Mostrando postagens com marcador Blues. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Blues. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Playlist: Garçom, liga o Jukebox aí por favor!


Opa!
Hoje é dia de Playlist.
Depois de eu ter ido ao show do A-ha, fiquei inspirado pra ouvir música antiga, e acabei reencontrando um canal no Youtube que é fantástico! Se chama Postmodern Jukebox e você pode conferi-lo aqui.

O PMJ (como também é chamado) é uma iniciativa de Scott Bradlee. Scott nasceu em 1981, se apaixonou pelo jazz ainda na adolescência e daí por diante seguiu descendo a mão nos pianos da vida. Chegou a dirigir alguns espetáculos off-Broadway, mas na busca por inspiração criativa, começou a brincar de reescrever música pop em temas antigos. Em 2012 saiu um vídeo importante, que dá início à nossa playlist e à carreira internetástica de Scott (com uma mãozinha do Reddit :D ). Não bastasse isso, Scott foi chamado pra colaborar na soundtrack de um certo jogo com quatro de seus covers de estilo vintage. Ah, quer saber qual jogo? BioShock Infinite. É mole?

Na verdade, você vai descobrir que mesmo se você não gosta de pop (como eu gosto bem pouco) agora vai ter uma desculpa pra gostar de tais canções... mesmo que numa versão diferente, rs. O fato é que é algo totalmente excelente, inovador e incrível e é melhor eu parar de falar e você começar a ouvir. Vamos lá?

Scott Bradlee's Postmodern Jukebox


Começando com o vídeo que podemos dizer que deu o start no Postmodern Jukebox. Scott já tinha subido outros vídeos antes desse (muito bons, por sinal) mas quando ele juntou um grupo de amigos musicistas pra fazer essa brincadeira, a zoeira acabou passando dos limites! Reescreveram How You Remind Me do Nickelback num estilo Motown. O resultado? Aqui embaixo. Gerou 1,5 milhão de views até o presente momento!

A Motown Tribute to Nickelback

A próxima é a canção que me fez descobrir o PMJ! Um abraço pra minha amiga Samile que postou isso algum dia no twitter, o que me fez rir não só porque era totalmente inusitado como também a cantora (Kate Davis, que não só canta maravilhosamente como ainda toca baixo -- aquele baixo clássico, grandão) é parecida com a própria Samile. Ah, pequeno detalhe: o vídeo alcançou 8 milhões de visualizações em 3 meses. Somente. Então, curte aí All About That Bass.

All About That [Upright] Bass feat. Kate Davis

O que eu acho mais incrível é que Scott e cia. LTDA fazem um trabalho tão legal que acontece até mesmo dos próprios autores originais recomendarem os covers dele. E, quem diria, a Lorde mandou pra galera que o cover de Royals favorito dela era justamente do PMJ. Fui ver... e quase tomei um susto quando um cara do tamanho de um guarda roupa vestido de palhaço entra em cena. Daí o cara abre a boca e meu queixo cai... que tal? O sujeito grandalhão é Michael Geiger que criou o personagem chamado Puddles, o palhaço triste com uma voz dourada. É simplesmente sensacional. Confere aí, vai.

Royals - "Sad Clown With the Golden Voice" version

Num outro vídeo entra em cena um garoto, Von Smith. Ele surgiu durante as audições do American Idol de 2009 mas foi eliminado nas semifinais do programa. Aos poucos o rapaz foi se apresentando aqui e ali, até abrir um show de Lady Gaga. Bem, o moleque foi chamado pelo Postmodern Jukebox para interpretar Rude, do Magic!, que todo mundo já ouviu. E daí eu fiquei pensando se na verdade a música era antiga e o Magic! fez uma reedição, porque ela realmente parece ter uma alma antiga...

Rude feat. Von Smith

Por falar em Lady Gaga, sobrou pra ela também! Mas aqui tem um detalhe interessante: além do vocal (lógico), chamaram Sarah Reich, que é sapateadora. Quando olhei a thumbnail do vídeo (a imagem do video que aparece na busca do youtube) achei esquisito, mas quando escutei parece que fez todo sentido, Bad Romance num estilo Ragtime Gatsby ficou incrível. Se liga!

Bad Romance feat. Ariana Savalas & Sarah Reich

Agora, peraí... quem nunca ouviu, dançou, curtiu ao som de Hey Ya! que me atire a primeira pedra -- a menos que tenha nascido a menos de 12 anos, então fica desobrigado rs. Na verdade, esse cover é totalmente diferente da original. Oooooh, claro, todos são. Mas eu quero dizer que a gente tá tão acostumado com o ritmo dance da original que eu particularmente estranhei o começo do cover, que é bem lento (convenhamos: agora você pode entender o que é cantado! haha!). Mas Sara Niemietz cantou com tanta alegria e o arranjo de Scott é tão belo que não tem como ouvir e não sorrir! Ouve aí essa reedição de um CRÁSSICO do Outkast.

Hey Ya! feat. Sara Niemietz

Esse é mais um que eu ouvi e fiquei em dúvida se a banda pela qual conhecemos a música não a pegou de outro artista antigo. Miche Braden honra a tradição melanina-power que eu tanto amo (e carrego na pele, haha) com aquela super voz que parece que só as marrons tem! Alcione que o diga... mas o fato é que Sweet Child O' Mine fica parecendo uma daquelas canções clássicas, tocadas nos antigos bares e cafés do sul dos Estados Unidos. Ê lasquera...

Sweet Child O' Mine feat. Miche Braden

O próximo é um que eu confesso que fiquei espantado (pra não dizer assustado). Na boa, eu me arrepiei todo. E eu não gosto de Britney Spears, exceto pra fazer piada. Cara, Haley Reinhart tem uma voz rasgada e aveludada ao mesmo tempo, canta de uma maneira sensual, não sei explicar. Não digo nada, apenas confira.

Oops!... I Did it Again feat. Haley Reinhart

Sobre a próxima canção, agora eu fiquei com uma dificuldade imensa de escolher a versão que eu mais gosto. Eu sou fã de Green Day, entenda-se que eu já escutei toda a discografia deles. Mas essa reedição com Maiya Skyes na voz tem tanto soul, tanta tristeza (que a música pede, na verdade) que Boulevard of Broken Dreams começa a fazer muito sentido nessa versão... sentido demais da conta :'(

Boulevard of Broken Dreams feat. Maiya Skyes

E Haley Reinhart ataca mais uma vez! Com uma voz tão sensual quanto a versão de Oops... I Did it Again! ela me transporta pro universo de Nova Orleans de novo. E com uma música que já foi feita por um cara altamente talentoso, mr. Jack White do White Stripes! Esse Scott Bradlee é o cara, eu só sei dizer isso, haha...

