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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Análise: CD "Los Hermanos" - Los Hermanos

Em 1999, a banda Los Hermanos surgia no cenário nacional como algo inovador e tipicamente brasileiro. Ainda em época de gravadoras, o álbum recebeu disco de ouro pelas mais de 100 mil cópias vendidas. Outras fontes dizem que o álbum vendeu mais de 350 mil cópias [1]. O álbum homônimo de estreia tem ritmos predominantes de  hardcore e o skacore e uma pegada carioca brasileira com marchinhas de carnaval. A banda composta por Marcelo Camelo (voz e guitarra), Rodrigo Amarnte (Flauta transversal e voz), Patrick Laplan (baixo), Rodrigo Barba (bateria), e Bruno Medina (teclados) pôs 14 músicas em um disco que aparentemente seria só mais um de rock entre muitos. Na época de lançamento desse disco eu tinha apenas 3 anos, mas lembro que quando eu tinha 6, ouvia "Anna Julia" na rádio e ficava dançando (desjeitosamente, claro). Eu poderia falar muito desse álbum, mas prefiro dá todo crédito ao blog Her(mania) que fez uma resenha super bacana do disco em 2011 e agora nos é muito útil. 

  • Tenha Dó
O disco já começa mostrando sua face: as letras são, numa maioria, sobre amor. Amor perdido, amor feliz, amor triste, traição… Tenha Dó, em especial, carrega uma pitada amarga de rancor. A música, em comparação com as outras do disco, tem um ritmo mais sereno (se é que se pode dizer isso!) apesar de acelerado. Os sopros marcam a canção do início ao fim.
Frase Marcante: “Tenha dó! Não mereces o afago nem de Deus nem do diabo”.
  • Descoberta
O rancor continua em Descoberta. Na letra, Marcelo manda embora a “amada”, por alegar não conseguir mais dar seu amor a ela. A música exige muito da voz do cantor em alguns pontos. Tem uns arranjos bem legais no fim. Mas quando você pensa que acabou… o refrão é gritado de novo! É contagiante.
Frase Marcante: “Hoje, vivo muito bem sem tua boca, e, sozinho, não conheço mais a dor”.
  • Anna Julia
Anna Julia dispensa comentários. Se você perguntar a qualquer brasileiro: “conhece Los Hermanos?” e ele disser que não, cante o refrão dessa música, e eu tenho 101% de certeza que você será acompanhado. As pessoas podem até não fazer ideia de quem seja Bruno Medina, Rodrigo Barba, Rodrigo Amarante ou Marcelo Camelo, mas com certeza conhecem muito bem a Anna Julia. A música já levou os meninos até a tocar pra 80mil(!!!!) pessoas no início da carreira, coisa que era totalmente IMPOSSÍVEL pra uma banda de rock estreante, até então. Marcou uma geração inteira, e muito mais!
Frase Marcante: “Ohhhh Anna Juliaaaaaaaaaaaaaaa-a-a-aaaa!!!”
  • Quem Sabe
Uma das poucas músicas escritas e cantadas por Rodrigo Amarante em Los Hermanos: nesse disco, foram apenas duas! A canção não foge ao tom de mágoa que o CD carrega. A gente pode até não saber o que é ter e perder alguém, mas com o Amarante cantando assim, dá até pra imaginar! Uma das poucas músicas do primeiro álbum que continuaram sendo tocadas com uma frequência razoável, até depois do lançamento de 4 (quarto e último disco da banda, antes do hiato em 2007).
Frase Marcante: “Quem sabe o que é ter e perder alguém sente a dor que senti”. 
  • Pierrot
Minha gente… Nunca antes na história desse país, um número tão grande de pessoas veio a saber o significado da palavra Pierrot!! “Pi… o que???” Se antes o termo era completamente desconhecido da maioria da população, depois do lançamento dessa canção, até palavras como Colombina e Arlequim ficaram íntimas do vocabulário do brasileiro. São os Hermanos trazendo cultura!
Frase Marcante: “O Pierrot apaixonado chora pelo amor da Cooooooooolombina”.
  • Azedume
Até quem não gosta do estilo meio hardcore se rende à Azedume. A letra impecável e a interpretação quase visceral de Camelo são um convite (irrecusável) a ouvir a música até o final e se apaixonar. 
Frase Marcante: “Se hoje, sem você, eu sofro tanto, tens, no meu pranto, a certeza de um amor”. (Quanta vírgula hein, Camelo!)
  • Lágrimas Sofridas
Tá pra ser composta outra música com um arranjo tão legal quanto o de Lágrimas sofridas. As batidinhas com um estilo meio reggae se misturam perfeitamente com as guitarras pesadas e bateria alucinada. Quem diria, hein? A letra ficou conhecidíssima, não só entre os fãs, mas entre a população em geral. Uma música muito memorável. Vale a pena MESMO escutar.
Frase Marcante: “Dei pra ti as estrelas, os peixinhos e as aves. Todas as montanhas… das escalas, dei as claves”.
  • Primavera
Primavera tem um estilo muito diferente do resto do disco todo. O solo de saxofone arrepia os pelos da nuca e toca a alma de verdade! A canção ainda ganhou um clipe muito bonito. 
Frase Marcante: “Primavera se foi, e com ela, meu amor”.
  • Vai Embora
A música atiçou os críticos na época, por ser meio contraditória: o título pede: “vai embora”, enquanto a letra diz: “agora que se foi, eu sofro tanto sem teu amor!”. O ritmo começa pesado e evolui pra uma coisa mais clássica.
Frase Marcante: "Minha linda, teu amor não vale tudo que passei".
  • Sem Ter Você
Alguns tiram sarro: Sem Ter Você é uma versão mais animada e otimista de Vai Embora. Isso, porque alguns trechos das duas músicas são muito parecidos. Nesta, “eu sofro tanto sem ter você”, e naquela “eu sofro tanto sem teu amor”. Ainda assim, é uma música ótima pra escutar, pelo ritmo animado e feliz.
Frase Marcante: “Alegria é poder olhar seus olhos e dizer que será sempre minha”. 
  • Onze Dias
Segunda e última música de Amarante no álbum. A canção marca pela falta de grandes floreios. É o que é, pronto. Já ouvi muita gente dizer que escuta ansioso pelas partes onde o Amarante pergunta “tudo bem?” e “certinho?”. E o que tem por aí de fã desse “certinho?” não é brincadeira…
Frase Marcante: “Eu descobri um mundo teu, e ele é manso”.
  • Aline
Aline se destaca por ter bateria e guitarras pesadas, como nas outras faixas do álbum, mas sem o tom de mágoa, melancolia ou rancor. Uma música agitada que dá vontade de balançar a cabeça e o corpo todo! Pena que seja tão curtinha: a faixa tem apenas humildes um minuto e dezesseis segundos.
Frase Marcante: “Sem você, prefiro a solidão a sete palmos do chão”.
  • Outro Alguém
A canção começa com um ritmo arranhado meio futurista, mas logo mostra as garrinhas do estilo do CD. Camelo se encarrega da parte mais pesada da música, enquanto Amarante faz uma espécie de backing, repetindo calmamente o título da música.
Frase Marcante: “Outro alguéééém, outro alguééém, outro alguéééém, outro alguéééém…” (Vai falar que você não fica repetindo isso também?)
  •  Bárbara
Los Hermanos fizeram a proeza de conseguir colocar TRÊS(!) músicas com nome de mulher em apenas um ÚNICO(!!!) disco. Claro, a história delas é muito diferente. Os Hermanos têm, ainda, “extracurricularmente” outras músicas que têm como título, nomes femininos: Melissa, Gabriela… Tem pra todos os gostos. Nessa, em especial, ele apela: “Bárbara, não maltrate meu amigo!”. É uma música que fica na cabeça, não tem jeito. E é com esse apelo que o álbum Los Hermanos se despede. Um trabalho que foi um completo sucesso. Nossos barbudinhos têm mesmo canções pra todos os gostos!
Frase Marcante: “Há muito, uma menina vem maltratando o coração de um amigo meu…”
[1] http://hermania.tumblr.com/post/14823063922/resenha-musical-los-hermanos-%C3%A1lbum

quarta-feira, 29 de julho de 2015

10 Melhores álbuns brazucas que comemoram uma década neste ano (2015)

O 1º semestre do ano de 2015 já passou e alguns lançamentos nos surpreenderam e outros ainda virão por aí. Mas o nosso blog teve a ideia de listar os 10 melhores álbuns brazucas lançados em 2005 que comemoram uma década neste ano. Confessamos que foi uma tarefa difícil e talvez alguns artistas tenham ficado de fora, mas esperamos ter colocado os mais importantes também. Foi feita uma seleção com os principais trabalhos lançados em 2005 e depois foi feita uma seletiva até ficarem os 10 melhores. Os críticos montaram a própria lista sendo que o 1º colocado de cada lista ganharia 10pts. e os demais iam ganhando 9, 8, 7 e assim seguindo a ordem até o 10º colocado, que ficaria apenas com 1pt. No final foi somado os pontos e montado o TOP10.

Nessa edição contamos com a participação especial do crítico Tiago Abreu, colunista e editor no Portal O Propagador que nos ajudou a escolher os 10 e comentar cada um deles. Logo abaixo estão os discos da 10ª a 1ª colocação e os comentários dos nossos blogueiros. Vamos a lista!

10º Lugar: Grandes Infiéis - Violins

Tiago Abreu: Este disco particularmente, me é um dos três melhores de 2005. A Violins é uma banda de Goiânia com mais de dez anos de carreira, vários discos lançados, e essas informações poderiam se confundir com o currículo de qualquer banda bem-sucedida no mercado (e mercado no sentido literal da palavra). Mas o fato de ser independente apenas abrilhanta sua posição, pois 2005 foi um ano terrível para a cena nacional. As composições da Violins são maduras, bem trabalhadas, tem letras muito complexas. Sua sonoridade não é fria e totalmente descompromissada, mas também não é quente comercialmente falando. Novamente, isso não é negativo, e apenas afasta os menos atentos a suas propostas. Certamente, é um grupo que deveria ser mais reconhecido, e que deveria estar no primeiro lugar desta lista. No mais, apenas digo que "Angelus" é a melhor música sobre ateísmo que eu já ouvi, até o momento em que escrevo.


9º Lugar: Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências - Cidadão Instigado

Tiago Abreu: O Cidadão Instigado, como projeto capitaneado por Fernando Catatau, chega com um dos melhores trabalhos do ano, com a devida justiça. Com uma sonoridade muito eclética, com influências do rock psicodélico, nota-se uma textura muito retrô nas composições, arranjos vocais e teclados utilizados, se repetindo em várias faixas. Uma curiosidade sobre a banda, especialmente aos cristãos que acessam o site: um de seus ex-integrantes, Amaury Fontenele, foi um dos melhores produtores musicais que já circulou pelo meio 'gospel'. Algumas de suas obras podem ser encontradas nas discografias de Fruto Sagrado, Brother Simion, Luciano Manga e outros.






8º Lugar: WARderley - U.D.R.

Tiago Abreu: Você pode estar achando que U.D.R. numa lista de melhores discos é uma piada. Mas não é. E preciso justificar: U.D.R. é uma das coisas mais geniais que surgiram na cena musical brasileira após os Raimundos. E não exagero: Essa galerinha cultuada como “inovadores” a exemplo de Cansei de ser Sexy, Bonde do Rolê, por mais que neguem, são influenciados pela U.D.R. E, meus caros, convenhamos, até pra fazer música ruim uma banda deve ser boa. É exatamente que vemos neste trio, formado por Professor Aquaplay, MS Barney e MC Carvão. As letras falam sim de anticristianismo, satanismo, transexualidade, zoofilia, coprofilia, benzina e uma série de temáticas politicamente incorretas, regadas a uma sonoridade criada, em grande parte, no Fruity Loops. Mas os versos são tão bem construídos, com uma sátira tão peculiar, que o fato de serem tão zoados soa incrível. Porém, é de imensa ingenuidade pensar que eles estão a simplesmente vomitar estes temas em seus ouvidos como uma brincadeira de mau gosto. Na música da U.D.R., há muito o que refletir acerca da violência e as condutas consideradas desviantes do nosso conceito confuso (e hipócrita) de normalidade. Os músicos sabem disso, pois possuem formação acadêmica na área de humanas. Enfim, há de se destacar a influência escrachada de Mano Brown (Racionais MC's) na longa "Avião Brutal do Scat", a homenagem a Rogério Skylab em “Você é Burro”,a paródia divertidíssima do Muse em "Rock and Roll Anticósmico da Morte" (quem mais seria capaz de fazer uma letra satânica em cima de um arranjo do Muse além da U.D.R.?) e “Clube Tião Caminhoneiro Hell”, com sua sonoridade contagiante. Enfim, o disco é um recheado de clássicos, como "O Cais", "Gigolô Autodidata", "Dança do Bukkake" e "Som de Natal", mostrando que a banda era realmente forte, como mostraram no disco Jamo Brazilian Voodoo Macumba Kung Fu... São 66 faixas (sim, várias delas com 6 segundos de duração). Sinceramente, se você ouve U.D.R. e se sente ofendido, é justamente pessoas como você que a banda quer criticar. 

7º Lugar: Casa dos Espelhos – Rosa de Saron

Tiago Abreu: O Rosa de Saron, com a entrada de Guilherme de Sá, sofreu uma evolução constante. Casa dos Espelhos é o registro deste gradual amadurecimento, embora eu, particularmente, ache que não é suficiente para figurar uma lista de melhores álbuns do ano (mas convenhamos, 2005 foi um ano tão ruim que nem soa absurdo esta obra aqui, em relação a outros discos que vocês verão dentre os primeiros). O trabalho é introspectivo, musicalmente suave, o que se espera de um trabalho do Rosa de Saron. No entanto, creio que a produção musical deixa a desejar. O timbre da bateria também não é lá dos melhores, e os graves tem pouca evidência.

Jhonata Fernandes: A mudança de estilo da banda Rosa de Saron não foi motivo para deixar os fãs chateados ou começarem a atirar pedras na banda. Muito pelo contrário: a banda que outrora (com o Marcelo Machado nos vocais) era considerada do estilo heavy metal, passou a ser alternativa e mais pop-rock em sua sonoridade com a entrada do Guilherme de Sá nos vocais, o que agradou muita gente. Eu sou (muito) suspeito em falar desse disco porque marcou boa parte da minha transição de adolescente para adulto e, considero este um dos melhores discos da banda (o 5º melhor pra ser mais específico). Músicas como "Sem Você", "As dores do silêncio", "Amor Sincero" e "Lembranças", são um dos principais hits da banda. Uma curiosidade sobre este disco: ele iria se chamar "Além do meu jardim" que é uma das faixas do álbum, mas como a banda Oficina G3 lançou no mesmo ano o "Além do que os olhos podem ver", a banda achou melhor desistir do título para não dá a impressão de que houve plágio de uma outra banda cristã. 

6º Lugar: Hoje - Os Paralamas do Sucesso
Tiago Abreu: Das bandas do rock nacional, a única que realmente não deixou a peteca cair, e seguiu uma regularidade na qualidade de seus discos foi Os Paralamas do Sucesso. O Titãs enfraqueceu-se muito desde Domingo (1995), Legião Urbana acabou, Capital Inicial virou uma piada, Raimundos perdeu seu mentor, enfim, uma série de fatalidades. Hoje é um disco cujas composições surgiram após o acidente de Herbert Vianna, mas mesmo assim não é musicalmente mórbido. Algumas letras, sim, são autobiográficas, e te fazem pensar sobre questões básicas da vida, como o poder de andar. Os arranjos de metais estão mais presentes, ao contrário do disco anterior, mais cru. 

Estevão Rockfeller: Ótima banda, não ouvi por completo mas o que ouvi me agradou.

5º Lugar: Livre para Voar – Chimarruts

Tiago Abreu: O disco do Chimarruts é uma fusão agradável de reggae e pop, trazendo todas as temáticas recorrentes do reggae: as raízes (“Roots Rock”), a crença em Jah (“Eu Tenho Fé”, “Jah Jamais Permitirá”) e a nateureza (“Lua Nova”). Livre para Viajar é aquele trabalho que apresenta exatamente o que se espera ao falar de reggae, e foi um trabalho razoável num ano bastante fraco de lançamentos.

Jhonata Fernandes: Livre para Voar me pegou de surpresa. Eu conhecia algumas músicas do grupo mas não sabia que iria me esbarrar com elas exatamente nesse álbum. Ouvindo enquanto discutia algumas ideias com os amigos, percebi que a banda é realmente boa no que se propõe fazer. Foi com certeza um dos melhores lançamentos do ano de 2005. Como uma banda underground, o Chimarruts representa e bem a cena. Destaco a bela canção "Versos Simples" que tem uma relação amena com uma fase da minha vida (que não teve nada a ver com namoro).

Estevão Rockfeller: Armaria, muito ruim!

4º Lugar: Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3

Tiago Abreu: Das bandas do mainstream, tirando Os Paralamas do Sucesso, Além do que os Olhos Podem Ver, da Oficina G3, é o único registro verdadeiramente honesto e que não é uma baixa (ou média) na carreira de um grupo. Considero como o segundo melhor disco da banda, perdendo apenas para o antológico Indiferença. Na verdade, a entrada de PG foi muito mal vista por parte do público, e o álbum O Tempoque é um trabalho bom, em sua proposta, e coeso – foi incompreendido, apesar das altas vendas. A sequência não foi tão boa assim, e lançaram Humanos, um disco com influências do new metal, pouco convincente, cheio de vícios, modismos da época, e um repertório inconsistente. Com a saída de PG, o trio remanescente acordou do comodismo e produziu um disco muito mais sério e "original". Com influências do metal progressivo, o disco é marcado pelo entrosamento entre Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos, acompanhados por Lufe e, em alguns momentos, Déio Tambasco. Afram surpreende nos vocais, e em momento algum nos deixa com saudade do ex-vocalista. As letras tratam da hipocrisia cristã, sem cair nos clichês antigos, com reflexões articuladas de forma mais trabalhada, sem muita religiosidade. Destaque para os contratempos cavernosos de "Réu ou Juiz", a letra de "A Lição" e a pegada 'bluezística' de "O Fim é só o Começo". Continuo considerando esse, Indiferença e Elektracustika, os melhores discos do Oficina, superiores ao superestimado e, em alguns momentos, chato, Depois da Guerra.

Jhonata Fernandes: Talvez esse seja o único disco dessa lista que eu discordo severamente de estar nessa posição. Para ser mais claro, considero o "Além do que os Olhos Podem Ver" um bom álbum, mas muito pior que "Hoje" dos Paralamas e "Casa dos Espelhos" do Rosa. Eu também não entendo a pressão louvadora que as pessoas colocam em cima desse trabalho pois, pra mim, ele continua sendo um Oficina forçado tentando fazer rock pesado além do que consegue [o nome desse álbum poderia ser perfeitamente "Além do que o Oficina consegue ser"]. Mas, nem tudo são pedras: o disco realmente é bom ao nível da banda e a situação em que os integrantes estavam. É um rock pra curtir, refletir e acreditem, dançar. 

3º Lugar: 4 - Los Hermanos

Tiago Abreu: O Los Hermanos é uma banda estranha: eles são superestimados e subestimados ao mesmo tempo. Superestimados, quando me refiro aos insuportáveis fãs e pseudointelectuais que acham o quarteto a coisa mais interessante surgida nas últimas décadas de nossa música, e subestimada para os que têm "Anna Júlia" como a melhor coisa que produziram. Entre os dois extremos, eu fico no centro, e vejo a música deste grupo como algo bastante normal. Há coisas que gosto e coisas que eu não gosto. E 4, definitivamente, está no segundo grupo. Este disco é simplesmente a justificativa para todo o argumento de pedantismo que pode ser atribuído aos Los Hermanos. Com canções dormentes, conduzidas de forma moribunda, só se salva exatamente pelas duas primeiras faixas, "Dois Barcos" e "Primeiro Andar". O restante é simplesmente enrolação da dupla Camelo e Amarante, que não conduziram o bom trabalho feito na maior parte das músicas do anterior, e relativamente agradável, Ventura. Vale lembrar que Amarante sempre foi o ponto de equilíbrio das idiossincrasias de Camelo, mas neste disco, ele simplesmente se jogou no buraco, juntamente com Marcelo Camelo.

Jhonata Fernandes: Começo dizendo que 4 é um disco pra fã. Quem acompanhou (e acompanha) o grupo, sabe das suas constantes mudanças de estilo e trabalhos as vezes bem estranhos. Eu estou na classe de fãs que já se apaixonaram por algumas músicas e inclusive pelo disco Ventura (que foi um dos melhores que ouvi no ano de 2014). Tenho amigo que não engolem, ou, não conseguem sacar a intenção do simplista 4. Dou crédito a todas as músicas mas enfatizo "Dois Barcos" "Primeiro Andar" que são as melhores do trabalho.

Estevão Rockfeller: Dá vontade de se matar, mas é um trabalho bem feito. Mas continuo preferindo o Ventura.

2º Lugar: Anacrônico – Pitty

Tiago Abreu: É engraçado que os discos que eu dei menor nota estão dentre os primeiros (risos). Ela já é uma personalidade que ganhou a graça do público, e sempre tem seus clipes dentre os mais assistidos dentre todos os artistas de rock nacionais. E Pitty faz sucesso justamente porque a sua música é a mais básica e comum possível. Se você ouve um disco dela procurando letras interessantes e uma sonoridade intrigante, você não vai achar. E isso é relativamente decepcionante. Como se fosse uma versão do Foo Fighters brazuca (eu sei que a comparação é meio nonsense), é aquele tipo de música que te envolve momentaneamente, mas rapidamente você se esquece.

Jhonata Fernandes: Sobre o Anacrônico eu fico em cima do muro: ao mesmo tempo em que ele foi um bom lançamento brazuca da época, ele não foi melhor que muitos que nessa lista estão atrás dele. É perceptível a influência do grunge por parte da extensão vocal da cantora pois várias vezes ele tenta dá uns gritos (desnecessários) e tentar transparecer que suas letras são fortes o bastante para o estilo (nível Nirvana). No "Admirável Chip Novo" a banda meio crua ainda consegue pôr um pouco de sua cara e emplaca hits como "Teto de Vidro", "Admirável Chip Novo", "Máscara" e a romântica "Equalize". No Anacrônico, percebo que a banda quis experimentar algo mais punk, porém, de uma maneira errada: tentando usar letra fortes ao invés do instrumental pesado. A faixa homônima me deixou a desejar e "De Você" foi uma mostra do que seria Pitty nos próximos anos. Destaco "Na sua estante" (porque foi a música que me fez gostar da banda) e "Déjà Vú".

Estevão Rockfeller: Nunca fui fã da Pitty, mas este álbum não é ruim, ganharam pontos comigo.


1º Lugar: Imunidade Musical - Charlie Brown Jr.

Tiago Abreu: Quando você vê Charlie Brown Jr. dentre os dez melhores álbuns do ano (pior, em 1º lugar!), é sinal de que há algo realmente errado na nossa cena musical. As composições de Chorão & Cia. são tão infantis quanto a de um pré-adolescente de onze anos, a sonoridade, clichê quanto o estilo pede, é o que agrada a galera e justifica o primeiro lugar. Acho que o maior ultraje deste disco é a regravação infame de “Pra não Dizer que não Falei das Flores”. Ouvir a banda a regravar este clássico é tão bizarro caso o Slayer decidisse fazer um cover de “YMCA”. Desculpe fãs do grupo, mas todo culto que envolve sua obra pra mim não faz sentido.

Jhonata Fernandes: Como o Chorão nos disse nesse mesmo álbum: "falem bem, falem mal mas falem de mim" (música: É Quente), qualquer crítica a esse disco é válida. Até mesmo a minha mãe que não entende nada de música, falasse algo sobre o Imunidade Musical, estará tudo em paz. Mas há muita coisa boa nessa disco. Gente, já ouviram falar de GUITARRAS? Esse disco contém GUITARRAS. Eu disse e repito mais uma vez sem desligar o CapsLock: GUITARRAS! As 23 faixas não deixa o álbum enjoento, muito pelo contrário, deixa ele proporcional. Letras que falam bem com o público-alvo considerando que quase todas as músicas escritas pelo Chorão foram feitas quando o cantor estava lombrado, são canções que contém verdades e ideias claras. Ela Vai Voltar (Todos os Defeitos de Uma Mulher Perfeita) conquistou a galera. "O Mundo Explodiu Lá Fora" é uma das minhas favoritas e, pra um cara que só estudou até a 7ª série do fundamental, o Chorão foi um verdadeiro poeta das ruas. "Senhor do Tempo" suaviza o disco e "Dias de Luta, Dias de Glória" virou música-referência para quem não conhece o trabalho da banda.

Estevão Rockfeller: Longe de ser o melhor deles, mas me agradou bastante.

Gostou? Concorda? Discorda? Comente!

domingo, 14 de junho de 2015

O enigma de quem esqueceu de esquecer

Sabe o que acontece?

O coração costuma negar toda a vaidade que o outro tem. Eu quero dizer que, para nós, os erros dos outros são erros e os nossos erros são vaidades. Faz sentido? Bom, não sei. Eu venero meus pensamentos sobre tudo que vivi nos últimos três anos. Foram três anos de aprendizado constante e quebração de cara. Sei lá, eu aprendi muito mais errando e sofrendo do que escrevendo coisas que eu sentia. É complicado, eu sei. Ela, que quase nem toca no assunto, costuma sorrir em praça pública e em terminais nada agradáveis. Vale reforçar que eu nem ligo. Não me importo se o passado já passou e o presente não tem nada de momentâneo para mim. Me interessa muito mais os temas dos blogs que ela ler e as novelas juvenis que ela costuma assistir. E eu bem sei que todo Kevin Arnold tem sua Winnie Cooper que merece, mas eu... Bom, eu... Não sei se isso é regra! E se for eu sou a exceção.
"Convidar alguns amigos para tomar um bom vinho
e ouvir as antigas músicas que nos alegram"


Quando ligo os pontos que nos separaram percebo que eles nunca estiveram corretamente ligados. Se eles não se ligam mais é porque nunca se encaixaram ou por ironia, algum desses pontos se perdeu. Ok, pode ser isso: crescemos! A ingenuidade, o ponto que nos ligou, foi radicalmente rompido e despedaçado por um sujeito chamado tempo. E nem é minha intenção deixar esse texto poético. Mas infelizmente isso acontece e eu me perco entre as músicas que ouço por aqui. A exemplo da música do Los Hermanos que diz “o vento vai dizer / Lento o que virá / E se chover demais / A gente vai saber / Claro de um trovão / Se alguém depois / Sorrir em paz / Só de encontrar” -  Pergunte ao Amarante o que isso quer dizer – E entre outras músicas que me traduzem a noite na volta pra casa. Os carros em alta velocidade e as pessoas com a autoestima elevada são alguns indícios de que eu não sei lidar com esse tal de sentimento chamado paixão. Será que paixão é sentimento? Não sei, só sei que isso é sem graça e sem sentido. Faz sentido?

Enquanto isso, em algum lugar dessa pequenina cidade, ela proseia com as amigas sobre seus novos planos de mulher: academia, homens com dinheiro, cursinho e quem sabe, uma faculdade. Enquanto isso eu continuo vendo os seriados que me agradam – não o que os meus amigos gostam e nem o que todo mundo ver, mas os que eu gosto – e analisando qual será próximo passo dessa vida refutada de solteiro. Escondo os meus sinceros sentimentos para não dá a impressão de que sou emotivo demais. Imagina alguém me dizendo que eu preciso de um psicólogo? Não seria frustrante? Para você não, é claro. Mas o Vanguart traduz bem o que quero dizer: “nessa cidade / tem uma rua / que eu não ouso mais passar”. Eu não ouso mais passar nem perto da rua dela. Não faz sentido né? Faz? Eu lembro de uma noite bem divertida em que assistíamos televisão e ela me perguntou: “amor, você nunca vai me trair né?” Qual o idiota que diria que iria trair? Mas nunca a trai. Assim como a banda Fresno eu também jurei que não iria mais falar de mim”, mas eu sou imperfeito. Os recônditos desse texto dirá exatamente o que você já sabe: eis só mais um texto!


Conclusão: em meados de tempo nenhum, eu ainda procuro os pontos que se romperam afim de eliminá-los completamente desse caos chamado mundo. Convidar alguns amigos para tomar um bom vinho e ouvir as antigas músicas que nos alegram. Cantar mais uma vez o epitáfio desse lamento de quem esqueceu que precisava esquecer.

Los Hermanos - O Vento

Vanguart - Nessa Cidade

Fresno - O Relato de um homem de bom coração

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Top 5: Os piores shows da minha vida!

Quem mora em São Paulo tem o grande privilégio de assistir a grandes shows nessa terra querida! Mas nem tudo são flores, e assim como podemos ver shows incríveis, às vezes assistimos uns que era melhor ter ficado em casa vendo o filme do Pelé.
Falar sobre show ruim não é tão prazeroso assim, e nesse post vou tentar me lembrar dos meus 5 piores shows que já fui na minha vida. Borá ver se os neurônios ainda se lembram...

Há indícios de que este show acima foi melhor do que os listados abaixo.


5 –Red Hot Chilli Peppers

Resolvi deixá-los logo no começo pois o caso deles não é que tenha sido ruim, mas também não foi tão bom assim.
Diria que foi decepcionante pelo fato de quando eu fui assisti-los o meu ídolo maior, John Frusciante, já não pertencia mais a banda. Realmente não tenho o que me queixar desse dia, assisti ao show de local privilegiado, não paguei ingresso, longe da muvuca, e ouvindo o som a uma boa altura e vendo os caras pelo telão. Uma das minhas bandas preferidas, a única queixa realmente foi a falta do Frusciante. Pra quem está acostumado a assistir o RHCP pelo Youtube e ver os solos fritos dele, ter visto aquela apresentação morna é de quebrar qualquer expectativa.

4 – MGMT

Esse dia já começou bugado. Eu e meu brother compramos o ingresso de um colega de trabalho, que ganhou o ingresso e vendeu depois pra gente por um preço bem <ironia>supimpa</ironia>. Chegamos no nosso já conhecido Campo de Marte, entramos ao festival e começou o show dos mineiros do Skank. Até então nunca havia visto um show deles e confesso que me surpreendi com o Samuel Rosa, o fominha da guitarra.
Autor da chuva, e co-autor das músicas.
Até essa hora estava bem, até que, no auge da seca da Cantareira, longos meses sem chuva em São Paulo começa uma tempestade enviada pelo Satã no show deles. Aí a terra virou lama, o tênis novo foi pro saco, o dedão do pé ficou apertado, a chuva não parava, não tinha mais capa de chuva, as costas começaram a doer e tudo conspirando a nosso favor.
Mas o que parecia ruim conseguiu ficar pior, e isso tem nome: MGMT.
PUUUUTA QUE PARIU!!! Quase fui até a recepção pegar minha parte de volta por conta desse show! Pensa numa plateia revoltada (sim, não foi apenas eu e meu amigo que odiou eles) eles conseguiram fazer uma plateia brasileira empolgada após o show do Skank entrar em depressão com o show deles. Terrível a apresentação, apenas aquela música famosinha deles, Kids, conseguiu animar a galera. Fora isso, uma apresentação baseada em sintetizadores e músicas estranhas, que se você não conhecer previamente as músicas, soaram muito estranhas ao seus ouvidos.
Fica a dica, a não ser que você seja um fã de carteirinha deles, não perca seu tempo com um show deles, risco grave de se decepcionar.

3 – Los Hermanos

Sempre admirei muito essa banda, apesar de sempre escutar grandes conhecedores de música falarem muito mal a respeito deles. Em 2012 eu acho, não lembro agora, eles resolveram fazer um turnê Brasil afora, e como eu nunca havia visto um show deles resolvi pagar um precinho salgado e ver esse show.
Ahhhhhhh se arrependimento matasse...
Após esse show entendi porque tanta gente fala mal deles...
Pensa num velório, consegue ser mais animado...
Caro, sem sal, sem açúcar. Resumo isso ao show deles. Uma abertura com um DJ meia boca, até os bailes funk, ou uma balada em Mogi das Cruzes, conseguem arrumar uns DJs melhorzinhos.
Eles são incríveis no estúdio, mas ao vivo senti que faltava algo. Talvez tenha sido apenas uma impressão errada da minha parte, às vezes era eu que não estava no espírito do show, mas que eu voltei decepcionado e nunca mais pagarei valores absurdos pra ver o show deles isso pode ter certeza. 
Prefiro continuar ouvindo aqui no CD que eu ganho mais.

2 – Jeito Moleque

Pra ninguém pensar que só vou falar sobre bandas de rock desanimadas, agora vem um grupo de pagode pra vocês. E antes que pensem besteira, eu já assisti a muitos show de samba/pagode na minha vida, então esse não foi um caso isolado.
Imaginem o cenário:
Novinhas, Jogos Universitários, novinhas, bebida, novinhas, dorgas, novinhas...
Tudo conspirava para ser um role memorável, Engenharíadas 2015, Volta Redonda RJ, todo mundo reunido pra curtir o rolê, aí você olha as atrações do evento:
Mc Ludmila (Mc Beyonce, aquela que você "não pode olhar pro lado, porque o bonde tá passando"), Furacão 2000 (aqueles funks de 00’ como o menino Jonathan da nova geração, Bonde do Tigrão e derivados), Buchecha, uns outros artistas random e o grande e aguardado grupo Jeito Moleque.
Possível resultado ao fim do show do Jeito Moleque.
Ou talvez beeem antes do fim.
Caraca moleque, os caras conseguiram fazer a proeza de pegar o 1º lugar dessa lista do Engenharíadas, e olha que estava difícil a competição hein...
Eu já vi muito show de pagode, e em todo show de pagode a mulherada tá lá na frente cantando, dançando e tudo mais, só que nesse show do Jeito Moleque o que eu vi foi a galera ir pra outra pista curte um eletrônico/funk que um outro DJ estava tocando.
Ainda bem que não faltava bebida e tinha 2 palcos essa festa, porque esses aí conseguiram esvaziar a pista...


1 – Matanza

Antes de falar sobre eles, gostaria de fazer uma observação sobre a extinta MTV.
Muita gente que hoje fala mal da Globo pelo seu poder de manipulação, era um fã assíduo da MTV. E sabe qual o interessante disso? A MTV sempre conseguiu fazer a cabeça da galera. Era só eles falarem que tal banda era boa que todo mundo escutava. Isso aconteceu com Marcelo D2, O Rappa, Charlie Brown e com o Matanza. Naquela época Matanza era uma febre, chovia frases no Orkut, clipes disparados em primeiro lugar em listas, todo mundo era fã deles.
Menos eu.
Confesso que eles tem uns pontos legais, letras bem feitas, um som até que um pouco agressivo, uma pegada diferente. Mas é apenas isso de bom. Acredito que o resto foi tudo produção da MTV e consumido com muito sucesso pelos jovens que levaram esses caras a um sucesso considerável naquela época e hoje em dia nunca mais vi ninguém nem postar clipe deles no Facebook.
Enfim, a parte disso tudo, estava eu e um amigo sábado a noite sem fazer nada, então resolvemos ver o show deles, não havia nada a se fazer mesmo.
Como se fizesse diferença o que você acha ruim, Estêvão.
E agora eu falo porque eles conseguiram o 1º lugar dessa lista.
Eles fizeram um feito histórico em minha vida: Eu entrei no show deles, escutei uma música, e fui embora. Foi exatamente isso, peguei o dinheiro do ingresso e praticamente queimei! Não fiquei nem 10 min assistindo esse show e digo que foi o suficiente para o meu ódio a eles ter aumentado.
E só pra constar, enquanto escrevia esse post, perguntei ao meu amigo qual foi o pior show da vida dele e obtive a mesma resposta: MATANZA.
Realmente, um bando de marmanjo sujo, produto da MTV, que tocava pra um público que infelizmente naquela época não era pra eles. Espero que agora longe da mídia eles consigam fazer o som deles, pra quem curte realmente o som deles.

Moral da história: Talvez eu não estivesse preparado para todos esses shows, ou estava muito bêbado ou muito sóbrio, não sei também. Mas show é diferente do CD no estúdio. E é o que eu digo, já vi muito show com grande produção ser uma merda, e já vi também apenas 1 cara sozinho cantando e tocando violão fazer uma apresentação memorável. Isso a tecnologia ainda não conseguiu substituir... a magia que a música traz às pessoas.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Análise: CD "Cavalo" - Rodrigo Amarante

Olá dialéticos de plantão!
A análise de hoje é de um trabalho pra lá de intrigante. Confesso que a princípio, não gostei desse álbum, mas depois de ouvir "Cavalo", primeiro álbum sólo do ex-guitarrista e vocal dos eternos Los Hermanos, Rodrigo Amarante, com mais calma, atenção e precisão, descobri que é um álbum muito mais complexo e rico do que se imagina. Em 2013, o cantor e compositor expressou suas emoções mais sinceras através de seu primeiro disco sólo. O álbum reúne faixas em inglês, francês e português. Mostra uma clareza indie mesclado com um folk bem particular do momento que vive Amarante. Quem me conhece sabe o quanto sou fã do artista, e como disse no início do post, antes não gostava do disco, mas depois ouvindo com mais calma e paciência, pude então amar o "Cavalo".
O álbum não tem capa, apenas as letras das músicas
Para essa análise, conto com uma material de apoio da conceituada Revista Rolling Stone que conseguiu tirar do Amarante, uma entrevista explicativa sobre cada faixa. Vamos lá!

Nada em Vão: “Essa foi uma das últimas músicas que escrevi para o disco. Até por isso, ela fala literalmente dessa coisa do espaço. Eu já estava com o espírito de tirar: ela não tem baixo, tem espaços enormes e toda essa dimensão que pode falar entre uma pessoa e outra. Ela representa bem essa ideia do disco, das lacunas que existem entre uma coisa e outra. Por isso que eu a coloquei logo de cara, com aquele saxofone gritando – 'fuuueeen!'." (R. Amarante)

Sinceramente, essa é uma música para se pensar na existência. No que vivemos e no que estamos vivendo. Com todas essas lacunas que o Rodrigo falou, é possível entender o sentido de tantos minutos e horas existirem, e o engraçado é, que se repetem no dia seguinte. Em aspecto de letra, nada a comentar. A poesia e lapidada sentimental está na medida. E não falo como fã, mas como um simples resenhista mesmo. Agora pra falar do instrumental, escrevo como um mero crítico musical: cambaliadas de violão com alguns sinos e instrumentos mais dispersos, compões a faixa. Segundo o Amarante, foi ele mesmo quem tocou o sax e por isso saiu meio desafinado. Digo que se soasse afinado, a música não seria a mesma, pois sem sombra de dúvidas, tudo se encaixou perfeitamente com a harmonia e temática proposta.

Hourglass: “Essa é mais uma sobre o 'diálogo interno'. Sou eu, em diálogo comigo mesmo, tentando entender o ritual de escrever uma música. E tem a ver com hipnose. Não está claro, mas a letra fala sobre eu tentar me hipnotizar, criando uma espécie de ritual de comunicação com esse 'duplo' que inspira, controla a inspiração e que viabiliza a obra. Mas não parece [isso], porque não estou dando de bandeja. É sobre o tempo em que eu me via sentado com a caneta e a página branca, pensando, um cigarro atrás do outro, uma garrafa atrás da outra. Os versos vieram a partir disso - espera, concentra. Nós somos animais rituais.” (R. Amarante)

Após uma mórbida "Nada em vão", respiramos mais alegres com "Hourglass" (Ampulheta). Mas não se engane, a letra é mais intimista que o instrumental. Percebo duas facetas muito legais nessa música: um samba inglês com um bolero norte-americano. Não sei se é isso, mas é uma faixa fora do normal. Nunca ouvi nada parecido. Olha que já  ouvi muita coisa nesse pouco tempo de vida.

Mon Nom: “É sobre ser estrangeiro, se expressar em outra língua e as maravilhas que isso gera, desvios e confusões. Resolvi usar o francês aqui para criar uma espécie de metalinguagem, outra camada na música. Eu começo falando que sou estrangeiro e que não falo da mesma forma que você. A partir daí, começo a cantar de um jeito que leva a pensar que estou falando em metáforas. Mas como acabei de dizer que não tenho o domínio da língua, você se pergunta: 'É ou não é metáfora? Qual é o assunto?'. Aí gera um espaço para interpretação, uma folga, que pode ser interessante. É uma experiência que ainda estou entendendo no que vai dar. Minha ideia é preservar os espaços e tentar seduzir pela falta, talvez.” (R. Amarante)

Sem dúvidas, "Mon Nom" (Meu nome) é uma canção cheia de dúvidas. Não sei se estou certo, mas a música tem um instrumental bem oriental, cantada em francês por um brasileiro que tenta dizer que é estrangeiro. Só o Amarante mesmo pra fazer uma arte dessa. E estou certo que com toda a minha tolerância musical, percebo que essa música podia ganhar algo a mais. Não sei, mas talvez uns metais ou gaita. Ou quem sabe até um solo simplista de guitarra. Porém isso não tira o brilho da música.

Irene: “É sobre a falta, um amor que não se consegue esquecer. Quando digo que já não sei o nome dela, é que ela pode ter se casado e mudado de nome. O nome dela eu sei, é Irene. Escolhi esse nome porque é uma referência à ‘Irene’ do Caetano [Veloso], e à do Ciro Monteiro. No caso do Caetano, é a mulher que em exílio ele imaginava sorrir, o símbolo do amor que ficou do outro lado do continente. Para mim, ela representa os amores que tive de largar cada vez que me mudei e inventei coragem de recomeçar na infância - porque na infância eu já amava muito intensamente. A Irene é um amor irrealizado que jamais vai morrer. É um nome que abrange essa mulher, que não precisa ser mulher. Pode ser um lugar, uma memória que ficou e não se apaga.” (R. Amarante)

Colocando um pouco do lado fã aqui: passei uma semana inteirinha cantando: "saudade eu te matei de fome, e tarde eu te afoguei com a mágoa". Só esse comecinho bastava para deixar meus momentos de descontração mais intensos. Confesso que essa faixa é do jeito que era pra ser. Sem pôr e nem tirar. Um aspecto folk/indie magistral!

Maná: “Imaginei que seria a que iria tocar mais, e foi por isso que a lancei antes. Escrevi para minha irmã, Marcela - daí o Má, que é o apelido dela. Fiz a música quando ela estava triste, se separando. ‘Maná’ é uma palavra que vem da história dos judeus quando estavam em exilio no deserto: é a comida divina que Deus deu para eles sobreviverem, e termina por significar a graça, uma benção. Fala do ritual de cura, e de coragem, porque diz que ‘o que é para acontecer está acontecendo’. É também sobre a música enquanto forma de cura, que é uma ideia muito antiga e em que eu acredito muito. Tem a ver com as religiões africanas, porque fala sobre ‘ponto’ – parece que eu estou falando de 'ponto de macumba', e eu também estou. Mas também é no sentido de 'o ponto da conversa'. Ou seja, o importante é saber se amar.” (R. Amarante)

Lembra do samba inglês que falei no início? Aqui ele se adequa mais perceptível. Diria ser uma canção bem ritualista, e porquê não? Mas eu a enxergo muito além do que foi dito pelo próprio Amarante: para mim é uma canção coletiva com aspectos de festa após uma grande luta emocional, ou até mesmo uma vitória numa partida de futebol. É o ápice. O suprassumo!

Fall Asleep: “É uma canção de ninar que escrevi para mim mesmo. Eu sempre tive insônias incríveis. Graças a Deus não as tenho mais, mas de vez em quando tenho um ciclo delas. Daí eu falei: ‘Quer saber? Vou fazer uma’. Mais uma vez, sou eu me separando de mim mesmo e expressando a vontade de desligar a cabeça. É uma coisa pura, do desejo de conseguir se desligar do mundo, da vida, e sonhar, ter uma experiência fora do ordinário.” (R. Amarante)

Com certeza meu filho vai dormir muito ao som dessa música! Quase choro ao me identificar com esses trechos da música:

Something I’ll even dare to know
Let that be my name
Open like I’m alone
Empty my eyes
From stories I’m in
Brake me from being myself
Day so cruel
And night so fair
The tales I knew
Are true somewhere

Algo que eu ainda me atreverei a saber
Deixe que seja meu nome
Abra-se assim como estou sozinho
Esvazie meus olhos
De histórias de que faço parte
Parar de ser eu mesmo
Dia tão cruel
E a noite tão bela
Os contos que eu conhecia
São verdadeiros em algum lugar
 
É como se fosse um encontro entre amigos que nunca se viram antes. É encontrar-se no outro! Lindo!
 
The Ribbon: “Nessa eu tentei escrever através de imagens. Ou seja, a música não tem nenhum adjetivo, assim como a maior parte do disco. Se uso adjetivos, eu estou qualificando, e daí estou direcionando o que você vai ver. Mas meu interesse é não definir tanto. Essa música é a história do ponto de vista de alguém...[hesita] Eu não sei se devo te dizer. Bom, eu vou dizer, foda-se! É do ponto de vista de alguém que está morto. Ela fala sobre um personagem cujo destino foi passivo diante do próprio destino, e ele só consegue ver isso quando não está mais vivo. É alguém que foi levado a fazer a coisa que achou que fosse certa, porque a figura paterna o levou a crer nisso. Ela tem relação com uma outra música do disco. Quando a gente chegar nela eu te digo.” (R. Amarante)

"The Ribbon" (A Fita) faz-me lembrar da infância, quando tudo era singular, era tudo tão meu. Até o sol que nascia para todos, em minha mente, era propriedade exclusiva minha. Belo arranjo e letra sem igual. Creio que na parte letrista, o Amarante é minha principal, ou senão maior referência. Parece até que pensamos igual as vezes. (ou que eu estou plagiando ele hehe)

O Cometa: “Também é sobre a falta. Mas é a falta de um amigo querido, que é o poeta Ericson Pires, que morreu no ano passado. