar: 4 - Los Hermanos

Tiago Abreu: O Los Hermanos é uma banda estranha: eles são superestimados e subestimados ao mesmo tempo. Superestimados, quando me refiro aos insuportáveis fãs e pseudointelectuais que acham o quarteto a coisa mais interessante surgida nas últimas décadas de nossa música, e subestimada para os que têm "Anna Júlia" como a melhor coisa que produziram. Entre os dois extremos, eu fico no centro, e vejo a música deste grupo como algo bastante normal. Há coisas que gosto e coisas que eu não gosto. E 4, definitivamente, está no segundo grupo. Este disco é simplesmente a justificativa para todo o argumento de pedantismo que pode ser atribuído aos Los Hermanos. Com canções dormentes, conduzidas de forma moribunda, só se salva exatamente pelas duas primeiras faixas, "Dois Barcos" e "Primeiro Andar". O restante é simplesmente enrolação da dupla Camelo e Amarante, que não conduziram o bom trabalho feito na maior parte das músicas do anterior, e relativamente agradável, Ventura. Vale lembrar que Amarante sempre foi o ponto de equilíbrio das idiossincrasias de Camelo, mas neste disco, ele simplesmente se jogou no buraco, juntamente com Marcelo Camelo.

Jhonata Fernandes: Começo dizendo que 4 é um disco pra fã. Quem acompanhou (e acompanha) o grupo, sabe das suas constantes mudanças de estilo e trabalhos as vezes bem estranhos. Eu estou na classe de fãs que já se apaixonaram por algumas músicas e inclusive pelo disco Ventura (que foi um dos melhores que ouvi no ano de 2014). Tenho amigo que não engolem, ou, não conseguem sacar a intenção do simplista 4. Dou crédito a todas as músicas mas enfatizo "Dois Barcos" "Primeiro Andar" que são as melhores do trabalho.

Estevão Rockfeller: Dá vontade de se matar, mas é um trabalho bem feito. Mas continuo preferindo o Ventura.

2º Lugar: Anacrônico – Pitty

Tiago Abreu: É engraçado que os discos que eu dei menor nota estão dentre os primeiros (risos). Ela já é uma personalidade que ganhou a graça do público, e sempre tem seus clipes dentre os mais assistidos dentre todos os artistas de rock nacionais. E Pitty faz sucesso justamente porque a sua música é a mais básica e comum possível. Se você ouve um disco dela procurando letras interessantes e uma sonoridade intrigante, você não vai achar. E isso é relativamente decepcionante. Como se fosse uma versão do Foo Fighters brazuca (eu sei que a comparação é meio nonsense), é aquele tipo de música que te envolve momentaneamente, mas rapidamente você se esquece.

Jhonata Fernandes: Sobre o Anacrônico eu fico em cima do muro: ao mesmo tempo em que ele foi um bom lançamento brazuca da época, ele não foi melhor que muitos que nessa lista estão atrás dele. É perceptível a influência do grunge por parte da extensão vocal da cantora pois várias vezes ele tenta dá uns gritos (desnecessários) e tentar transparecer que suas letras são fortes o bastante para o estilo (nível Nirvana). No "Admirável Chip Novo" a banda meio crua ainda consegue pôr um pouco de sua cara e emplaca hits como "Teto de Vidro", "Admirável Chip Novo", "Máscara" e a romântica "Equalize". No Anacrônico, percebo que a banda quis experimentar algo mais punk, porém, de uma maneira errada: tentando usar letra fortes ao invés do instrumental pesado. A faixa homônima me deixou a desejar e "De Você" foi uma mostra do que seria Pitty nos próximos anos. Destaco "Na sua estante" (porque foi a música que me fez gostar da banda) e "Déjà Vú".

Estevão Rockfeller: Nunca fui fã da Pitty, mas este álbum não é ruim, ganharam pontos comigo.


1º Lugar: Imunidade Musical - Charlie Brown Jr.

Tiago Abreu: Quando você vê Charlie Brown Jr. dentre os dez melhores álbuns do ano (pior, em 1º lugar!), é sinal de que há algo realmente errado na nossa cena musical. As composições de Chorão & Cia. são tão infantis quanto a de um pré-adolescente de onze anos, a sonoridade, clichê quanto o estilo pede, é o que agrada a galera e justifica o primeiro lugar. Acho que o maior ultraje deste disco é a regravação infame de “Pra não Dizer que não Falei das Flores”. Ouvir a banda a regravar este clássico é tão bizarro caso o Slayer decidisse fazer um cover de “YMCA”. Desculpe fãs do grupo, mas todo culto que envolve sua obra pra mim não faz sentido.

Jhonata Fernandes: Como o Chorão nos disse nesse mesmo álbum: "falem bem, falem mal mas falem de mim" (música: É Quente), qualquer crítica a esse disco é válida. Até mesmo a minha mãe que não entende nada de música, falasse algo sobre o Imunidade Musical, estará tudo em paz. Mas há muita coisa boa nessa disco. Gente, já ouviram falar de GUITARRAS? Esse disco contém GUITARRAS. Eu disse e repito mais uma vez sem desligar o CapsLock: GUITARRAS! As 23 faixas não deixa o álbum enjoento, muito pelo contrário, deixa ele proporcional. Letras que falam bem com o público-alvo considerando que quase todas as músicas escritas pelo Chorão foram feitas quando o cantor estava lombrado, são canções que contém verdades e ideias claras. Ela Vai Voltar (Todos os Defeitos de Uma Mulher Perfeita) conquistou a galera. "O Mundo Explodiu Lá Fora" é uma das minhas favoritas e, pra um cara que só estudou até a 7ª série do fundamental, o Chorão foi um verdadeiro poeta das ruas. "Senhor do Tempo" suaviza o disco e "Dias de Luta, Dias de Glória" virou música-referência para quem não conhece o trabalho da banda.

Estevão Rockfeller: Longe de ser o melhor deles, mas me agradou bastante.

Gostou? Concorda? Discorda? Comente!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Frenético

Um sobressalto. Acordo suado, mesmo com o ventilador de teto no máximo. O tempo é quente, mas há vento lá fora, as janelas estão abertas e o ventilador traz o refresco. Mas estou pingando de suor e meu corpo está tão aquecido como da última vez que estive contigo.
Eu tento esquecer o quanto posso. E até consegui. Há dias não pensei em você e só me dei conta disso antes de dormir ontem, porque fazia dias que eu não tinha aqueles 20 minutos diários de paranoia em me imaginar contigo, em projetar o futuro, em te abraçar e beijar ou em pelo menos tentar prever sua reação ao me olhar, e eu fico imaginando que você vai me querer, vai ficar surpresa ou pelo menos me admirar com um sorriso no rosto e o coração batendo forte.
"E eu sei que se eu tornar a me deitar não vou pegar no sono
nem tão cedo. Vou embolar bastante na cama..."
Ah... maldita hora em que imaginei. Nem lembro o que sonhei, mas deve ter sido um pesadelo aterrorizante ou um susto muito grande, do tipo que se cai de um precipício. E eu caí. Eu me joguei sem paraquedas no precipício de estar contigo e me esborrachei no chão. Mas sabe o que é o melhor, ou o pior (não sei, você decide)? É que eu não desisto! Eu me quebro todo, mas acabo voltando ao penhasco e me jogo mais uma vez. Você bem sabe como eu sou teimoso, vivo quebrando a cara, mas não desisto e enquanto subo ao penhasco as dores da cara quebrada vão aliviando, só pra eu cair e quebrar de novo! E eu tento muito, você não faz ideia, mas tento muito esquecer você, mas qualquer coisa que eu olho me lembra você! Um casal de velhinhos na rua, crianças brincando (lembra o dia que fomos andar no parque?), aquela floricultura ou aquele restaurante pequeno e aconchegante, as muitas canções que cantamos juntos, os shows e filmes que assistimos, e mesmo as brigas que tivemos. Isso tudo tá guardadinho e eu faço tanta questão de esquecer como faço de guardar em mim. E ainda as fotos e vídeos, os textos, a carta que você me mandou quando viajou! Caramba! Eu até hoje quero rasgá-la com o maior gosto, mas quando seguro-a nas mãos, toda a fúria se dissipa, eu dobro a carta e guardo de volta. E as fotos? Gravei uns 4 DVDs e ainda fiz backup na internet. E eu escondi os DVDs justamente pra não ter a mesma reação que tenho ao olhar para a bendita da carta.
Enfim, fui tomar uma água, mas por mais gelada que estivesse, desceu queimando e travando a garganta. Fui olhar a rua, na vista da varanda. Noite quente, porém ventilada, rua vazia, fracamente iluminada, sem um pé de gente nem som de carros ou de vizinhos fazendo festa. Fui olhar pro nada e tentar esvaziar a mente, pensar em qualquer coisa.
Não adianta. Eu poderia ligar a TV que esse efeito só duraria pouco tempo. Em breve as lembranças voltariam. Você se tornou meu maior sonho e meu pior pesadelo. E eu sei que se eu tornar a me deitar não vou pegar no sono nem tão cedo. Vou embolar bastante na cama, mas mais do que isso, por dentro eu estou me matando por te querer e querer esquecer e te querer mais e querer esquecer mais. Quanto mais eu tento mudar minha mente mais frenético eu fico, mais o meu interior explode, e por mais que eu lute pra aparentar que por dentro está tudo calmo e ok mais os pensamentos vão e vem! Estou enlouquecendo, creio até que enlouqueço de verdade, e sei que só se eu pegar no sono eu esquecerei, porque aí eu vou esquecer até de mim mesmo.
Mas não adianta.
Eu quero agora.
Eu quero você agora.


