O que eu deveria fazer? Esconder e fingir que tá tudo bem? Certo, não sei fazer isso. Talvez eu seja aquele cara que esquece a chave em casa, o dinheiro no banco, o moleque que não quer ser homem. Sou mais eu quando estou com você, mas eu sei, tá cedo ainda né? E falando nisso, que horas são mesmo? Tá na hora de eu voltar para o meu Breaking Bad e acabar logo com essa ilusão de que com você vai ser diferente. Eu sei que sou muito pessimista e que eu deveria explicar melhor o que quero propor com esse texto porque o leitor não está entendendo nada. Mas eu sou assim mesmo, entende? Encho o texto de ponto de interrogações e depois termino como se não tivesse escrito nada. Vai entender não é?
"E eu percebo que quanto mais velho mais inseguro me torno"
Se fosse pra falar sério eu teria dado play na primeira música deprimente do meu computador e descarregado essas palavras em canções e não em crônicas pessimistas sobre relacionamentos. Preciso daquela coisa que as pessoas chamam de êxtase. E com o tempo eu entendi que todos tem, só não usam. Prefiram o extra, mas observe, êxtase e extra podem soar parecidos, mas são diferentes. Combinamos de nos encontrar certo? Pode até ser um encontro bacana mas eu sei que no final não vai dá em nada. Desculpa, mas eu sei. Já vivi isso. "Mas ela é diferente" - é o que minha mente diz. Mas eu já fui enganado por ela. Dizem que quando somos enganados uma vez, demora pra voltarmos a confiar. E eu sei também que as mensagens vão continuar chegando feito tiros complexos dados no escuro, mas o alvo é sempre a distração. "Pouco a pouco o coração vai perdendo a fé". É o que diz a música que mesmo cantada em outra língua, dá pra sacar a essência pessimista que é a paixão. E eu percebo que quanto mais velho mais inseguro me torno. É isso que a paixão faz com um ser humano: acaba. Nos mostra quão inúteis somos e incapazes de superarmos as próprias crises internas para transformar esse sentimento em algo mais sólido.
Sabe: é ter que sorrir pra não admitir que está carente. Enganar a si mesmo na frente dos amigos e na madrugada ouvir aquelas canções bad e imaginando o quão bom seria se ela tivesse do lado. Mais encontros vão acontecer, posso ter certeza disso, mas meus pensamentos vão estar sempre com a vibe suspeita pra não se apaixonar outra vez. E lembrei: a última vez que me senti assim foi com alguém que nem um encontro permitiu que tivéssemos. Droga! Agora eu vou desacreditar num encontro que, mais uma vez, eu mesmo marquei. Eu deveria enterrar minha cabeça no buraco mais próximo ou colocá-la no congelador da minha geladeira e esperar a morte? Sorte a minha de não ser normal. E "a gente nem ficou" e eu já estou com aquele frio(zinho) na barriga de "será que ela gostou de mim ou só fingiu?". Deveria acabar com isso e ir ler um pouco. As aulas começam em breve e eu aqui, trabalhando sem ganhar um real. Mas eu preciso disso: video-game, música e café com leite. É, eu sempre preciso de algo novo todos os dias. Enquanto isso eu vou me preocupando com os outros encontros que ainda não existe nem em minha mente (ham?). Talvez eu esteja apressando demais as coisas, mas sabe como é né? É paixão...
Talvez eu seja mesmo esse cara encalhado, carente e "na minha" como meus amigos dizem. Se eu vou ficar pra titio? Não, isso eu já sou. Mas talvez eu vá ser aquele cara chato que vai sempre acender vela para os casais mais próximo, se é que você me entende. O mais chato, tipo deprimente, nessa minha fantástica história é que eu sempre me dou mal. Faço planos, luto para conquistar a garota e no fim, sou recompensado com um "não te quero mais". Se é chato ter que lembrar disso? Sim e muito. Mas fazer o quê: isso é o que sou. Possa ser que confessando amenize a pena do meu pecado. Porém, o pior disso tudo não é nem meu estado vegetativo de carência, mas todas as minhas decisões erradas que me trouxeram até aqui. Terei que lembrar todas as vezes que for prometer algo pra alguém que, um dia prometi n's coisas pra uma pessoa e não cumpri. Pessoas inúteis só fazem promessas inúteis, mas quem confiou discorda de mim. Não tiro a razão dela pois eu também ficaria puto. Eu me conheço bem, sei que minhas falhas e minha pouca paciência são as piores assassinas de motivações amorosas. Sei que minha insegurança fala por si e divide sua vaga com o ciúme. Amadureci, tenho certeza disso, mas isso não é o suficiente para que eu afirme que estou pronto pra outra. Primeiro: eu preciso ter consciência do que estou fazendo e de como estou agindo. Obviamente que não tenho nenhum desses atributos necessários. Eu não sei lidar gente!
"O que eu preciso é de extras"
E aquela história lá de "quando eu tiver meu filho vou ensiná-lo a gostar de Switchfoot como eu"? É meio sem nexo né, já que eu ainda não encontrei a mãe do cujo. E cá entre nós, ninguém nunca sonha que terá um filho com uma gata e depois se separar dela. Bom, ao menos eu não. Quero que só a morte nos separe. Subo lá no Torre Eiffel se for preciso para jurar amor eterno. O que eu preciso é só de um "Era uma Vez" pra poder dizer 'Felizes para Sempre". Vai parecer careta, eu sei, mas eu sou daquele tipo de pessoa que acredita que existe uma pessoa para cada pessoa nesse cosmo, entende? Cadê a minha então? Não sei, talvez ela esteja lendo isso agora, ou não...
Enquanto os pontos não se ligam, eu vou escrevendo besteiras na madrugada e pensando nos casais que estão por aí se amando e falando besteiras. Vão me dizer que eu preciso sair mais, conhecer novas pessoas, fazer amizade e tal. Queridos, eu não estou me candidatando a presidente da República. O que eu preciso é de extras e esses extras podem estar bem do meu lado. Ou não, sei lá, talvez a massa esteja certa, eu preciso realmente "fazer amizades", mas eu sou meio bicho do mato entende? Tenho aquele complexo'zinho de me relacionar com seres humanos, que só em estar com meu cachorro, já me sinto seguro.
Eu sou essa falha: a falha de ser alguém que gosta de quem não gosta de mim. O conservadorismo de poeta melancólico é ser pessimista. Pessimismo sempre, entendeu? Eu sou essa falha que interliga impassibilidade com emoções. Sou a ponte pela qual você nunca irá passar. Eu não vou escrever um livro e nem vou fazer negócios no exterior, pois sou fraco por essência e tenho sérias dificuldades com idiomas diferentes. Causa e efeito: amar e sofrer. Eu sou essa falha que não contra argumenta. Que sofre calado e suporta o frio sem cobertor. Sou feito de lágrimas e me acabo sempre no último play. Estranho os outdoor's, estranho tua foto e até teus amigos mais íntimos. Mando cartas sempre para o meu sub-consciente dizendo que te quero e que te amo. Nós dois sabemos que o que nos faz ser parecidos, é o mesmo que nos diferencia. E eu já conclui que nunca vou te ter. Por mais que você não admita (é óbvio que você não vai admitir, até porque não quer me ver sofrer não é isso?), eu já sei que não vamos ficar juntos e que o seu lugar é bem distante daqui. Eu nunca vou te ter porque você só está dando um pequeno tempo até conhecer um cara melhor que eu e se jogar nos braços dele. Ele vai te mostrar que por mais que ele seja "o cara", jamais será capaz de te mostrar o que te mostrei, beijar como te beijei e te fazer feliz como eu seria se você tivesse optado ficar comigo.
Eu sou essa falha que é se apegar demais. E pior, sem nunca perceber que o meu apego era só carência e, essa é outra falha. Eu sou essa falha que te incomoda demais, escreve coisas atoas e sem sentido e vive pelos cantos sonhando acordado. Sou, sem sombra de dúvidas, aquele que roteirizou o nosso futuro de modo esplêndido, mas não sabe te conquistar no presente. Talvez as coisas realmente precisam ser assim: você aí e eu aqui. Quem sabe a gente entenda tudo isso depois não é mesmo? Daqui a, sei lá, 20 anos, vamos estar casados, com filhos lindos, formados e viajando a cada 15 dias a trabalho. Você e sua família na Disney e eu e minha família em Florença, ostentando felicidades. Mas isso também é só roteiro e, pode não ser o meu papel. Atuar e aturar essa personagem que é ser falha, não é fácil. Eu sou essa falha, que falha.
Eu sou essa falha que você chama de "cara legal"
Eu assisto teus passos e vejo que eles são lentos mas tua visão faz parecer que são quilômetros. Eu nunca vou te ter por esse motivo: você sempre vai estar a minha frente. Entendo que as vezes o melhor a fazer é não fazer nada. É sorrir pro nada e fingir que tá tudo bem. É relevar a omissão e sacar as armas que estão com balas vencidas. Eu sou essa falha, que não entende o outro e pensa ter o mundo nas mãos. Eu saio todos os dias a procura da minha outra metade pois viver sem ser par é singular, e isso é chato até para os autistas. Eu sei que não sou o melhor e isso nunca esteve nos meus planos, mas eu sou essa falha que pode se acertar. Queria ser alguém diferente ao menos uma vez e poder mandar todo mundo sentar, beber um suco de maracujá e reverem seus conceitos. Eu sou isso que você chama de "cara fofo". Perdoem a expressão mas isso é f**a! Eu sei, não posso falar palavrões. Mas eu sou essa falha que erra mesmo sabendo que não pode errar. Te ver todos os dias e não poder fazer nada é o mesmo que viver e não poder ser feliz. Se os dias demoram a passar, imagina as horas...
Eu sou essa falha que você chama de "cara legal". Sou o fruto de uma coisa só, a letra de uma tinta branca, o fracasso dessa perfeição, a singularidade do plural, o homem que te deseja. Eu sei, eu sou só falha. Eu assumo o meu pecado e me disponho a pagar. Pagar pela tua decisão de não me querer e pela minha burrice de viver te perseguindo. Vai ver se estou em Paris, passeando pela Rua dos Rejeitados escrevendo canções para os que não podem ter o que querem. Eu sou essa falha e por isso eu nunca vou te ter. Eu sou essa falha que é te procurar sabendo que irá se esconder. Eu sou essa... (desculpa!)
Visconde - Penny
"Aprendi com esse sonho sem sentido e sem explicação
Que a minha vida, não passa do roteiro sem a tua direção
Entre as trilhões de conversas que tenho com o meu bom-senso, a percepção de que ainda serei melhor do que sou é o papo que mais me agrada. Fico me remoendo perguntando porque ela insiste em falar comigo. Será que ela quer ver o tsunami mais próximo me levar até a morte aos poucos? - chove em Rio Branco. E agora me dei conta que depois de longas e longas datas, cai pingos de chuva significante na minha cidade. Nada casual, somente a nostalgia do "não tenho mais" que passou por aqui deixando sua mensagenzinha de trouxa. Sem ser rude, eu digo aos que estão lendo que aqui não há nada de interessante. Bom, a não ser que você seja um simpático solitário, beleza! Puxa a cadeira aí que eu vou servir um cafezinho pra nós.
Sabe aquela sensação de que você poderia estar bem mais feliz do que está? Pois é, é assim mesmo que esse honesto escritor se sente: buscando algo incerto. A incerteza é tudo numa imensidão de nada. Já ouviu isso? Se bem que esse café pode estar um pouquinho amargo né? Quer açúcar? Sinta-se a vontade! Então, a busca é constante e as forças são poucas. Lembro que ontem eu estava bem confiante. Bem, eu só me sinto confiante quando não penso no incerto. Me sinto vivo quando estou morrendo por dentro. Eu sei, eu sei, isso é papo de poeta solidário e paradoxo de gente burra. Mas pow, dá um desconto para a minha falta de compreensão dos fatos. País em crise, pessoas morrendo, guerras no oriente e eu aqui escrevendo bobagens. Mas quem que disse que a imperfeição sabe raciocinar? Somos átomos meu caro! Átomos de uma coisa só e mesmo assim matamos para ocupar um lugar que não é nosso. Átomos de uma infinidade de sonhos e mesmo assim tentamos negar essa realidade.
"Somos átomos meu caro!"
Mas, voltando para aquele assunto: ela volta e meia aparece por aqui. Diz que está cansada, que a vida está ruim e me pergunta como estou. Lógico que com aquele velho (des)interesse pela resposta. Me disse até que ia casar. O cara é boa pinta, trabalhador, ama ler Fernando Pessoa e está concluindo seu mestrado em COMO SER UM TREMENDO IDIOTA SENDO APENAS UM SER HUMANO. Ele é super gente boa!
Ela diz para as amigas que eu sou chato e nerd. Eu nem posso contra argumentar pois realmente sou chato e nerd, mas e daí? - ah, e já faz tempo que parou de chover em Rio Branco e já voltou aquele calorão insuportável. As amigas dela sabem muito bem quem sou e até já sorriram pra mim quando me viram na rua. Desculpa, nem perguntei se você quer mais café. Sou insistente e pontual. Nem gosto dela, se é isso que você ia me perguntar. Ela me parece ser do "povão" como diz um amigo meu que também é chato e nerd. Ela fuma e eu detesto mulheres que fumam. Um ponto positivo: ela assume o seu cabelo cacheado e eu sou fã de mulheres que assumem seus cachos. Eu sei, já faz tempo que estou enrolando aqui na tentativa de dizer algo útil e agradável e não vou direto ao ponto. Mas o lance é que eu não sei o que quero dizer e, provavelmente eu terei que ir embora sem dá resposta alguma. Mas me responda aí, o café estava bom?
É muito fácil deitar, ligar o notebook, abrir o editor e começar a digitar bobagens. Em outro momento seria só abrir o caderno, pegar a caneta e escrever. Mas quem disse que é fácil lembrar de cada dose de ansiedade? Saiba que em cada rascunho desse texto há um pouco de você, Há um pouco da tua beleza rara disfarçada de beleza externa. Eu sei, não é assim que se trata uma dama, mas eu nem quero aprender a disfarçar. O teu disfarce é só poeira e isto o vento leva. Entre as acústicas e as elétricas eu só procuro onde eu me perdi. Tem aquelas pessoas que me acham inteligente e outras dizem que tenho um futuro promissor, mas tu Larissa, o que dizes? Aah! Não é fácil me responder assim tão rápido né? Eu sei onde tu andas: vagando em minha memória numa rua perigosa chamada "nostalgia". Nem queria dormir cedo hoje, mas 3hs é um bom horário para descansar a mente e no outro dia, ou melhor, no mesmo dia, encarar que não te tenho aqui. Encarar essa realidade que é viver sem ser um par e, conformar-me com essas turvas letras. Engraçado né? Falando em nostalgia lembrei daquele dia em que eu fui obrigado a correr atrás do ônibus - coisa que nunca faço - só para não perder a hora de te ver. Pra você isso nem tem nexo e nem razão. E se eu te disser que foi tu Larissa que me fez desistir dos cursinhos e noções básicas de geometria? Iria acreditar? Foi tu que eu vi quando fechei os olhos na tentativa de não te lembrar em longas viagens de busão. Eu sou apenas um idiota, eu sei. Lembras quando te liguei de madrugada? Eu inventei uma história qualquer somente pra chamar tua atenção e te provar que eu realmente não conseguia dormir sem antes falar contigo. Escrevendo assim faz parecer que sou vítima e tu és a vilã não é? Mas olha bem: eu tô falando a tua língua. Ou você acha mesmo que eu vivo usando o "tu" na segunda pessoa?