Seven Nation Army feat. Haley Reinhart

Confere lá no canal deles que tem muito mais coisa: Katy Perry, Imagine Dragons, Robin Thicke, Coolio, Beyoncé, Carly Jae Repsen, Radiohead, Rihanna, Taylor Swift, etc etc etc etc! Eles também estão disponíveis no iTunes se você quiser comprar alguma(s) música(s) deles.

Por último mas não menos importante: o Postmodern Jukebox está no Spotify já tem um tempo! Siga-o agora ou um piano vai cair na sua cabeça!

Abraço forte!
Vlw flw :)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Análise: CD "Battle Studies" - John Mayer

ATENÇÃO: Esse post contém altas quantidades de melosidade, depressões e fanboyzisse. E ficou longo pra cacete. Estão todos convidados a ler e depois ler de novo, exatamente por isso :D

Links das análises anteriores: Room For Squares | Heavier Things | Continuum

2009. 
Premiações. 
Turnê do Continuum bem-sucedida. 
Um incrível DVD - que ainda hoje é um marco na carreira - chamado Where The Light Is, e a turnê do WTLI ainda mais bem-sucedida.

O que ainda falta? Como superar essa ascendente? O primeiro álbum rendeu Grammy, o segundo também, o terceiro também! Ao que parece, chegou no auge. Como fazer desse auge uma nova escalada, e não uma queda?

Essas questões foram respondidas durante um período de seis meses na própria casa do Mayer em Los Angeles. Ele e (o mito) Steve Jordan produziram o novo álbum. John relata que ele se pressionou bastante, ele sabia que a última turnê foi um ponto altíssimo. Ele sabia que superar aquilo não seria fácil. Começou a escrever loucamente, como quem conversa consigo próprio "cara, você é um grande artista, um grande compositor. Escreve, caramba!". Meio complicado, né? Pois é. A pressa é inimiga da perfeição, mas seis meses não seriam tanta pressa assim. E não foram! Dito isso, seis meses escrevendo entre 20~30 letras e gravando as respectivas demos é meio cansativo, ainda mais quando você precisa descartar tantas delas em detrimento de outras pra fechar o álbum em definitivo. Mal sabia John o que estava por vir.

Enfim. O álbum foi a resposta positiva esperada? Isso só você pode dizer, caro leitor. Mas em minha opinião: sim e não. (obrigado, idiota, não me ajudou em nada). Ok, eu gosto bastante do Battle Studies. John atingiu o auge como artista, no sentido de produção. Eu falei do DVD né? Pois bem, John nunca mais cantou e tocou igual aquela noite, ele tava pegando fogo, bicho (~faustão mode on~), e imagino que a turnê foi tão perfeitinha quanto o DVD. Daí fica o desafio de continuar esse legado em estúdio, como eu mesmo me perguntei muito "o que seria se John conseguisse passar essa atitude e essa produção pra um trabalho em estúdio", e bem, não dá. John é um monstro ao vivo, sem mais, e passar isso pra gravação de estúdio é muito complicado. Porém, o Battle Studies acabou sendo, de longe, a obra mais redondinha, mais pop, e a presença de Steve Jordan contribuiu bastante. Steve é um mito da bateria! Quem tem um ouvido "com mais memória" percebe que o timbre da bateria e as batidas são diferentes, são únicas. O álbum Try!, do John Mayer Trio, é prova disso. E essa batera fez diferença no álbum. As guitarras, o baixo de Pino Palladino (outro mito), Ian McLagan nos teclados/samplers, etc e tal, tudo bem encaixado nessa obra de 2009. 

Porém, as letras... se você desconsiderar os trabalhos posteriores, pode-se dizer que "oh, John apenas quis escrever sobre outras coisas", mas eu ouvi o Battle Studies antes de ler "certas revistas" e ouvir os álbuns seguintes e achei as letras esquisitas. Digo... não achei ruim, não MESMO, apenas parece que havia algum problema. Ele não estava bem. As músicas doem na alma, tipo, demais. E John sempre se entrega nas composições, ele raramente põe uma máscara como se fosse somente um observador externo falando de algo aqui ou ali, ele sempre põe algo dele. "Ah, mas todo mundo faz isso" sim, e ele também, ué kkkkkk. Na verdade eu acho que é por isso que costumo dar 10 pras letras dele, porque são tão pessoais que acabam sendo bem humanas, e a gente se identifica com as canções dele assim. Então, ele se colocando tanto nas músicas, e as músicas falando tanto de dores e problemas, provavelmente ele não tava tão bem...

Bem, o fato é que (agora falando depois de ter visto os fatos acontecerem) ele tava num período louco, complicado amorosamente, um pouco soberbo e à beira do abismo - internamente. Isso só piorou com o tempo. Ele tava meio down e isso se refletiu nas composições e até nos shows - Red Rocks 2010 foi um grande exemplo, ele tava doidão, rs. A mídia, pra não ajudar, fez uma pressão desgraçada nele, e acabou dando merda, como as "certas revistas" citadas e muitas outras matérias na TV e internet. Mas isso já são fatos pós-álbum, o interessante é apenas perceber como se deu essa sequência de dominós caindo.

Capa do álbum "Battle Studies" do John Mayer


Vamos à análise faixa por faixa, que vocês vão entender o que falo... eu espero...

Heartbreak Warfare: Essa canção fala de duas pessoas que se gostam mas estão em pé de guerra. Ao que me parece, ao fim da música o problema não é resolvido. Quer dizer, o CD já começa difícil de digerir. A música em si é bem legal, um pop tranquilo, a bateria começa já aqui a mostrar a cara diferente. E essa faixa gerou a ideia de um símbolo, um coração com um relâmpago no meio.
All We Ever do is Say Goodbye: Um violão numa introdução lenta e uma voz triste. O personagem procura esquecer uma pessoa amada e quando consegue, sua voz ecoa na cabeça. E vai atrás dela, sem sucesso: ela não está lá quando ele chega. Ele a ama mas por mais que não queira ele corre atrás do passado belo que (provavelmente) tiveram, já sabendo que vai quebrar a cara e o coração. Putz John, pare com isso, não quero suar tanto assim pelos olhos. Até o solo de guitarra parece doer na alma, um choro de dentro do peito. Ai.
Half of My Heart: Aqui é uma letra interessante. O personagem é dividido por dentro (daí o nome da música) como uma pessoa que gosta de alguém mas que ao mesmo tempo sabe que vai dar merda. Então fica em cima do muro e prolongando essa dúvida. A música é um country-pop-rock (isso existe?) bem tranquila, e tem a participação de Taylor Swift nos vocais, o que pra mim não é uma mera participação... eles eram namoradinhos, e curiosamente John é um cara bem "Half of my heart" (basta analisar outros relacionamentos dele), o que acabou dando merda depois. Até hoje rola uns mimimis entre fãs de Taylor e John, especialmente depois dos lançamentos de "Dear John" dela e "Paper Doll" dele, mas isso é oooooutra história.