Muse - "Hysteria"

sábado, 24 de janeiro de 2015

Top 5: Melhores álbuns que ouvimos em 2014 (por Phil Santos)

Opa!
Dando continuidade à série, hoje é minha vez de mandar a lista dos 5 álbuns que me prenderam pelos ouvidos em 2014. Confesso que foi muito difícil terminar essa postagem, porque como disse em outro texto, eu escuto muita coisa. Então fica complicado filtrar tudo e conseguir estabelecer um Top, porque eu amo música do jeito que ela é!
2014 foi um ano de consolidar paixões clássicas. Ouvi muita coisa nova, mas principalmente reescutei amores antigos. Coisa que, quando pus de volta no player, fiquei pensando "mas por que diabos eu demorei tanto a voltar a escutar isso?". Mas ainda tive novidades nos meus ouvidos (e que entraram na lista), embora nada aqui tenha sido lançado em 2014 na verdade. Ainda preciso me atualizar com as novidades (o Jhonata já anda fazendo isso -- obrigado, jovem padawan!).

Enfim, sem mais delongas. Vamos ao top.

5º Lugar: "Are You Experienced" - The Jimi Hendrix Experience (1967)

Anos 60. Cultura diferente. Influências diferentes. Pessoas diferentes. Mundo diferente! A gente hoje é tão acostumado em HD, alta definição, alta qualidade, sem imperfeições, tudo tão redondinho e certinho. Se essa galera fosse ouvir Hendrix, iam perder a pureza dos ouvidos -- e a sanidade mental, tamanha arte que ele faz com a guitarra crua, distorcida, tão psicodélica quanto a juventude da época. Mesmo com qualidade de áudio bem sujinha - pô, são quase 50 anos! - a gravação é impecável. Mais uma vez vale a máxima de que a sonoridade é 90% das mãos do músico, e o resto é resto. Se bem que uma Fender Stratocaster dos anos 60 plugada num amplificador Marshall, bruto que nem um ogro, não era bem "resto", né?
Ok. Eu confesso. Sou o guitarrista mais fuleiro do mundo! Nunca fui de ouvir Hendrix. Nunca mesmo. Não que não curtisse, pelo contrário, seria uma senhora heresia. A questão é que eu nunca tinha dissecado, musicalmente, o canhoto. Mas, cara! Reunir Purple Haze, Hey Joe, May This Be Love, The Wind Cries Mary, Fire, Foxy Lady... olha esses clássicos atravessando gerações. Olha o impacto que causou e ainda hoje influencia tudo quanto é guitarrista. E olha que esse era só o álbum de estreia do cara.