São fragmentos de uma atuação fajuta cuja a plateia é você própria
Naquele dia no café da manhã, eu esperei você acordar pra dizer o que tinha sonhado na noite anterior, mas foi em vão. Você alegou que estava com dor de cabeça e não queria conversar. Pow, tu pensa que isso não machuca? E eu já nem sei se devo usar o "tu" ou o "você". No sonho tu eras tão bela e ingênua. Na vida real também só que menos sincera. Eu sei, é tudo clichê. Tudo esporádico e tudo é nada. Eu sei, eu sei, não precisa me interromper. Só peço que não me marque mais em suas fotos pois elas são reflexos de uma mentira duradoura. São fragmentos de uma atuação fajuta cuja a plateia é você própria. Eu peguei o caminho mais curto pra vir te encontrar e dizer que eu não vou mais tentar. Não vou mais te pedir pra ficar e nem te prometer um futuro excelente. Tu não mereces! Tuas guerras contra esse sentimento que é só meu não precisam mais acontecer. Eu me dou por vencido e meu castigo será limpar da memória teu nome, teu rosto e teus contatos. Esquecer tuas manias mais toscas e desejos mais pessoais. Amanhecer sem tuas mensagens de "bom dia amor" não vai ser tão fácil, mas meus amigos vão me ajudar enviando "acorda trouxa!". Alguém já te disse que o teu sorriso é só disfarce Larissa? Já te esbarraram no shopping e te ofereceram uma bebida? Qual mesmo a tua bebida favorita? Lembrei, gostas de suco de laranja né? Tua insensatez é só ironia. Mas eu te deixo ir e dessa vez não vou te chamar quando eu estiver sozinho. Só dessa vez eu vou lembrar que tu está longe e com outro alguém. Não espere pois não vou desejar que seja feliz e que tenha filhos lindos. Nem espere que eu vá para o seu casamento e, sobre a minha "despedida de namoro", ele acabou de acontecer com essas verdades sendo ditas. Se eu precisar te ver outra vez, te aviso antecipadamente para que tu tenhas tempo de planejar um imprevisto - ironia já que imprevistos ninguém planeja. Adeus, Larissa!
Nunca liguei para estatísticas por sempre achar isso muito chato. Chato não porque era incerto mas porque era incompleto. Quer um exemplo? Nunca me pararam na rua para perguntar alguma coisa sobre o atual governo, minha pobreza, etc. E não conheço ninguém também que já tenha sido perguntado. Cadê as estatísticas? Mais chato ainda é ter que lidar com essa monotonia. Coisas acontecendo o tempo todo e eu em off: Congelado no seco, estacionado no trânsito frenético, parado fora de gravidade e outras mil metáforas que você quiser usar. Entendo que não sou o único e nem o MELHOR DENTRE OS PIORES. Sou só isso que você ver e daí? Você queria o quê afinal? Um homem forte, bonito e capaz de persuadir qualquer mulher? A fama que fazem de mim é só isso: fama. Não sou assim.
Eu até que queria ter mandado mensagens para uma ou duas três garotas para dizer que estava sozinho e queria ficar com elas essa noite. Mas do que isso adiantaria? Continuaria tudo monótono: ela iria embora e talvez nunca mais voltasse. Seria só um adeus também entre muitos, certo, mas seria um adeus para mim e isso eu não aguentaria. Não aguentaria porque sou frágil e não sei lidar com despedidas.
Então me diga como você se sente Como é a sensação de ser como você? Eu acho que a boca deve ser calada Porque ela nunca diz a verdade Então me diga, então me diga por quê? Por que tem que ser assim? Por que as coisas não podem mudar nunca?
Eu recebi só o que eu de fato merecia e nem tem como eu tentar discutir com ninguém agora. Ela passeia sempre com seu shortinho lindo e cabelos enrolados (ela deveria saber que eu amo aqueles seus cachos), usando um batom de cor fraca, somente para dá um pouquinho de cor aos lábios. Eu a observo de longe, fico olhando e repito esses olhares muitas vezes. Até tento sorrir mas sou um desastre nisso - para mim o sorriso tem que ser espontâneo. Encaro ela por alguns minutos, que mais
"Eu não perdi nada, só deixei de ganhar e, isso é pior que perder!"
parecem horas, fico recitando Jon Foreman na mente e, esperando que ela corresponda meus compenetrantes olhares e sorria dando o indicativo de que também está afim, mas não. Nada acontece. "Oh, por que tem que ser assim?". Fico me perguntando se ela sabe algo de mim. Eu também não sei nada dela, mas sei que ela é linda e perfeita pra mim. Eu devia ir até lá? Isso me colocaria em uma estatística e no pior das hipóteses na lista dos CARAS QUE LEVARAM OS MAIORES FORAS DE GATAS DO MUNDO. Dane-se!
Eu soube disso a vida toda, por todas as minhas forças Há somente um acima que pode me julgar Tudo o que sou é seu (tudo o que eu sou é o seu), tudo o que sou é seu, (tudo o que eu sou é o seu) Eu sou seu!
Será que ela quer que eu grite que eu estou gostando dela? Ela não percebe meus sinais? Ah, já sei, ela não está afim né isso? Pior: ela tem namorado, né? DIIIIIIIIIIIIIIIIZZZZZ!!! Eu sempre fui um bobo solitário que acreditou em toda vida que já tinha tudo que precisava. Tudo é incerteza também. Acho que eu sou O PIOR DENTRE OS MELHORES e, quer saber? eu me orgulho disso. Fico aqui assistindo ela beber mais um gole de sua bebida transparente e conversar com a amiga gatinha. Eu não perdi nada, só deixei de ganhar e, isso é pior que perder!
Forgiveness this taste all, but poisons my mouth I scream but nothing, nothing will come out You've gone too far
Eu não lembro bem o dia que troquei alguma palavra com ela. Na verdade, não sei nem quando a vi pela primeira vez. Deve ter sido perto das férias de meio de ano, entre eventos, aulas enfadonhas e provas estressantes. Como eu nunca fui de muitos amigos, nem muito observador, e ela não era de minha turma, levou esse tempo mesmo. O que lembro exatamente foi um dia fazendo um som com um mano meu. Cara, eu toco violão bem mais ou menos, esse meu mano toca bem, mas talvez pelo alinhamento das estrelas ou por interferência dos aviões que passavam eu toquei até bem e ele nem deu show. Claro que juntou gente, sempre junta gente, os mano zoeiro, as maria-palheta da vida, os fãs de música boa, e os curiosos de sempre. E ela tava lá no meio das amigas e amigos. Toquei tentando não olhar pro lado dela, pra não dar bandeira, mas confesso que bateu aquele ciuminho instantâneo, pois tinha mais amigo que amiga perto dela.
Uma besteira né? Até parece que impressionar a garota com uma ou outra música interessa. Na real, se uma garota cair por mim porque toquei ou cantei algo, ou mandei um varial heelflip qualquer na pista ou um windmill no encerado, eu quero distância dela pra coisas mais sérias, até ela criar juízo e ver que a vida vai além de aparência. Se bem que quem me conhece e é realmente amigo não só ignora minha aparência mulambenta, como também descobre o cara casca grossa que sou, ou acho que sou. Esses eu respeito, conseguem encarar a fera de frente. Mas, eu não sei... ela, eu bati o olho e ela nem me viu de cara (ainda bem), mas eu fui fisgado. Ela nem fez nada. Ela apenas se destacou no meio da galera e eu acho que poderia encontrá-la facilmente no centro da cidade se eu subisse numa marquise pra olhar a multidão.
Droga. Tô lascado.
Outro dia eu a vi no refeitório conversando, cheguei pra almoçar, botei um fone de ouvido *desligado* e sentei na mesa do lado, olhando só pro prato, mas com o ouvido atento. Ela falava das séries e filmes, as amigas babando nos protagonistas bonitões, fortões, inteligentes, corajosos. Os livros, as histórias tão interessantes. Tão perfeitinhas. Eu nunca tinha lido aqueles livros, eu nunca quis ver aqueles filmes, nem acompanhei nenhuma daquelas séries.
Ela nem fez nada. Ela apenas se destacou no meio da galera...
Cara, eu me sinto um babaca. Quero dizer, não tenho nada a ver com essa garota. Que é que eu tô pensando? Sou mais o grafite, o break, o rock 'n roll e o skate. Ela curtindo o popzinho dela. O mundinho tão colorido, e eu no preto e branco, ela na salada com ricota e frango grelhado e eu no arroz com feijão e bife com macaxeira frita, ela no perfume e eu no cheiro de metrô. Porque eu duvido que consigo manter algum cheiro bom de perfume depois de 30min amassado no metrô.