Oh, half of my heart's got a grip on the situation
Half of my heart takes time
Half of my heart's got the right mind to tell you
That I can't keep loving you
Oh, with half of my heart...

Who Says: A música fala sobre endoidar. Isso mesmo. "Who says I can't get stoned?". É, ao mesmo tempo, sobre ser livre e fazer as merda que se quiser fazer, mas no sentido de se libertar da pressão do mundo ao redor. Acho que é uma letra bem pessoal, considerando os fatos sobre ele que eu já citei. Inclusive há uma referência... outro dia, durante a produção desse álbum, ele disse no Twitter que ia pro Japão viajar sozinho (e nem foi), e acabou botando isso na letra. A música em si lembra Stop This Train e segue a mesma linha melódica tranquila, um solo de piano, o violão dedilhado, etc.
Perfectly Lonely: Essa é das minhas favoritas, é uma exaltação à solteirice. Essa é direta, sem arrudeios, nem muitas dores internas (talvez!). A introdução já anima e a música não decepciona. 
Assassin: Outra que eu curto bastante. Aqui é uma história, uma metáfora de um cara que invade sorrateiramente uma casa pra assassinar uma pessoa e acaba se apaixonando, e percebe que acabou sendo pego numa armadilha, pois a pessoa também era uma assassina. Não vou explicar essa metáfora =P A música é um pop rock legal, também animadora, até sensual eu diria.
Crossroads: John faz uma reedição do clássico do Cream/Eric Clapton. Eu particularmente sou um cultuador do blues, então torço um pouco o nariz pra essa reedição, que logicamente tem uma cara mais pop e menos blues. Mas não posso negar que é bem feita. Um fuzz na guitarra, uma batida meio funk-soul, ok. A ideia dela estar aqui, eu não penso que seja apenas um cover, mas tem uma ligação com o que virá a seguir...

I went down to the crossroads
Fell down on my knees
Asked the Lord above for mercy
"Help me if you please!"

War Of My Life: "Que venham os anjos, os fantasmas, a escuridão e seus amiguinhos, podem vir porque não tenho medo de nenhum de vocês." A primeira estrofe é tipo isso. A parte musical pode parecer meio sem sal (e eu acho que é), mas o foco realmente é a letra. Com essa canção, voltamos a descer o barranco, quero dizer, ela é bem introspectiva, pessoal, profunda, e trata de ser posto contra a parede e enfrentar seus medos da forma mais cara-a-cara possível. Sem medo do passado e temendo/tremendo pelo futuro. Esperando pelo inevitável quando a vida acaba parando numa encruzilhada (que em inglês é... crossroad, sacou?). Ele é um cara frágil (como dizem os versos "I got a hammer and a heart of glass") e luta contra ele mesmo. É interessante ainda notar o verso "I got a pocket, got no pills", pois ele tinha/tem Transtorno de Ansiedade e sempre andava com uns comprimidos no bolso pra quando tivesse crises.
Edge of Desire: Essa e a anterior pra mim são o fundo do poço. E as melhores canções do álbum. E as mais humanas. Caramba! Se War Of My Life trata de lutar contra si, Edge of Desire é pra mim a maior expressão da dor de um amante perdido. Tipo, perdidaço. Quando eu falei que era o fundo do poço, é porque tanto é uma "fossa" como é profunda pra cacilda. Na boa. Não quero analisar verso por verso pra não ficar imenso (mais do que já tá), então resumirei...
Ele é um cara novo, mas tá infinitamente andando em círculos nos relacionamentos e tá cansado de amar. Essa merda chamada amor só serve pra ter um sonho legal e depois acordar no meio da noite sozinho. Ele ama uma mulher, se entrega pra ela, mas depois parece que não funciona, e não necessariamente por culpa dela. Ainda assim ele a deseja ardentemente, dolorosamente, tanto que seria até capaz de abandonar seus conceitos, sua moral, seus sonhos, seus valores, tudo (acho que muitos já passaram por isso, pelo menos internamente), e tá no limite da vontade, tá "subindo pelas paredes" quase tocando fogo em tudo. Ele deita e dorme e sonha com ela ao seu lado, ao mesmo tempo que morre por dentro e tá cansado disso tudo e prevendo que vai se quebrar todo se começar de novo. É uma contradição, um paradoxo, e isso dói pra caramba. Dito isso, ele tem um medo do caramba de que ela o esqueça de vez (aquele tipo de sensação de que não é fácil deixar alguém ir depois de se separar, porque você ainda se sente ligado àquela pessoa, e pode doer até pra quem teve a iniciativa de terminar).

Love is really nothing
But a dream that keeps waking me
For all of my trying
We still end up dying
How can it be?

É imensa, não? Nem é, a letra é pequena. Ele conseguiu condensar isso tudo em poucos versos. Que incrível. Pra completar, ela é modafocamente difícil de tocar e cantar; John fez um riff a partir de um estudo dele de guitarra no quarto, e quando começou a tentar tocar e cantar ele mesmo não conseguia. Demorou até dominar essa música. E acho que lavou a alma quando conseguiu, pois pôde se expressar ao vivo pra galera nos palcos da vida.

Ufa.

Do You Know Me: Essa é mais simples, pra aliviar a tensão das anteriores. Aqui tem poucos versos, é uma canção curta e tranquilinha, e já não é tão fácil de entender o que significa. Eu creio que seja sobre almas-gêmeas, no sentido de amor à primeira vista. Meio tipo "eu te conheço de algum lugar", sem ser sacana ou uma cantada barata. É uma canção fofinha, e paro por aqui,
Friends, Lovers or Nothing: Encerrando o álbum em grande estilo. Um fato interessante é que essa música é uma junção de duas: a que tem esse nome mesmo, e uma chamada The Hurt (olha a depressão amorosa aí de novo), que era um outtake, uma das tantas que ele compôs e não entrou no álbum, mas que ele "colou" no final dessa música e casou bem, na verdade. Do que se trata? Aqui, há uma situação onde duas pessoas terminaram e uma quer seguir adiante, mas a outra ainda quer ser um amigo que é mais que amigo, tipo amizade colorida, pra relembrar os "bons momentos" e curtir um pouco. E a primeira pessoa resiste, pois sabe que pode até cair no jogo mas depois vai pular fora do barco de novo e machucar a si e a outra pessoa (e isso porque a outra pessoa insistiu). Isso fora quando vem os ciúmes, discussões, expectativas, decepções e tudo o mais que aparece quando amor não é suficiente numa relação. Então ele dá um ultimato: amiguinhos, amantes ou p*rra nenhuma. Não rola ser um "intermediário". Se decida, por favor, que eu não quero mais confundir as coisas.