Fire



Foxy Lady


4º Lugar: "Californication" - Red Hot Chili Peppers (1999)

Em 2014 eu me aproximei muito do John Frusciante, como pessoa e como musicista. E lógico, como guitarrista. Conhecer a história do cara, os perrengues, altos e baixos, a saída e o retorno triunfal ao RHCP e mais uma saída onde parece que não volta mais (mas tenho fé que volta). O cara chegou na banda como super fã de Hilel Slovak (outro gênio do RHCP, mas que morreu de overdose) para o substituir. Gravou o "Mother's Milk", quebrou a banca no "Blood Sugar Sex Magik", mas não soube lidar com a fama e caiu nas drogas. Saiu da banda. Ficou viciadão em cocaína, heroína e diversos outros, e quase morre (tem cicatrizes até hoje). Voltou como uma fênix!
Esse álbum tem muitas histórias nele, não pelas letras, mas pelas pessoas que se conectaram a ele, à banda, às circunstâncias de tudo. Foi meu primeiro rock (eu tinha 6 anos de idade e viajei LEGAAAAL quando começou a 1ª faixa, "Around the World", o baixo do Flea estourando tudo). Esse álbum soa pra mim como a redenção do John. Soa como o retorno do filho pródigo. Soa como a volta do amigo, do irmão, do cara mais querido da cidade. Soa como a banda voltando à sintonia, ou talvez alcançando uma sintonia jamais vista. Soa como um grande acerto musical, dado que agora o álbum tinha foco (como não foi o anterior, "One Hot Minute"). Uma boa dose de amor, amizade, cumplicidade, punk funk, riffs melódicos, solos envolventes, canções bem estruturadas, e mais amor. Eu demorei a entender isso tudo, mas agora que entendo, guardo esse álbum no coração. É realmente especial pra mim.
Fico com um sorriso no rosto quando penso ou escuto o álbum, e não está sendo diferente enquanto escrevo agora.


Around the World



This Velvet Glove (desculpe, eu tinha que pôr essa versão
ao vivo. No vídeo temos Josh Klinghoffer, amigo de
longa data da banda, e hoje atual guitarrista)


3º Lugar: "Rock In Rio" - Muse (2013) (não é propriamente um álbum, mas um registro do show)

A explicação pra esse item pode parecer confusa. Leiam com calma.
Bem, vocês não sabem o quanto eu simplesmente não suporto música de gêneros eletrônicos. Trance, House, Dance, sei lá que danado é isso. Mas até 2013 era beeeem pior, não era só com gêneros, mas também com bandas que tinham muita influência de eletrônicas. Eu abria exceções como Linkin Park, Black Eyed Peas (sdds Elephunk, sdds Monkey Business), Eminem, Chris Brown, umas (muitas) músicas pra Breakdance (eu era B-boy) e etc, e nem considero essas músicas como
eletrônicas, ou pra ser mais exato na descrição, música tipo balada. Mas exceção não é regra. E mesmo o Coldplay, do qual sou muito fã, me fez torcer o nariz no "Mylo Xyloto" e no "Viva La Vida" (e o "Ghost Love Stories" ferrou de vez).
O fato é que eu já falei aqui que amo festivais, mas nunca ouvi Muse porque eu sabia (será que sabia mesmo? Ha! Nada.) que eles caíam numa clássica categoria de bandas que soam bem rock ao vivo, mas em estúdio acabavam com meus ouvidos por inserirem diversos elementos eletrônicos (alguém aí disse Imagine Dragons?). Bateria eletrônica? Jesus, vou morrer pelos ouvidos. Aliás, o próprio Linkin Park no álbum "Hybrid Theory" tem muita eletrônica, mas é claramente rock, e do bom. Muse? Pffff. Vi o Rock In Rio já torcendo o nariz (mas salvei no PC) e não mudei de ideia.
Apenas quando o tempo passou, um dia eu assisti um vídeo que o cara citava a canção Hysteria, e de curioso fui ouvi-la... uau! Fui então atrás de mais coisa. Só me impressionava. Lembrei que tinha o Rock In Rio no PC e vim ouvir... queimei a língua! O trio inglês vem com tudo! Logo no início, aquele ritmo meio pesadinho e intimista de Supremacy, pra Matt Bellamy vir cantar o início do refrão com uma voz pra tenor clássico nenhum botar defeito. "You don't have long / I am onto you / The time, it has come to destroy / your supremacyyyyyyyyy..." haha! Isso sem falar na sequência do show: Supermassive Black Hole, Hysteria, Plug In Baby, e tantas outras canções que já se tornaram hinos para mim.
Ah! Leitor, me diz, na boa: por que eu demorei taaaanto a ouvir essa banda? De vez em quando, amadurecer é bom... e reconhecer o erro também. Creio que Muse nunca será tão eletrônica como Coldplay (sdds Parachutes, sdds X&Y) , o que me fará ser fã do trio por um booooom tempo. :)