Não sei cara. Devo ter cinco graus de miopia -- até nos ouvidos, porque tudo que ela dizia pras amigas e eu entendia é que ela era meu completo oposto, e por mais que eu concordasse, eu teimava em não largá-la na minha mente. Eu não tenho o MENOR motivo pra gostar dela. Parece que sou vítima de meu próprio conceito, que tenho que criar juízo porque gosto dela por ela ser bonita, e bem, a aparência dela é incrível. E as notas também. E as fotos na internet dela ajudando gente em ações sociais de ONGs. E o abraço na garotinha que tropeçou e deu de cara numa poça de água. Ela tirou o casaco dela e enxugou a criança. E o outro dia que eu a atropelei sem querer, correndo pra pegar o ônibus, e ela me pediu desculpa sem ter feito nada (e eu estúpido olhei pra trás sem dizer nada, depois me virei igual um robocop e fui embora).
Mas sabe como dizem: os opostos se atraem. Ou pra ser mais escrachado (como gosto de ser): aonde a vaca vai, o boi vai atrás.
Parece que o tempo brincou comigo. As duas turmas se juntaram pra uma apresentação de teatro no fim do ano e uma parte era dança -- tango. Porque me colocaram no tango eu não sei, já que sou bicho criado solto (danço break, minha praia é essa), e eu tinha outras preocupações: provas! Eu não estava ruim, mas não ia dar margem pra me lascar, né. Mas daí encanaram que eu ia pro tango porque eu tinha o gingado (ha ha). O pior foi que a instrutora de dança ensaiou uns passos comigo e eu acertei rápido demais. Ou seja, não bastasse ter que dançar o último tango em Paris (ou na Baixada), ia ser em posição de destaque, pra encobrir os que dançassem mais ou menos.
Adivinhem só quem foi a escolhida pra ser meu par? É.
Ô, diacho.
Não, pior: ela se candidatou. Não, pior ainda: eu fiquei nervoso. Eu nem sempre sou calmo, mas absolutamente nunca fiquei preocupado por algo relacionado a alguma garota. Eu nem penso nela todos os dias. Eu nem fico pensando uma forma de chegar nela, de puxar algum assunto longo a dois, que não seja um papo raso e inútil nem um papo nerdão e enfadonho. Eu nem fico imaginando se a gente deixasse de ser conhecidos, colegas e pessoa legal um com o outro, pra dar um passo adiante e engatar a segunda marcha, e eu ia ser o melhor cara do mundo pra ela.
Tá bom, ok, eu confesso. Eu penso. Ah, mas que droga, viu. Orra, mano! Não se encaixa! Não é pro meu bico. Tem muito cara melhor pra ela. Ao mesmo tempo que eu me toco e vejo que minha realidade e meus hobbies são outros, ela me atrai demais, e sem saber (eu acho). E é muito fácil dizer "cai pra dentro, tenta, se dê uma chance", minhas cantadas ridículas (que só são zoeira) e meu jeito tosco de ser provavelmente só são repulsa. E por menos observador que eu seja, parece que eu dobro uma esquina e ela tá lá. Entro no ônibus e ela tá passeando lá fora. Vou dar um rolê na pista de skate e ela tá tocando aqueles ukulele bem hipster e cantando musiquinhas mais hipster ainda com a turma dela. E eu, todo bestão, achando que pode ser que dê certo.
Ah, o tango? O teatro todo aplaudiu, mas eu achei que foi uma merda. Ela adorou, disse que queria conversar comigo depois (eu tremi). Eu tenho certeza que errei uns 8 passos, ela corrigiu na marra sem tirar os olhos dos meus e eu não sei como não parei e fiquei só olhando pra ela e sentindo o perfume, tocando a pele macia dela.
Ah, pô. Ó aí, tá vendo? Eu todo derretidinho. Que saco. Nunca fui assim. Isso não é meu jeito de ser. Eu nem sei fazer poesia e parece que todo dia brota uns versos bonitinhos na cabeça, sem eu mesmo querer. Não sou chique, não uso sapatinho social, penteadinho de mauricinho, camisa de botão. Deu vontade de terminar o tango, tomar um banho, tirar aquela roupa ridícula e correr pra orla da praia, andar de skate, ouvir um som e olhar o mar. Só não fiz isso porque tava um pouco tarde e a praia era longe do teatro, mas vontade não faltou. Dei sorte: ela queria conversar comigo, mas precisou ir embora logo, e eu, medroso, nem fiz questão de nada. Acabei indo pra casa, brincar com o violão, quis tocar uns punk rock, mas na real meus dedos dedilhavam, no automático, aqueles temas de rádio, que os casais cantam uns pros outros (argh).
Agora são férias de fim de ano, a galera marcou uma viagem pra outra praia, mais distante, e muita gente foi. Inventei uma desculpa e todo mundo fez birra pra eu ir (porque ela ia), mas aceitaram porque sabem que eu sou doidão, mas sou na minha. Tenho meu jeito de ser, e parece que respeitam isso. Agora eu fico pensando se lá ela não tá com outro cara, beijando, brincando no mar, cantando abraçadinha com ele, contando estrela. E novamente eu fico preocupado sem ter motivo, porque ela não é pra mim, eu não quero pensar nisso mas acabo pensando. Nem fui olhar as fotos da turma na internet, não quero me estressar com isso.
Mas outro dia, durante essa viagem da turma, sonhei com ela, nada especial, ela apenas tava lá nas visões. Talvez seja uma dessas "mensagens" que indicasse que ela tá por perto, talvez seja paranoia minha (acho que é noia mesmo), então desencanei e fui tomar um banho de mar pra lavar a alma e me despreocupar. Sei que quando voltarem eles vão marcar algo, pra se reverem e ficarem contando as besteiras da viagem, e se eu for eu vou pra comer o churras, fazer um som e passar o tempo. Como eu disse, sou de poucos amigos, mas alguns ali são mesmo meus amigos, e eu curto ficar perto deles.
***
Como eu previa, marcaram um churras. Cheguei até cedo, não tinha trânsito. A casa era de um dos manos. A cozinha era pequena e tinha muita gente ainda preparando a comida, eu sou um asno na cozinha e se eu ficasse ali conversando só ia atrapalhar a passagem. Então me disseram pra ir pra sala, a TV tava ligada, peguei um suco e fiquei lá de boa. A sala era um pouco afastada da cozinha, nem dava pra ouvir o barulho da turma, nem mesmo ver o corredor. Da janela, a rua tava tranquila.
Nem tava pensando em nada. A TV passava um desses programas de auditório. Poderia passar um minuto ou uma hora que eu nem perceberia, eu tava desligado. Daí ela vem e senta do meu lado no sofá. Me disse um "oi" com voz terna e olhar cativante. Não sei (ou sei) por que diabos tive isso, mas senti um arrepio na espinha. O tempo parou ali pra mim.
E o resto é história...
"O tempo às vezes é alheio à nossa vontade,
mas só o que é bom dura tempo bastante pra se tornar inesquecível".
Fico lembrando aqui, parcamente, do dia em que a vi pela primeira e única vez. Ela estava com uma blusa rosa, bermuda jeans e um penteado muito meigo. Meigo não no sentido careta da palavra, mas meigo... Meigo mesmo! Atendeu o celular, fiquei pensando que fosse o namorado. Ela sorriu e falou umas sílabas a mais. Percebi alguns segundos depois que não era o namorado quando cheguei perto dela e ouvi "mãe, a senhora não precisa se preocupar!" Ela era muito reluzente de perto. Esperei ela terminar de falar com a mãe e dirigi a palavra:
- Oi, desculpa incomodar mas eu estava te observando dali e te achei muito bonita.
Ela sorriu mudando a face de espantada para um alívio perceptível no sorriso.
- Ah, oi. Obrigada! Você quer o meu número ou vai pedir para ficar comigo?
Me espantei assustadoramente pois, se esse fosse especificamente o meu objetivo, tinha conseguido facilmente alcança-lo.
Google Imagens
- Não. Digo, quero. Mas não foi pra isso que vim falar com você.
- Então?
- Como eu disse, te achei bonita e... É que... - gaguejei - você tem namorado?
Ela sorriu - mais uma vez - e abaixou a cabeça levemente. Senti que ela estava meio perdida sobre qual resposta dá. Em seguida ela desviou o assunto:
- Sabe, os garotos geralmente se aproximam de mim para pegar meu número e depois ficar me incomodando ou, escancaradamente me pedem um beijo. Outros nem pedem, já chegam querendo beijar e coisas do tipo. São garotos até bonitos, mas que não me despertam nada. Você, estava ali e me viu, me achou bonita e veio falar comigo. Eu achei isso fofo da sua parte...
Interrompi ela e disse:
- Tá bom, esse é o momento que você olha pra mim e diz "tenho namorado" ou me chama de fofinho mas diz que eu não faço o seu...
Então essa foi a vez dela me interromper, mas com um beijo. Segundos depois acordo com o despertador me alertando de que já são 9:30.
O coração costuma negar toda a vaidade que o
outro tem. Eu quero dizer que, para nós, os erros dos outros são erros e os
nossos erros são vaidades. Faz sentido? Bom, não sei. Eu venero meus
pensamentos sobre tudo que vivi nos últimos três anos. Foram três anos de
aprendizado constante e quebração de cara. Sei lá, eu aprendi muito mais
errando e sofrendo do que escrevendo coisas que eu sentia. É complicado, eu
sei. Ela, que quase nem toca no assunto, costuma sorrir em praça pública e em
terminais nada agradáveis. Vale reforçar que eu nem ligo. Não me importo se o
passado já passou e o presente não tem nada de momentâneo para mim. Me
interessa muito mais os temas dos blogs que ela ler e as novelas juvenis que
ela costuma assistir. E eu bem sei que todo Kevin Arnold tem sua Winnie Cooper
que merece, mas eu... Bom, eu... Não sei se isso é regra! E se for eu sou a exceção.
"Convidar alguns amigos para tomar um bom vinho e ouvir as antigas músicas que nos alegram"
Quando ligo os pontos que nos separaram percebo
que eles nunca estiveram corretamente ligados. Se eles não se ligam mais é
porque nunca se encaixaram ou por ironia, algum desses pontos se perdeu. Ok,
pode ser isso: crescemos! A ingenuidade, o ponto que nos ligou, foi
radicalmente rompido e despedaçado por um sujeito chamado tempo. E nem é minha
intenção deixar esse texto poético. Mas infelizmente isso acontece e eu me
perco entre as músicas que ouço por aqui. A exemplo da música do Los Hermanos
que diz “o vento vai dizer / Lento o que
virá / E se chover demais / A gente vai saber / Claro de um trovão / Se alguém
depois / Sorrir em paz / Só de encontrar” - Pergunte ao Amarante o que isso quer dizer – E
entre outras músicas que me traduzem a noite na volta pra casa. Os carros em
alta velocidade e as pessoas com a autoestima elevada são alguns indícios de
que eu não sei lidar com esse tal de sentimento chamado paixão. Será que paixão
é sentimento? Não sei, só sei que isso é sem graça e sem sentido. Faz sentido?
Enquanto isso, em algum lugar dessa pequenina
cidade, ela proseia com as amigas sobre seus novos planos de mulher: academia,
homens com dinheiro, cursinho e quem sabe, uma faculdade. Enquanto isso eu
continuo vendo os seriados que me agradam – não
o que os meus amigos gostam e nem o que todo mundo ver, mas os que eu gosto –
e analisando qual será próximo passo dessa vida refutada de solteiro. Escondo
os meus sinceros sentimentos para não dá a impressão de que sou emotivo demais.
Imagina alguém me dizendo que eu preciso de um psicólogo? Não seria frustrante?
Para você não, é claro. Mas o Vanguart traduz bem o que quero dizer: “nessa cidade / tem uma rua / que eu não
ouso mais passar”. Eu não ouso mais passar nem perto da rua dela. Não faz
sentido né? Faz? Eu lembro de uma noite bem divertida em que assistíamos
televisão e ela me perguntou: “amor, você
nunca vai me trair né?” Qual o idiota que diria que iria trair? Mas nunca a
trai. Assim como a banda Fresno eu também “jurei
que não iria mais falar de mim”, mas eu sou imperfeito. Os recônditos desse
texto dirá exatamente o que você já sabe: eis só mais um texto!
Conclusão: em meados de tempo nenhum, eu ainda
procuro os pontos que se romperam afim de eliminá-los completamente desse caos
chamado mundo. Convidar alguns amigos para tomar um bom vinho e ouvir as antigas
músicas que nos alegram. Cantar mais uma vez o epitáfio desse lamento de quem
esqueceu que precisava esquecer.
Confesso que ela não deu a mínima para mim. Não durou nem 5 minutos nosso "romance urbano". Nem sei o nome dela mas acho que gosta de Evanescence ou algo do tipo. Como eu sei disso? Não sei. Estou arriscando. Tudo começou e findou no terminal. Várias pessoas indo e vindo, ônibus lotado, pregador gritando ao lado querendo enfiar "Jesus" goela abaixo na vida das pessoas, e em um instante nada programado, o olhar. Naqueles dois segundos de tensão pareceu que tínhamos sido feito um para o outro. Ela disfarçou e desviou o olhar. Eu fiz o mesmo mas prometendo voltar a olhá-la. Aquilo foi incrivelmente ridículo!
"Ali, aproximadamente 2 metros de mim, estava ela (...)"
Alunos do fundamental em diálogos nada produtivos falavam dos seus pais e vida de alunos, não de estudantes. Os mortais do médio, ah, esses não conversam, falavam pouca coisa como "ah, a Luana que me disse", "o professor é doido", "gatinha aquela ali mano", "conta as nuvi", e isso para eles era o máximo. Tinha também algumas domésticas que só conseguiam falar sobre como o ônibus estava atrasado e "que ônibus você vai pegar?". Ali, aproximadamente 2 metros distante de mim, estava ela, linda e reluzente com seus olhos castanhos claros quase verdes. Linda, uma musa! Trocamos mais um olhar, este, agora mais intenso. Foi como se quiséssemos dizer algo ao outro. Como uma apresentação: "Oi, me chamo Jhonata" - "Oi, me chamo..." - ela desviou o olhar.
Ela não foi a primeira e nem a única garota que encarei naquele dia. Olhei para outras mais. Mas foi a ela que me entreguei. Demonstrei com o meu olhar o imenso desejo que sentia por ela. Acredito que ela estava preocupada muito mais em ir para casa, ou talvez, o pior, ela tem namorado e é muito fiel a ele. Demorou cerca de um minuto e meio até o meu ônibus chegar e eu embarcar, claro. O que eu não contava é que no meio daquela frenética multidão ela estaria presente. Entrou no mesmo ônibus que eu e minutos mais tarde, descobri que ela mora perto da minha casa. Bom, não tão perto assim, mas perto o suficiente para pegarmos o ônibus juntos mais vezes e conversarmos. Não tive coragem de dizer sequer uma palavra para ela. Mas é como eu disse, o bus estava hiper lotado e a galera frenética.
Então, essa foi a minha musa da semana! Sem pretensões, refrões e nada mais romântico. Simplesmente mais uma pessoas que você encontra pelas ruas da vida e se encanta pela beleza. Faz diferença? Não. Mas também não reduz a emoção do texto. Tchau e benção!
Eu queria ter tido tempo pra me despedir. Queria poder ter tido apenas uma oportunidade para falar de amor. Queria vê-la e expressar tudo o que sinto á ela. Digamos que, de todas as dúvidas severas que tenho, esse encontro seja a utopia que mais me incomoda. Aah, se o tempo me desse a oportunidade de ler mais uma vez seus lábios e poder sentir o quão é bom estar em paz com o amor! Eu queria, mas não posso.
"Foi tudo tão passageiro e nem deu tempo pra eu dizer adeus."
E talvez isso seja o chato da vida real: pois não se pode concertar as coisas antes que a história acabe. Não há roteiro certo com um final feliz ou uma continuação, como nos filmes. Mas se ainda eu tivesse a oportunidade de dizer a ela que eu não quis dizer nada do que disse, diria exatamente que a amava. E que era só isso o que eu tinha pra dizer. Não há festa maior que a emoção de poder senti-la perto de mim. Minhas madrugadas eram mais intensas e românticas com ela para dividir meus risos e lamentos. Minhas manhãs tinham mais vigor. Minhas tardes eram mais vivas! Se eu pudesse não seria mais dono de mim. Se eu não quisesse me arrependeria
depois. Portanto não há mais nada a ser feito. Apenas se segue com o
clichê e chato "a vida continua!". Não me lamento por ter feito tudo o que fiz, me lamento por não ter feito o que queria. O que mais me dói é que nunca a vi e nem verei pessoalmente. Foi tudo tão passageiro e nem deu tempo pra eu dizer adeus. Não deu tempo pra dizer "não". Só agora falo e escrevo o que quero, mas por que? Qual o sentido? Nada agora adianta e nem resolve. Nada agora faz mais sentido. Então eu volto a ser o que era antes: só mais um que deixou o amor passar e agora vive só. E se alguém com alguma coisa boa na cabeça ler esse texto, vai me dizer que preciso de um psicólogo urgentemente, outros, mais sem graça, vão me mandar "crescer". Para esses mortais, digo que não perguntei nada a ninguém - sim, estúpido, ignorante e arrogante assim mesmo, como você interpretou. Acho bem que escrevo meio exaltado, e completamente sem razão, porque nada que eu escreva aqui, ou faça nesse pequeno espaço, vai fazer com que ela volte. E se voltar não será a mesma, e se não for a mesma, eu não quero, e se eu não quero, nenhuma dessas palavras fazem sentido.
É a internet que cai, o telefone que vibra e o livro que me convida a lê-lo. Eu nem sei a que horas fui dormir ontem. Certo que eu realmente nunca sei que horas adormeço, mas antes eu tinha noção de tempo. Claro, aquele jargão 5miopiniano do noção de tempo em marte. Meu raciocínio está a venda por um baixo preço. Se reclamarem muito, ponho até em liquidação, o importante é que levem e me deixem sem razão, somente com essa mísera vida a espera da próxima moça que encantará e envenenará meu coração, e que depois de algum tempo, vai embora sem deixar vestígios. E é só isso que tenho pra falar? Bom, eu falei alguma coisa? Se você leu até aqui, muito obrigado por sua atenção! Um brinde a nós... e a ela!
Um sobressalto. Acordo suado, mesmo com o ventilador de teto no máximo. O tempo é quente, mas há vento lá fora, as janelas estão abertas e o ventilador traz o refresco. Mas estou pingando de suor e meu corpo está tão aquecido como da última vez que estive contigo.
Eu tento esquecer o quanto posso. E até consegui. Há dias não pensei em você e só me dei conta disso antes de dormir ontem, porque fazia dias que eu não tinha aqueles 20 minutos diários de paranoia em me imaginar contigo, em projetar o futuro, em te abraçar e beijar ou em pelo menos tentar prever sua reação ao me olhar, e eu fico imaginando que você vai me querer, vai ficar surpresa ou pelo menos me admirar com um sorriso no rosto e o coração batendo forte.
"E eu sei que se eu tornar a me deitar não vou pegar no sono nem tão cedo. Vou embolar bastante na cama..."
Ah... maldita hora em que imaginei. Nem lembro o que sonhei, mas deve ter sido um pesadelo aterrorizante ou um susto muito grande, do tipo que se cai de um precipício. E eu caí. Eu me joguei sem paraquedas no precipício de estar contigo e me esborrachei no chão. Mas sabe o que é o melhor, ou o pior (não sei, você decide)? É que eu não desisto! Eu me quebro todo, mas acabo voltando ao penhasco e me jogo mais uma vez. Você bem sabe como eu sou teimoso, vivo quebrando a cara, mas não desisto e enquanto subo ao penhasco as dores da cara quebrada vão aliviando, só pra eu cair e quebrar de novo! E eu tento muito, você não faz ideia, mas tento muito esquecer você, mas qualquer coisa que eu olho me lembra você! Um casal de velhinhos na rua, crianças brincando (lembra o dia que fomos andar no parque?), aquela floricultura ou aquele restaurante pequeno e aconchegante, as muitas canções que cantamos juntos, os shows e filmes que assistimos, e mesmo as brigas que tivemos. Isso tudo tá guardadinho e eu faço tanta questão de esquecer como faço de guardar em mim. E ainda as fotos e vídeos, os textos, a carta que você me mandou quando viajou! Caramba! Eu até hoje quero rasgá-la com o maior gosto, mas quando seguro-a nas mãos, toda a fúria se dissipa, eu dobro a carta e guardo de volta. E as fotos? Gravei uns 4 DVDs e ainda fiz backup na internet. E eu escondi os DVDs justamente pra não ter a mesma reação que tenho ao olhar para a bendita da carta.
Enfim, fui tomar uma água, mas por mais gelada que estivesse, desceu queimando e travando a garganta. Fui olhar a rua, na vista da varanda. Noite quente, porém ventilada, rua vazia, fracamente iluminada, sem um pé de gente nem som de carros ou de vizinhos fazendo festa. Fui olhar pro nada e tentar esvaziar a mente, pensar em qualquer coisa.
Não adianta. Eu poderia ligar a TV que esse efeito só duraria pouco tempo. Em breve as lembranças voltariam. Você se tornou meu maior sonho e meu pior pesadelo. E eu sei que se eu tornar a me deitar não vou pegar no sono nem tão cedo. Vou embolar bastante na cama, mas mais do que isso, por dentro eu estou me matando por te querer e querer esquecer e te querer mais e querer esquecer mais. Quanto mais eu tento mudar minha mente mais frenético eu fico, mais o meu interior explode, e por mais que eu lute pra aparentar que por dentro está tudo calmo e ok mais os pensamentos vão e vem! Estou enlouquecendo, creio até que enlouqueço de verdade, e sei que só se eu pegar no sono eu esquecerei, porque aí eu vou esquecer até de mim mesmo.
No dia 29 de setembro de 2009, o Paramore lançava o Brand New Eyes, que foi gravado no Lightning Sound Studios em Hidden Hills, na Califórnia. Ignorance foi o primeiro single do disco, e o disco foi lançado no mesmo dia que o guitarrista Josh Farro fazia aniversario.
Vamos as faixas e minha (imperfeita) análise: Careful (Cuidadoso) abre o disco trazendo o peso juvenil que a banda já vinha mostrando nos dois primeiros álbuns. "A banda revelou que o principal tema do processo de composição e gravação foram os problemas internos da banda que eles vinham lidando nos últimos anos. Hayley ressaltou que crescer juntos numa banda é bem difícil, porque as pessoas invariavelmente mudam com o tempo. O primeiro single "Ignorance" foi o que 'quebrou o gelo' e fez com que a banda se reunisse para discutir e resolver seus problemas internos. Williams comparou isso a uma terapia e disse que foi difícil apresentar a letra dessa música para o resto da banda. O guitarrista Josh Farro admitiu que seria difícil tocar e cantar uma música que claramente era sobre ele, e também seria difícil para os outros membros, entendendo que como Williams é a líder e ela que é autora principal das letras, os fãs só poderiam ver a versão dela dos fatos" (Fonte: wikipédia). A música é meio que um combate ao imediatismo e anula todo o esforço frustrado de querer lutar sozinho para ser melhor, pois sempre precisamos de Alguém cuidadoso para sarar nossas feridas. Ignorance (Ignorância)é uma faixa que dispensa comentários. Instrumentalmente bem elaborada, e com uma letra pra lá de madura (por mais que a aparência deste tema seja um clichê de jovens revoltados com quem os julga pela aparência)
Isso é um círculo, um ciclo vicioso
Eu não consigo mais te animar
Onde está seu martelo? Seu júri?
Qual é o meu crime dessa vez?
Você não é um juiz, mas se você vai me julgar
Bem, sentencie-me para outra vida
Este é um dos trechos que "acalenta" toda a canção. Bônus louvável para as guitarras, contrabaixo e back-vocals, que neste álbum evoluíram bastante.
Capa do 3º álbum de estúdio do Paramore: Brand New Eyes
Playing God (Brincando de Deus) é a primeira balada introspectiva do álbum. Continuando na mesma temática de Ignorance, é uma faixa bem enquadrada e direta naquilo que se quer passar.
E digo convicto, que esta análise seria muito ruim, se eu não parabenizasse a qualidade das letras e, como é perceptível a evolução do conjunto. Fica meio que claro, que há verdades nas músicas. Não falo como um fã, mas sim como um crítico musical que sou e amante da boa cultura pop. Tudo isso foi dito para que eu chegasse nas canções Brick by boring brick (Tijolo por tijolo) e Turn it Off (Desligar). Aqui, o disco vai diminuindo a pegada instrumental e aumentando a vibe letrista passando mensagens muito profundas e concretas. Não é atoa que a banda tem uma legião de fãs no mundo todo, no Brasil então, nem se fala. The Only Exception (A Única Exceção) é minha favorita no disco.
Quando eu era jovem eu vi
Meu pai chorar e amaldiçoar o vento
Ele partiu seu próprio coração e eu assisti
Enquanto ele tentava o consertar
E a minha mãe jurou que ela
Nunca mais se deixaria esquecer
E foi nesse dia que eu prometi
Que eu nunca cantaria sobre amor se ele não existisse
Mas, querido, você é a única exceção
Você é a única exceção...
Esta é a primeira parte da música, que soa muito bem como um testemunho, composição magistral da Hayley Willians e Josh Farro. Mais a frente encontramos Feeling Sorry (Sentir Pena). Uma faixa aparentemente simplista, mas que tem suas particularidades e verdades bem elaboradas. Agora vemos a bateria mostrando um peso diferente, e o encontro super bacana das guitarras com o baixo. Looking Up (Melhorando) é uma faixa que lembra muito a fase do primeiro álbum da banda. Where the Lines Overlap continua a vibe da faixa anterior. Aah! e o que dizer de Misguided Ghosts (Fantasmas Perdidos) né? Música simplesmente linda. Tenho um sonho enorme de compor uma canção com essas características instrumental e letrista.
Eu sou apenas um daqueles fantasmas
Viajando incessantemente
Não preciso de estradas
Na verdade eles me seguem
E nós apenas vamos em círculos
Aqui já percebemos que o disco está caminhando para o fim, e deixando sua melancolia que esteve presente nas entrelinhas o álbum inteiro, se revelando. E para fechar o repertório de Brand New Eyes, aparece All I Wanted (Tudo o que eu queria). Que cara, pra ser sincero, é uma faixa gritantemente linda! É uma música que tem tudo a ver com o nosso 5 Graus de Miopia. Como Decode é uma faixa bônus, acho que não é necessário eu falar dela aqui, apesar de ser uma das faixas mais conhecidas da banda pelos fãs fiéis. Enfim, Brand New Eyes é um álbum muito bom analisado em todos os ângulos. E de antemão já peço que não se limite a esta simples análise. Procure ouvir o álbum muitas e muitas vezes, pois tenho certeza que ele tem muito mais a passar!
Alguém: Olá, tudo bem? Karol: Oi. Quem é? Alguém:Sou aquele carinha que estava contigo no bus. Karol: Ah sei. E aí tudo bem? Alguém: Tudo ótimo e você? Karol: Estou bem! Alguém: Você está solteira? Karol: Mais ou menos. Estou em um relacionamento que já não tá dando muito certo. Estou com ele só para não ficar sozinha. Alguém: Entendo. Mas eu gostei de você! Karol: Sério? Alguém: Sim. Queria ter a oportunidade de ver você e conversarmos.
1 Semana Depois
Alguém: Oi amor. Podemos nos ver hoje? Karol: Talvez. Após o colégio irei para uma outra aula. Alguém: Ok, posso ir ao teu encontro para não vim sozinha. Pode ser? Karol: Sim. Quando estiver saindo te aviso.
A Noite...
Karol: Já pode vim! Alguém: Beleza. Estou saindo daqui. Karol: Mas não demora, por favor.
O Ministério 5 Graus de Miopia avisa: esta garota da imagem não é a Karol do texto!
Tópico do Encontro (Beijo no rosto e mãos dadas) Alguém: E aí como está? Karol: Estou bem. Por que você não me respondeu hoje a tarde? Alguém: Estava dormindo. Karol: Preguiçoso! (Risos) Alguém: (Risos) Nada. Você é linda! Karol: Sou nada. Você está pirado! Alguém: Talvez mesmo.
Uma Parada... Alguém: Quero um beijo seu... Karol: No rosto? Pode ser. Alguém: Você sabe muito bem do que estou falando. Karol: Ai, beijo de língua?
Silêncio e o primeiro beijo! Minutos após o casal anuncia o namoro ao irmão do rapaz, e de forma sobrenatural, o bairro todo fica sabendo. Ele a leva até sua casa, diante de olhares de algumas míseras pessoas. Ficam em frente a casa do rapaz e conversam mais um pouco. Aquilo seria o início de um laço amoroso.
1º Mês de Namoro Alguém: Amor, você vai demorar hoje? Karol: Talvez amor. Tenho aula de música e iramos nos apresentar daqui a três meses. Preciso ensaiar. Alguém: Todos os dias a mesma coisa né?
...
Primeira discussão. E ao longo do próximo mês houve outras mais...
2º Mês de Namoro Karol: Amor, me sinto tão bem ao seu lado
O casal costuma namorar na casa do rapaz, geralmente em frente a sua residência ou em seu quarto
Alguém: Também meu anjo. Gosto muito de você! Karol: Te amo! Alguém: Também te amo!
3º Mês de Namoro
Ambos já sofrem um desgaste imenso no namoro: brigas, desconfianças, amizades falsas, mentiras... Mas tentam "empurrar com a barriga" porque se gostam. Mas um dia foi o auge das tragédias. Os dois estão no quarto, assistindo TV e conversando, quando o telefone da Karol toca...
Karol: Oi. Fulano: Oi gata. Tudo bem? Karol: Sim. Tudo ótimo! Fulano: E aí, quando vamos ficar...? Karol: Ham? Sei não...
O moço ouviu toda a conversa e logo se exaltou. Karol deu um jeito de dispensar o "fulano" para acalmar e tentar explicar tudo ao namorado:
Karol: Amor calma, não é nada disso! Alguém: Eu ouvi tudo! Você me traiu! Isso não tem perdão. Karol: Amor, não te trai! Nem conheço este menino!
E ela chora, se ajoelha e leva um empurrão de leve para sair da frente do garoto. Sai dali aos prantos e humilhada! Ele, em casa, sofre muito. Surge um filme em sua cabeça. Lembranças e mais lembranças. Começa a juntar cada caco de conversas e mais conversas. Terminam o namoro. Voltam três dias depois mas não deu muito certo. Não havia mais confiança e terminam de vez.
Este "Alguém" pode ser eu, mas também
pode ser você. Você que está lendo agora
talvez tenha vivenciado algo parecido, ou
não. Mas suas atitudes são exatamente
essas. Olhe no espelho e pergunte: "Onde
está a Karol que eu conheci e me
apaixonei?"
Fake Number - 4 Mil Horas
In memorian de um amor que nunca existiu. (ponto final)
Uma parada é só uma parada. O universo sabe disso. E talvez eu não precise discutir com o mundo todo que acha que sou bipolar ou os que dizem que meu cabelo é feio. Mas é como diz o Emicida: "Feio pra quem?" e quem sabe eu já não troquei os temas, os tremas. Sendo tão ruim de matemática como eu, não duvido muito da minha irracionalidade ter multiplicado as dúvidas pelas certezas. Repito: uma parada é só uma parada. E o caro leitor já está fadigado de tanto ler pontos de continuação nesse texto, mas é como digo: são apenas paradas.
"Não fiz nada, você que é muito chato!" Essa frase é muito clichê - permito você assistir antigos programas da Hebe e pegar mais frases de efeito. Quem foi que disse que eu preciso te entender? Os ultra-românticos contemporâneos dizem que o amor não se explica. Mas eu te pergunto: o que é o amor meu caro? Um tal de Roupa Nova já definia que "todo amor é infinito". Será? Pra quem? Então me explica porque o mestre Renato Russo disse que "o pra sempre sempre acaba"? Ah, então o amor é subjetivo né? Tá, mas pra quem? As escrituras dizem que o amor é a base do evangelho, e o amor de Cristo, que é incondicional. Talvez eu seja mesmo chato. Mas o que isso tem a ver com a Hebe e que tem a ver com algum cego sentimental? Nada! E esse "nadas" são muito perigosos: "amor o quevocê tem?" - "Nada. Não tenho nada!" Na verdade ela tem tudo, tudo que você não quer saber. A mente complexa das mulheres são subjetivas. Eu precisava entende-la, mas se isso fosse recíproco. "Ah, agora é muito fácil colocar a culpa em mim depois que tudo terminou". Será que é? Fácil pra quem?
"Na verdade o milésimo virou um e meio"
E é como já dizia o grande Rodrigo Amarante: "pra nós dois sair de casa já é se aventurar". E talvez eu não precise mesmo te entender porque todo o nosso belo discurso é feio. É como um amigo meu diz: "...pessoas de beleza feia". E mais uma vez entra aquele discurso batido das paradas. E foi em uma dessas paradas que o ônibus costuma fazer que observei uma garota com os olhos vermelhos, provavelmente, de chorar. Sem contar que antes dessa temível viajem, bati de frente com a moça que eu não precisava entender. Calça vermelha, cabeça erguida e focada. Ficamos a mais ou menos 5 centímetros de distância. Ah, mas tão ruim de matemática como eu, talvez tenha usado o 5 só pra combinar com "5 Graus de Miopia". Não trocamos nenhuma palavra, nem mesmo olhares. Eu bem que quis olhar pra ela, mas o Passenger (enquanto edito ouço City and Colour) que tocava em meus ouvidos me disse que "somos nada além de solitários, você sabe, é por isso que estamos aqui". Claro que só vi a tradução da música depois. Ruim de inglês como sou, talvez tenha prestado atenção só nos três últimos acordes do violão. "Quando terminamos eu fui atrás de você e você não quis, agora que te esqueci você aparece!?" Cara, você não me esqueceu! Isso é perceptível em cada "a" que você digitou e me enviou. Talvez eu não precise mesmo te entender, sabe por que? Porque o utópico virou cor rosa, que só as teens entendem, e só entendem se comprarem uma Capricho ou Todateen. Na verdade o milésimo virou um e meio. E é como eu disse, ruim de matemática, inglês e Platão, é bem capaz que tudo isso que eu falei esteja emocionalmente errado!
Nunca fui do tipo que se lamenta atoa, que olha para o passado e fica chorando ao lembrar dos bons momentos. "Ok, mas aí, quando você ouvir aquela música de novo? Vai dizer que não lembra?" É, lembro. Mas cara, sou humano, e um humano errante (existem humanos inerrantes?). Aprendi a ignorar as lembranças. Hoje vejo o presente imitando o passado e, faço de conta que não estou vendo nada. Devo ter 5 graus de miopia sentimental. O engraçado é que tudo isso não tem graça: eu vivo incomodado com as visões que me passa as noites escuras.
Será que em algum planeta, em outra dimensão existe o "nós"? Será que alguma plataforma vai me indicar a válvula de escape pra todo esse êxtase? Perguntas e mais perguntas! Certo que eu nunca fui de lembrar que houve risos nas quartas, beijos e abraços nos sábados, noção de tempo em Marte. Natural que eu lembre, mas não ligo mais. Minha miopia sentimental deve estar agravando, preciso de um oftalmologista urgentemente. As crises sistemáticas como: "olha ela ali!", "que droga! ela faz isso só pra me provocar!" Tem me mostrado o quão ainda posso amadurecer. O que ganho perdendo tempo me preocupando com isso? Nada! Nem um coma me faz dormir, por isso é incontrolável não perceber cada passo que ela me mostra.
"Quem sabe não esteja lá, mas estou aqui! Aqui, no mesmo lugar..."
Será que existe um tempo-espaço-lugar onde eu não lembre disso? Será que existe um planeta cósmico onde eu possa me internar e esquecer que um dia amei alguém? "Eu já nem sei se vale apena". Neste lugar eu posso encontrar um ET bem bacana que me dirá como foi fantástico me ver sorrir com ela. Também vai puxar minha orelha e apontar minha estupidez. Vai gritar bem alto dizendo: "POR QUE NÃO FOSTE MAIS TOLERANTE?" Só queria apagar a marca dela de mim. Estou pedindo demais? (D+). "Tudo pode estar lá!"
E o engraçado é que isso não tem graça. Pois nunca fui de lembrar que um dia fui gentil. Tudo isso me deu um curto-circuito em minha pequena cabeça - que mais parece um oco - que até hoje não sei se quem morreu foi a Amy Winehouse ou Kurt Coubain. Só lembro que eu nunca fui de lembrar, e escrevo versos nipônicos: letras estranhas, olhos pequenos e fala esquisita com sílabas redundantes. Quem sabe não esteja lá, mas estou aqui! Aqui, no mesmo lugar...
Creio que a pergunta é referente ao 5 Graus de Miopia né? Pois bem, quando adolescente, eu tive algumas paixões bobas e, uma extrema desilusão amorosa. Não posso mentir e nem dizer que foi ruim. Meus amigos até dizem: "Cara, por que tu escreve sobre ela?" E a resposta sempre é: "Ela vem nos meus textos!". Eles: "Então por que não escreve e joga fora?" E eu com um tom eufórico e cômico digo: "Velho, os textos são bons, nunca escrevi com tanto sentimento antes!"
Então digo que "amor platônico" não é o termo, digamos, adequado para o que eu escrevo no 5GDM. Escrevo essas coisas melosas para afogar as lágrimas que nunca irão caíram, e com certeza nunca irão cair. E também não é só sobre mim, alguns textos são sobre relacionamentos próximos aos meus, mas que eu sempre escrevo na primeira pessoa.
Quando escrevo nessa vibe, acredito estar contando a história de muitas almas que se sentem assim, apaixonados!
5 Graus de Miopia é uma série de textos sobre romances, relacionamentos, amores platônicos, dicas e tudo mais. Na maioria dos textos são situações vividas por mim ou por alguém próximo. O nome é uma metáfora à frase "o amor é cego". Porém, nas situações que descrevo, só faltou demasiadamente, um pouquinho a mais de visão para que as coisas dessem certo. Não ligue para a informalidade! Bom texto!!!
Tudo vira estátua. A volta pra casa no ônibus se transforma em uma viagem sem destino certo, com pessoas próximas sem saber meu estado de espírito. Eu até tive a autonomia de escolher o rock mais pesado do meu play, mas não, preferi uma daquelas que engolem tua alma de tão profunda. Como já falei, tudo vira estátua, até mesmo o motorista que nem sei o nome, e bah, nem vi o rosto do cara. Só consigo ver zumbis em minhas memórias. Mas tem algo que me incomoda entre eles: existe um humano lá.
"Infinitas vezes me pergunto por que te escrevo."
Infinitas vezes me pergunto por que te escrevo. Mas na real, entendi que não escrevo você, certo que me iludo dizendo que já te esqueci, mas o que escrevo é para afogar as lágrimas que nunca pingarão, mas que pesam demais. Juro que mais uma volta do bus e eu paro de escrever. Só por hoje, só por agora, só enquanto eu não pego outro. Defino esses momentos como "Idiotice Cerebral". Essa teoria traz a tona tudo o que não tive coragem de dizer. O lance é que isso não me faz um homem pior e nem melhor, só um pouco mais idiota. Canso de lembrar os bons momentos. Só o que vejo são os zumbis, pois a humana que está no meio deles não quero mais lembrar, nem ver, nem ouvir falar.
Escrevo um coma que quero acordar. Assim canta muito bem o Lucas Silveirana música "Acordar"daFresno. Lembro mais uma vez que você está com outro alguém, e eu aqui, solitário sem ter teu abraço, teus beijos. Sinto o ar acabando aos poucos, não o natural oxigênio, mas o ar dos sentimentos. Aquele mesmo que um dia te jurou amor eterno. Tranquilo, pois isto faz parte da "idiotice cerebral". Ouço um tributo ao meu bom senso. Parece que ele morreu com a última canção do play. Perdeu-se por aí ao saber que iria citar mais uma vez a humana no meio dos zumbis. Por que eles não devoram ela? Ela é humana! Mas eles não podem. Ela tem um olhar penetrante que hipnotiza qualquer morto-vivo e faz com que o zumbi cometa suicídio.
Reza a lenda que isto está prestes a acabar. Acabar? Essa palavra me remete milhões de tentativas frustradas de ser o que você mais queria. Assassinei a gramática inúmeras vezes citando "você" na segunda pessoa quase no mesmo contexto. Mas na boa, o lance é como um "bom" iletrado diz: "você entendeu o que eu quiz dizer!"