Friends, lovers, or nothing
There can only be one
Friends, lovers, or nothing
There'll never be an in between
So give it up
[...]
Anything other than a yes is no
Anything other than stayin' is go
Anything less than I love you is lying


  • Letras: 10
  • Produção: 10
  • Projeto Gráfico: 8
  • Interpretação: 10


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

10 Melhores álbuns internacionais que comemoram uma década neste ano (2015)

Dando continuidade a nossa série de Top10 de melhores álbuns lançados em 2005, hoje, trazemos a lista dos 10 internacionais que consideramos os melhores. Como sempre, foi uma tarefa difícil e té houve discussões extensas, mas acreditamos que conseguimos listar os 10 mais relevantes. Continuamos contando com o apoio mais do que especial do nosso amigo Tiago Abreu. Segue a lista e o comentário da nossa equipe!

10º Lugar: Thrill Seeker - August Burns Red

Tiago Abreu: Não gosto de metalcore. Mas, do que conheço sobre o disco, é bem razoável.

Phil Santos: August Burns Red traz uma definição de metalcore que raramente se vê. Killswitch Engage? Bullet For My Valentine? As I Lay Dying? ABR é diferente. Ok, as características básicas de metalcore: vocal gutural/scream junto com líricos, guitarras pesadas e rápidas com riffs de afinação baixa bem distorcidos, baixos idem, baterias abusando de pedal duplo, e breakdown pra todo lado. Toda banda de metalcore tem isso e às vezes cansa. O que faria o August Burns Red diferente? Não há esqueminhas clichês de estrofes+refrões. Não há vocais líricos. Tem solos bem feitos, que eu não consigo tocar (se eu conseguisse, quer dizer que o solo é muito fácil, rs). Às vezes você bate cabeça e perde o tempo, tá batendo fora do ritmo. Oi? Quê? É isso mesmo, eles têm uma tendência de metal progressivo e mathcore (batidas "fora de tempo") junto do metalcore. Ah, na boa? Escuta e vai bater cabeça, bater pé, fazer air guitar, etc e tal. O álbum é legal demais pra ficar confabulando. tinham lançado dois EPs antes) e depois da turnê o vocalista e o baixista foram embora. Os membros novos deram um gás (que dura até hoje) na banda. Mas mesmo o Thrill Seeker é uma obra bem feita, pode conferir sem medo de achar que o capeta vai aparecer entre um gutural e outro.
Como todo core, é um som pesado, direto, seco, gritado na sua orelha como um pedido de urgência, talvez porque as letras tenham temática cristã, mas independente disso são bem contundentes. E tem esses diferenciais que eu citei, mas que você só vai entender se ouvir, na boa. Dito isso, esse é apenas o primeiro full album deles (

Jhonata Fernandes: Antes de começar, quero dizer que acho toda essa list muito injusta, por mais que tenha ajudado a formá-la. Mas, isso não vem ao caso. Acredito que o único motivo pela qual o Thrill Seeker está na última colocação de uma lista de melhores do ano é que, este foi o primeiro álbum completo da banda. Haviam lançado o Looks Fragile After All EP em 2003 e o August Burns Red EP em 2004 com outro vocalista, mas este, foi o primeiro completo e oficial. Eu não tenho mais muita coisa para acrescentar porque o meu colega Phil já disse tudo. Portanto, acho importante enfatizar duas coisas importantes sobre este disco: 1) ele é simples e 2) por mais que você duvide, ele é simples.

9º Lugar: Devils & Dust  - Bruce Springsteen

Tiago Abreu: Bruce é daqueles músicos que sempre, ao lançarem um disco, estarão dentre os destaques de um ano. Com Devils & Dust não é nada diferente. Conhecido por fazer muito com menos, o disco contém várias narrativas interligadas de forma muito tênue. Bruce já é conhecido por fazer obras neste molde, como Nebraska (1982). Assim como o registro supracitado, Devils & Dust consegue trazer o frescor das composições de Springsteen e se firmar dentre os melhores discos do ano.

Phil Santos: Esse álbum é legal. Deu pra dormir com ele. Explico: o ouvi pela primeira vez num dia estressado. A sonoridade acústica e introspectiva me acalmou. Me lembra um caminhoneiro seguindo viagem ao cair da tarde, a estrada vazia. Esse álbum não conta com a participação da querida E Street Band, e a maioria das composições é bem antiga, algumas datam até de 10 anos atrás. Vovô Bruce revirou as memórias, juntou velhos temas, fez outros novos, deu uma polida e empacotou nesse álbum. Belo álbum, que teve 5 indicações ao Grammy, vencendo como Melhor Performance Vocal de Artista Solo de Rock, com a faixa-título do álbum.


8º Lugar: Try! - John Mayer Trio 

Tiago Abreu: John Mayer definitivamente não está dentre as coisas que eu costumo ouvir, mas o álbum Try! tem alguns arranjos interessantes. Logo na faixa-título, você já é introduzido numa guitarra bem grooveada e linhas de baixo de destaque. O grande ponto negativo são os vocais, mas convenhamos: a cozinha é impecável.

Phil Santos:  Aí mora o perigo. John Mayer ainda hoje tem o estigma de ser cantor romântico. Culpa dos Grammys dele que são de Your Body Is a Wonderland e de Daughters. As mulheres gritam quando ele faz algum solo de guitarra, e olhe que esse ou qualquer solo é bem bom, vindo das mãos de um filho do blues e rock (Stevie Ray Vaughan, Jimi Hendrix, Albert King...), só que geralmente com uma pegada pop. O Try! precedeu o álbum que hoje é o queridinho da galera, o Continuum
(2006), porém hoje falamos de 2005 e o John Mayer Trio (JM3) é um projeto paralelo do John junto com ~Faustão mode on~ as feras Pino Palladino e Steve Jordan. John tem uma banda grande pra tocar seu projeto solo, porém o trio é uma experimentação, é a essência jovial, energética e empolgada do rock junto da classe e técnica do soul e blues, tanto que o JM3 toca covers de Hendrix e SRV, além de composições próprias do trio e versões (muito boas, por sinal) de músicas do próprio John. Mas aqui não tem pegada pop! Esse álbum é ao vivo, sem truques de estúdio, o que evidencia o talento dos músicos tanto em improvisos quando na timbragem dos instrumentos. Eu poderia passar horas falando, mas sou fã do trabalho do Mayer, então é melhor eu ficar quieto antes que comece a fazer divagações sobre a carreira e vida dele aqui.