Como os vídeos da banda no Rock In Rio foram gravados da plateia e, portanto, tem baixa qualidade, vou postar outras performances ao vivo, ok? (Por outro lado, teve a transmissão do Multishow e a galera de casa gravou e pôs nos torrents da vida, por isso tenho o show, mas não há vídeo isolado de uma ou outra música, que não seja dessa forma citada acima, da plateia... mas caso queiram o RIR completo falem comigo, ou procurem o DVD Live At Rome Olympic Stadium, pois nesse setlist eles basearam a turnê de 2013. Curtam aí!)


Supermassive Black Hole



Plug in Baby


2º Lugar: "Até eu Envelhecer (Ao Vivo)" - Resgate (2008)

Na verdade eu já conhecia o Resgate. Conheci em 2012, ouvi meio álbum, ok, esqueci. Mas nunca parei pra ouvir realmente. 2012 foi um ano muito conturbado. 2013, cansativo, enfadonho. Em 2014 joguei a toalha e Deus disse "Entendeu? Você não precisava ter entrado nessa luta. Deixa comigo".
O Oficina G3 é uma banda que teve grande parte na minha vida, principalmente no caminho da minha conversão até meu batismo e um pouco depois dele. O Resgate veio como um fortalecimento do céu. Um refrigério, uma bênção, um help.
Cara, eu fico totalmente agradecido por ver uma banda que sobreviveu ao tempo, às fases loucas do Gospel nacional, se sustentou musicalmente e liricamente, sem perder integrantes de forma polêmicazinha. Na verdade não perdeu nenhum (tá, Dudu Borges entrou em 2006 e saiu em 2012, mas foi uma fase diferente da banda). E claro, sem perder o rock 'n roll.  Mantiveram o bom humor, a imensa criatividade (fico de queixo caído com as letras, e não é pura fanboyzice), a coerência com as Escrituras e preservando sua identidade como pessoas, talvez até mudando pra melhor, como quando saíram da Renasc... hm, isso é outra história.
Bem, tal qual o Muse, esse álbum veio me dar um estalo do tempo que eu perdi sem ouvi-los. Sei que o Top 5 é de álbuns, mas no caso desses itens #3 e #2 o que rolou foi um álbum que me chamou a atenção pro trabalho todo da banda, não ficou só em um álbum, embora tanto o Rock In Rio pro Muse como o Até Eu Envelhecer - Ao Vivo pro Resgate tenham me marcado muito, são bem especiais pra mim agora. E uma diferença entre o #2 e o #3 é que não houve tanto amadurecimento musical com Resgate, porque é o rock que eu sempre curti, mas por outro lado eu consolidei minha opinião de que a banda é a #1 do rock cristão nacional, por ser um rock de primeiríssima qualidade. Na primeira vez que ouvi esse álbum, parecia que cada música falava a mim. "Sai que agora eu quero andar!", diz Meus Pés. Ou o clássico do Katsbarnea, Apocalipse Now, que eles puseram no show... ou Palavras, ou Perdido e o Sentido, ou Astronauta, ou O Médico e o Monstro (sim! Dr. Jekyll & Mr. Hyde). Ou... sei lá, todas, TODAS! Eita DVD bão, sô! :)))
Ainda hoje, eu me vejo sendo fortalecido por esses caras. Tipo... qual a escala que foi aquele solo daquela música? Sei lá. Até a hora que eu precisar tocar, pouco importa. Mas o que importa mesmo é que ao fim daquela música eu olho pro Alto e digo "obrigado... eu precisava disso!".


Meus Pés


O Meu Lugar


1º Lugar: "Heavier Things" + "Born & Raised" - John Mayer (são dois álbuns)

Bem, não quero dar muito spoiler, porque como estou fazendo as análises da discografia de John Mayer eu falarei de maneira bem completa dos dois. E como sou fã do cara, pode parecer altamente sugestivo eu tê-lo colocado em #1. Questão é que, como eu já falei, 2014 foi desistidor (existe isso?).
Esses dois álbuns pareceram tão mandados do céu quanto os do Resgate. Mas com uma diferença, Resgate aborda o espiritual, que é a visão de Deus sobre isso tudo. John trata do humano... sonhos, realizações, erros, faltas, dúvidas, apostas, certezas, mais erros. Um não é maior que o outro: espiritual e humano andam lado a lado. Mas esses álbuns me fizeram ver não só como eu estava como também a forma que muita gente ao meu lado se sentia.
Como minha amiga Consthânza me disse, o Heavier Things é um álbum cotidiano. Isso foi difícil de perceber. Como assim, cotidiano? Não conseguia achar o conceito. Não captava a conexão entre as canções. Me parecia apenas uma coletânea pop. Foi num típico dia meu de 2014, frustrado, cansado, ponho o álbum pra tocar... mais uma vez, o estalo... eu já sabia as letras, as melodias, mas agora os olhos abriram, os ouvidos entenderam, e tudo fez sentido, tudo se encaixou. Não sei explicar de forma resumida.
O que adianto é que minha rotina é muito enfadonha e não é nada fácil quebrá-la (finais de semana não resolvem), e só meus fones de ouvido e minhas raras leituras me servem de escape e esperança de dias melhores. O engraçado é que esse álbum te quebra todo, amassa, mói tua alma, te põe pra baixo, porque não é um álbum animador. É cotidiano, doloroso, repetitivo. E justamente por ser assim é que ele é tão esperançoso, seja eu olhando minha vida ou contemplando a dos outros. Acho que foi esse o estalo que me deu na hora. Canções como Wheel, Homelife, Clarity, Split Screen Sadness me fazem parar, literalmente.
John passou uns grandes perrengues na vida. Problemas com fama, relacionamentos, tabloides, declarações moralmente feias. Isso tudo atingiu o ápice entre 2010 e 2011. Ele então percebeu o que andou fazendo... se trancou (apenas durante o dia :D ) no Electric Lady Studios, começou a pensar, escrever, tocar, mas tomou um rumo totalmente não-pop dessa vez, e deveria dizer que esse álbum mereceu Grammy mais que qualquer outro... mas não era pop, nunca levaria nem indicação. Ah... não deveria ser popzinho, não dessa vez. Ele escolheu mudar. Nas letras, derramou o coração. Lavou a alma. Falou como homem, não mais o homem estereótipo, o bonitão das tapiocas ou o sortudo ou fracassado amoroso, mas como homem humano.
Cara, esse álbum mexeu demaaaais comigo. Me deu cada arrepio que Deus só não duvida porque Ele já sabia. Em particular, o ouvi bastante num período difícil dentro de casa e na faculdade. John parece conversar com você nesse álbum. Uma conversa em frente à lareira, durante um inverno, o homem que parecia inquebrável, inabalável, abre o coração. Aqui não houve estalo ou lâmpada acendendo: o álbum é direto, na lata, sem arrodeios nem loucas metáforas. Conversa de homem pra homem, o assunto é sério e o prazo é curto. Destaco aqui a faixa título, e ainda Whiskey, Whiskey, Whiskey If I Ever Get Around To Living, Queen Of California, A Face To Call Home, Walt Grace's Submarine Test e é melhor eu parar porque se não eu ponho o álbum inteiro.
Ah, o Electric Lady Studios foi criado pelo Jimi Hendrix. ;)

Novamente, como não quero dar spoilers (e já acho que dei demais), vou apenas pôr uma canção de cada álbum. ;)


Homelife (ou Home Life? já vi das duas formas)



Born & Raised

Ufa! Mais um post com o selo de qualidade Phil Santos, o prolixo. (Pra quem não sabe, prolixo é quem, digamos, usa 1kg pra falar 100g de conteúdo). Mas espero que tenham gostado. Não se limitem a este post, vão atrás dos álbuns, baixem -- ou se possível for, comprem, valorizem o trabalho do artista -- e escutem bastante, que estarei sempre disponível pra conversar sobre qualquer um desses álbuns e muitos mais além deles.

Forte abraço!
Valeu!