Estevão Rockfeller: Malandro, quando falo que gosto de John Mayer sofro bullying por ele ser conhecido por fazer som de 'menininha'. Mas aí eu mostro esse álbum e todos se calam! Meu preferido dele, blues, solo, guitarra fritando. Recomendado a quem não conhece esse lado do John Mayer.

7º Lugar: Aerial - Kate Bush

Tiago Abreu: Antes disso, desencane de qualquer citação das chamadas “divas” do eletropop nesta lista de melhores. Continuando: música pop nunca me foi interessante, justamente por causa da maioria de seus ouvintes. Os artistas no mainstream deste gênero das últimas décadas também não ajudam. E é nas exceções que temos a veterana Kate Bush. “Descoberta” por David Gilmour no fim dos anos 70, Kate faz um pop muito bem produzido, arranjos bem construídos, com conteúdo! Sua participação nos melhores de 2005 é perfeitamente justificada com Aerial, disco que marca o retorno de Kate após doze anos sem um registro de inéditas. A obra, com poucas faixas, possui uma sonoridade densa, com bom uso de sintetizadores, piano e letras nem um pouco acessíveis. O disco é duplo, e em uma de suas partes, é completamente conceitual. Aqui vemos tudo o que se espera de Bush: emoção, profundidade, além de versos românticos, e ao mesmo tempo relativo ao cosmos. Desta forma, Aerial mergulha no melhor que Kate pode oferecer, ignorando toda a efemeridade e modismos do pop feito naquela época.

Phil Santos: Confesso que não captei a essência de Kate. Na real, eu nem a conhecia antes dessa lista. É pop, mas não tem nada a ver com o que a gente chama hoje de pop. É algo muito mais profundo, poético, humano (apesar de etéreo). No meio de uma lista com tanto rock (que ainda era o mainstream da época) esse álbum quebra a sequência de distorções. Aliás ela não é nem um pouco mainstream, o que me deixa feliz porque não se precisou depender de mídia pra ver como ela é incrivelmente talentosa. E eu acho que poderia ir mais além nas minhas definições se eu tivesse escutado mais, ou se minhas últimas audições fossem assim mais complexas.


6º Lugar: Nothing Is Sound - Switchfoot

Tiago Abreu: Ah, Switchfoot numa lista de melhores de 2005 é um exagero abismal. Sim, Nothing Is Sound é um disco razoável, mas não passa disso. Nem está dentre os melhores do próprio Switchfoot. A banda é, claramente, esforçada e boa. Mas nada que justifique sua presença aqui.

Phil Santos: Eu ainda tô tentando entender o que Switchfoot está fazendo nessa lista. Ô Abreu! Acho que a gente descartou algum álbum que não deveria ter saído da lista e esquecemos esse aqui dentro de casa! ~ lê correndo atrás do caminhão de lixo ~

Jhonata Fernandes: Sou um grande fã do Switchfoot.  Fã daqueles que passa o dia ouvindo os caras
e que pira toda vez que ouve. Discordo dos meus amigos que esse álbum não merecia estar aqui. Ele merecia e merece (até) estar mais acima. E não digo isso (só) porque sou fã, mas porque reconheço (eu e uma paulada de gente, basta 'cê' sair um pouco da websfera brasileira e procurar entender como um disco que já saiu sendo o número três no Top200 da  Billboard, recebeu disco de ouro tendo mais de 500.000 cópias vendidas e ficou em 1º lugar no Top Christian Albums pode ser ruim. Pelo amor né!?) a qualidade do disco. (bom, já disse tudo no último parentese)

5º Lugar: In Your Honor - Foo Fighters

Tiago Abreu: O Foo Fighters não possui nenhum álbum que seja realmente um clássico. Talvez, Wasting Light (2011) pode ser considerada sua obra prima. Mas, lá nos idos de 2000, a banda vinha de um bom momento, crescendo sua popularidade e tentando se estabelecer mais e mais. Em contrapartida, o disco que produziram em 2001, regravado e lançado em 2002, One by One, transmite uma séria crise de criatividade. Ao ouvir as composições, você nota que eles estão evidentemente cansados e entediados. A pausa do grupo fez bem, e em 2005, chegaram com um disco novamente enérgico. In Your Honor pode ser considerado, tranquilamente, como um dos três melhores trabalhos de sua curta discografia. A faixa-título, e seus riffs marcantes, dão início a um disco bastante consistente e que prende o ouvinte. Também é um pouco ousado pelo fato de ser duplo, comemorando dez anos de Foo Fighters.

Phil Santos: Foo Fighters é a banda mais sortuda do mundo. Se eles chegassem agora na mídia mundial e dissessem pros fãs "galera, vamos tirar umas férias de um ano, daqui a 365 dias a gente volta pra fazer um som pra vocês" todo mundo aceitava na boa, e aliás ia estourar cover deles pra todo lado. Dave Grohl parece ser outro que transforma em ouro tudo o que toca (se você já leu a biografia dele vai entender), mas é bom lembrar das tensões que rodearam o One by One (2002) e o fizeram ser um álbum cansado, com umas 4 músicas boas e o resto bem ruim. A banda quase acaba no meio do turbilhão de coisas! Mas deram um tempo e voltaram pro estúdio. Dave não quis fazer simplesmente um álbum de rock, queria algo especial, afinal era o 5º álbum e eram 10 anos de banda. Escreveram 40 músicas (15 acústicas) e as 20 melhores foram pro álbum duplo, metade elétrico e metade acústico. Se o One by One era direto, na cara, porradeiro e estressado, o In Your Honor foi variado, polido, colaborativo (os caras construíram e equiparam o estúdio novo de Dave juntos, melhorando a atmosfera da banda), com um timbre mais claro e composições mais complexas musicalmente. Os caras sabem o que fazem. Ficou um álbum bem bom, e de lá saiu o que é uma das canções mais aclamadas deles: Best Of You.

Estevão Rockfeller: Parece que eles tem uma fórmula para fazer boas músicas, não tem uma música ruim nesse álbum, um dos meus preferidos dele.

4º Lugar: Mezmerize - System of a Down

Tiago Abreu: Acho que o grande mérito do System of a Down, de fato, seja relembrar, dentro do mainstream, que o rock (e especialmente o metal) não precisa (e não deve, muitas das vezes) ser politicamente correto. Muitas guitarras, peso e velocidade definem este disco que é estupidamente forte e autodepreciativo. O restante, certamente meus colegas vão falar.

Phil Santos:  É meio complicado falar de um álbum duplo que não é duplo. Mezmerize e Hypnotize são um álbum duplo que foram lançados em datas diferentes, porém ambos em 2005. Um completa o outro, até no desenho da capa. O Mezmerize é o primeiro registro desses dois, o que possui a maioria das canções conhecidas do público "leigo", como BYOB, Question, Lost In Hollywood e Radio/Video. Os caras da banda são compositores compulsivos, não são uma banda política (na verdade tratam de política, guerras, drogas, sexo, mulheres, e "dorgas": Kill Rock 'n Roll é um exemplo, é sobre um coelho atropelado pelo guitarrista) e são do mainstream sem produzir material estereotipado como mainstream, mas por fazer algo que ninguém faz: como rotular a banda? Metal alternativo? Hard Rock? Heavy Rock? Não acho que se encaixem em alguma estética. Apenas fazem um rock n' roll do bom, único, pesado e inovador. Na boa: deixemos os rótulos pra colar em garrafas! Quando lançaram o Mezmerize, o frissom causado por BYOB foi imediato. Jovem Pan e tocavam-na diariamente. O mesmo com Question. Na MTV nem se fala. O quê desse álbum é a mudança da sonoridade que já vinha igual em 3 álbuns e tava enchendo o saco, mesmo com toda a criatividade louca do Steal This Album! (álbum pós-Toxicity, o queridinho de todos, e o STA foi meio que uma entressafra). A bateria veio mais agressiva (porém ainda criativa), a guitarra mudou de Ibanez pra Gibson SG e ganhou uma afinação diferente (acredite em mim, isso muda muita coisa), Daron cantou bem mais, e o CD foi mixado mais redondinho, menos áspero, talvez daí saiu mais comercial e aparentemente "menos legal" que os anteriores. Rick Rubin assinou a produção deles, como de costume desde 1998. Premiações e menções em listas (como essa Emoticon grin) são apenas a cereja do bolo.
Transamérica

Estevão Rockfeller: Acredito que um álbum muito abaixo dos dois primeiros trabalhos do SOAD. Porém vendeu, é o que 'importa'.

Jhonata Fernandes: Sou tão poser de System of a Down que, ao invés de pôr o meu nome, eu deveria ter colocado em CapsLock O CARA QUE NÃO ENTENDE NADA DA BANDA. Mas eu entendo de música e música é o que esse álbum tem pra oferecer. B.Y.O.B (poser de SOAD que se preze tem que citar B.Y.O.B) foi a primeira música dos caras que eu ouvi e, de cara achei aquilo esquisitão e maneiro! (do jeito que o rock deve ser) Revenga e  Radio/Video abrem alas para um bom disco como este.

3º Lugar: Lullabies To Paralyze - Queens of the Stone Age

Tiago Abreu: Queens of the Stone Age é uma das poucas coisas, dos últimos anos, que é praticamente uma unanimidade. A banda, que estourou com o grande Rated R e veio com a parceria de Dave Ghrol em Songs for the Deaf, agora tinha um futuro incerto: a dupla original, cujas composições eram escritas, se desfez. Josh Homme demitiu Nick Oliveri. Mas, se você pensa que Lullabies To Paralyze é um disco desfalcado, se engana. A obra prova, de uma vez por todas, que Josh sempre foi o cérebro e a alma do QOTSA. O stoner rock bem tocado do grupo varia-se em composições curtas, sombrias, misturados a outras faixas longas e soberbas, em que Homme entrega todas as suas pretensões, fundindo uma sonoridade atípica e quente com interpretações viscerais e letras fantasmagóricas. Sim, isso continua sendo QOTSA, porque Queens é um homem só, apoiado por vários músicos.

Phil Santos: Josh Homme é o cara do rock. Um mito. Um gênio. Uma lenda. Tudo o que ele toca vira ouro. Tudo o que ele toca vira hit. E nós gostamos disso e pulamos bastante e cantamos bem alto, com toda certeza. (Só isso!)

Estevão Rockfeller: Diferente, épico, agradável, estranho, doido. Bela obra de arte, gênios do Rock!

2º Lugar: Get Behind Me Satan - The White Stripes

Tiago Abreu: Quando você vê uma dupla como Jack e Meg White fazendo uma música imprevisível em pleno século XXI – desculpem-me, sou daqueles rabugentos que sempre dá valor maior ao que é mais antigo – é de se admirar. O duo, que vem dos EUA, mas não faz música farofa, precisava dar sequência ao tão elogiado, aclamado e unânime Elephant, cuja tarefa não era nada fácil. Get Behind Me Satan segura a peteca com proficiência, com maior variedade de instrumentos. Vale destacar a capacidade da banda em desconstruir qualquer expectativa que você tem a respeito deles. Os vocais de Jack, em muitas das vezes, me lembram Robert Plant nos últimos discos do Led, e a faixa que encerra o disco, “I'm Lonely (But I Ain't That Lonely Yet)”, tem uma intro que me lembra, vagamente, “Changes”, do Black Sabbath.

Phil Santos: Será que falar bem de White Stripes é chover no molhado? Olhe só, eu sou basshead (o tipo de cara que AMA som de baixo e sons graves), mas na boa, White Stripes tem licença poética pra fazer o que faz sem precisar de baixista. Jack é incrível e Meg é uma "seguradora de onda" muito boa, se é que esse termo existe. Ficou ainda mais latente pra mim o tipo de aura criativa que rola entre eles depois que eu assisti It Might Get Loud!, um documentário sobre a relação de 3 guitarristas com o instrumento. Sem spoilers aqui! Vai procurar que o negócio é bom DEMAIS. E justamente toda essa aura se estendeu ao Get Behind Me Satan, ainda mais porque um grande problema de bandas em geral é, quando lança um sucesso, conseguir se manter na crista da onda ou até superar o feito. Não é fácil. E White Stripes sambava na cara da gente com cada disco lançado. (sdds)

1º Lugar: Chaos and Creation in the Backyard - Paul McCartney

Tiago Abreu: Falar de McCartney não é fácil, e para entender o sentimento do álbum Chaos and Creation in the Backyard, é necessário revisitar os discos solo anteriores do cantor. Os anos 80, e a primeira metade dos anos 90 foram péssimos para Paul. De grandes músicas e discos com os Beatles e Wings, o artista tornou-se numa criatura praticamente irrelevante no cenário musical, pois nenhum disco seu apresentava consistência e repertório marcante. As coisas mudaram quando, junto a Ringo e George Harrison, trabalhou na antologia dos Beatles, em 1996. Isso reascendeu o seu espírito criativo, produzido o grande Flaming Pie (1997). Depois desse disco, mais introspectivo e de arranjos mais marcantes, finalmente Paul McCartney encontrou a direção correta para sua carreira solo e se tornou um músico interessante outra vez. No entanto, outras fatalidades ocorreram em sua vida e são latentes na orgânica do disco: a morte da esposa em 1998 e de George Harrison em 2001 para o câncer, a chegada dos sessenta anos de idade, o novo casamento, e as reflexões sobre a vida e a morte (que, a cada ano, soava e soa mais próxima). Se Driving Rain (2001) já possui estes elementos recorrentes de Flaming Pie, em Chaos and Creation in the Backyard, os pensamentos são aprofundados e carregados de uma sonoridade complexa, lenta, por vezes bastante densa. Produzido por Nigel Godrich, conhecido por suas atuações com o Radiohead, o disco apresenta Paul tocando todos os instrumentos. Ou seja: se Driving Rain, ou o sucessor Memory Almost Full (2007) são discos ainda com a ‘cara’ de banda, em Chaos é McCartney no extremo de sua simplicidade e no controle dos timbres do trabalho, que possui pouquíssimos pontos baixos. Destaque para “Too Much Rain” e sua belíssima letra, a musicalidade de “How Kind of You” e “Friends to Go”, claramente influenciada pelo estilo de Harrison, em homenagem ao ex-beatle. Se você ainda não parou para ouvir a discografia de McCartney, sugiro que, além dos primeiros discos solo e os trabalhos com os Wings, esteja atento ao que ele tem feito desde 1997.

Phil Santos: Vovô Paul me surpreendeu. Quero dizer, eu nem sou tããão fã de Beatles (podem me crucificar), mas eu nunca tinha o escutado. Comecei bem pelo visto. Nem coloquei esse álbum na liderança, mas ele é um álbum muito bom. Cara, bem feito demais. Curti muito!

Concorda? Discorda? Deixe sua opinião aí galeres bonita!!!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Análise: CD "Continuum" - John Mayer

"First record, get 'em in.
Second record, make them think.
Third record... crush 'em."

2006. Surgia nas lojas um álbum todo cinza. As vendas do dito cujo cresciam vertiginosamente. As identificações com suas músicas também.

Primeiro álbum, atraia-os. Com o Room For Squares, John Mayer trouxe uma sonoridade pop rock bem chiclete, e não havia nada a fazer, a não ser curtir e ouvir mais e mais.
Segundo álbum, faça-os pensar. Com o Heavier Things, ele amadureceu musicalmente e principalmente liricamente, e acho que vocês viram o quanto eu fui prolixo tentando explicar o que eu pensava sobre as canções dele. Definitivamente me fez pensar, e muito, tanto que tem coisa que eu escrevi na postagem que eu já duvido se hoje penso assim. (até acho que devaneei demais da conta, me perdoem).
Terceiro álbum... esmague-os, acabe com eles. Justo... o terceiro álbum veio pra acabar com as almas de todo mundo, passar uma rasteira e finalizar com uma chave de ouvido pra ninguém mais aguentar e se entregar logo! Não à toa, o Continuum ainda hoje é o queridinho da galera. Os vocais levemente sussurrados enquanto cantados são bem firmes, mais controlados (e com menos ar, hehe) que nos álbuns anteriores, e a tradição R&B vem lado a lado com Soul e mais Blues. Fica parecendo que ele enganou todo mundo quando lá no início ficava no rock acústico, na zona de conforto do seu violão, pra chegar agora e botar uma bela duma bomba nos nossos ouvidos. Como se não bastasse, tivemos mais dois Grammy para o moço: dessa vez, Melhor Álbum Vocal de Pop para o Continuum e Melhor Performance Vocal Masculina de Pop para a canção "Waiting On The World To Change". (Ele não se cansa, né?)

Aos fãs de John Mayer, um pequeno alerta: não falarei (não agora) sobre o JM3. Por quê? Porque estou cobrindo os álbuns dele em carreira solo. Porém a todos é necessário dizer umas coisas. John Mayer Trio é importantíssimo pois através da parceria paralela com Steve Jordan e Pino Palladino, John pôde explorar outras sonoridades e evoluiu bastante musicalmente. Isso fica ainda mais notório ao vivo e chega ao ápice em 2007, mas esse ano fica pra depois, haha. O fato é que essa experiência serviu como escape do pop (e, portanto, do estigma de cantor romântico pop chiclete mainstream de canções como "Your Body Is a Wonderland" e "Daughters") e o rumo bem blueseiro cheio de atitude deve ter sido uma injeção de ânimo e inspiração pra John, de forma que chegou chegando no Continuum. O álbum, aliás, não tem nenhuma canção muito acelerada (contrastando de canções com clima aventureiro de "Try!" do JM3), fica bem tranquilo. E antes que eu esqueça: fandom do John, não me matem se discordarem de algo aqui, ok? :D

[Mas o que eu posso dizer aos fãs? "Got a brand new blues that I can't explain. Who did you think I was?" Aqui vocês entenderam, sim!]

É importante dizer que diversas outras parcerias também fizeram John evoluir bastante. A do JM3 produziu um grande material, mas entre 2004 e 2006 ele conheceu e conviveu com bastante gente importante dentro da música. Cantores, musicistas, produtores. Ele mudou bastante. Pra melhor! Falando de voz, o próprio John afirma em entrevistas que no Continuum ele encontrou sua voz definitiva. Dali para diante, ele utilizaria esta forma de cantar como base para sua carreira, e assim tem sido (na medida do possível, enquanto a idade passa pouquinho a pouquinho).

Bem, as sessões de gravação para o álbum ocorreram entre Novembro de 2005 a Setembro de 2006 no The Village Recorder, em Los Angeles, Califórnia; Avatar Studios e Right Track/Sound em Nova Iorque; e Royal Studios em Memphis, Tennessee. Steve Jordan e o próprio Mayer assinaram a produção. E é melhor eu parar aqui e começar a análise faixa a faixa, ou vou ficar só falando, falando, falando, sem chegar a lugar nenhum, enquanto devaneio mentalmente admirando o álbum. Let's go!


















À esquerda, a primeira capa do "Continuum". À direita, uma das capas alternativas.


Começando com "Waiting On The World To Change". Reflexiva e admirativa. O solo é baseado num lick de Jimi Hendrix, num tom diferente. Ela fala de ter esperança de vivermos um mundo melhor. É realmente muito bonita, mesmo pra quem não curte o estilo do John. E que tem um belo clipe, por sinal.
Em seguida, "I Don't Trust Myself (With Loving You)". Homens, podem incluir esta num encontro a dois. Mulheres, cuidado com os homens que escolherem essa canção. Haha. É apaixonante, diria até levemente sensual. Por outro lado, pode ter uma cara de dúvidas em um relacionamento quebrado, mas não acho que vá por aí.
"Belief" foi a primeira canção de John que ouvi (sabendo que era ele) e desde então é uma de minhas favoritas de todos os álbuns dele. Fala da guerra (perdida) que fazemos quando queremos impôr nossas convicções a outras pessoas. Observação social! É reflexiva, mas um tanto alegre. E a guitarra é crucial aqui, tanto o riff que acompanha a música quanto o solo bem marcante, pra mim tem um jeito meio Sting.
"Gravity" é uma canção importantíssima. Lançada em single, ela tem muito soul, e com isso me refiro tanto à influência do ritmo soul como o fato da canção ter bastante alma mesmo. O riff inicial é bastante tocante e marcante, assim como o solo. Pode parecer que em estúdio ela não é tão poderosa, mas ao vivo seu potencial vai longe. (Na verdade, John se transforma em outro bicho ao vivo, é absurdamente fantástico.) Ah, e temos Alicia Keys vocalizando no fim da música, coisa singela, mas bonita. Vai ouvir e esquece meu texto, hehe.
A propósito: "Just keep me where the light is" é trecho da canção e uma frase bastante tatuada por aí. Pode ser uma inspiração pra sua próxima (ou primeira) tatoo, que tal?
Adiante vem "Heart Of Life". Uma canção fofa, envolvente e restauradora quando se está com algum probleminha na vida. Boa pra enxugar lágrimas, levantar a cabeça e ver que a vida (ainda) é bela. Tranquilona, simples, guitarras e voz (e uns samplers no fundo), só. Pra que mais? ;)
"Vultures" foi gravada primeiro no "Try!", que como falei é álbum do John Mayer Trio (e ao vivo). Mas ele deu um tapa na composição e botou no Continuum. Os vocais aqui são bem marcantes, e novamente o riff de guitarra (atenção guitarristas intermediários, essa é bem fácil de tocar) prende a atenção, ditando o rumo da canção.
E aí vem a canção que é pra mim (e pra muitos outros) um hino de uma geração... seja qual geração for: "Stop This Train". Essa canção é universal, sobre crescer, amadurecer, muitas vezes inesperadamente. É o trem da vida, e da vida de cada um. Por isso serve pra qualquer geração. Se daria pra trazer uma citação pra cá (sendo a letra toda incrível!), pra mim seria esse trecho aqui: 

"So scared of getting older
I'm only good at being young
So I play the numbers game
To find a way to say that life has just begun"

Um momento, por favor. A próxima canção é parada dura. "Slow Dancing In A Burning Room" não é conhecida por ser o melhor não-single dele por acaso. (Talvez por culpa do Where The Light Is, que eu cito mais à frente, mas mesmo em estúdio ela é divinamente interpretada). A canção é dolorosa, descreve bem o fim de um relacionamento, mas John escreve de forma... lenta e dolorosa, rs. Quer dizer, posso estar enganado, mas a sensação que eu tenho é que ele dá detalhes sem avançar demais na história, como quem corta com uma faca querendo aproveitar cada centímetro da lâmina. Tristemente linda, mesmo dolorosa é uma canção bonita demais, muito aclamada (e chorada) pelas fãs. (Se vc mandar essa música como "presente" pra alguém que você gosta, vou te chamar de zé ruela eternamente, kkkk.)
E agora vou fazer um review de Jimi Hendrix. É que "Bold As Love" é do segundo álbum do gênio da guitarra, e Mayer faz um cover aqui. Belo cover, por sinal. Fazendo jus aos tempos psicodélicos, Hendrix faz um paralelo entre cores e sentimentos, nomeando sentimentos pra cada cor do arco-íris dentro de uma história. John não mexe demais na composição (ainda bem, porque isso seria heresia) e apenas dá uma cara diferente, muito boa. Falar de riffs e solos seria clichê já que estamos falando do maior guitar hero de todos os tempos, e de um super fã dele o interpretando. Atenção guitarristas, essa é uma grande pedida pra estudar, hein?
As próximas canções levam uma linha ainda mais melódica que as anteriores. "Dreaming With a Broken Heart" pode ser considerada melodramática, mas chega bem perto da expressão máxima da dor de um relacionamento quebrado - em muitos pedaços. Deitar e dormir com o coração partido, e ainda ter que acordar no outro dia e tentar viver normalmente. John se mostrou um letrista com bastante sensibilidade, e isso é admirável. Apesar disso, ainda não consigo vê-la sem achar que destoa das outras canções, não a curto tanto.
"In Repair" é realmente adorável, mas vejo pouco reconhecimento dado a ela, tanto quanto "Come Back To Bed" do álbum anterior. É tanto apreciativa quanto reflexiva, perfeita pros dias mais estressantes. Curto bastante o seu solo de guitarra! Essa segue a linha de mudança de vida de "Heart Of Life" de uma maneira diferente, mais pessoal, porém. Ele vai admitindo que está ruim e tem muito a fazer pra ficar bem, mas vai com calma. 

"Oh, está demorando demais!
Eu poderia estar errado. Eu poderia estar pronto.
Oh, mas se eu seguir o conselho do meu coração,
eu deveria assumir que ele ainda está instável.
Eu estou em conserto..."

Finalizando, temos uma maravilha do slow blues. "I'm Gonna Find Another You" foi baseada no mestre B. B. King (o solo já dá indícios, mas numa jam com Jools Holland ele fala de B. B. King e em seguida toca um trecho dessa canção)(a propósito, mr. King, um dos reis do blues: que Deus o tenha). É um fim de relacionamento de um ponto de vista interessante, é sobre achar um outro alguém pra chamar de "você". O alvo do artista. A musa inspiradora. O carinha que atrai suspiros. Aquele "você" das letras de canção, o "você" que se ama e se derrete todo, e que se dedica cada nota de um solo. "Você (aqui é ainda o antigo "você") pode ter suas razões, mas você nunca terá minhas rimas. Eu vou cantar meu caminho para longe da tristeza... eu vou encontrar outra 'você'." A Gibson L5 grita e esperneia ~com classe~ durante os licks e o solo. Finalizou com estilo, com presença, e com um futuro promissor: se você acha que o Continuum é incrível, espera só até ver o que John fez ao vivo um ano depois...

Bem, vou dar uma (grande) pista: a fera se chama Where The Light Is, tem completo no Youtube pra assistir (e no 4shared em mp3) e eu recomendo fortemente que você se jogue de vez assim que acabar de ler essa postagem (e logo após comentar aí embaixo, obrigado!).


  • Letras: 10
  • Produção: 10
  • Projeto Gráfico: 8
  • Interpretação: 9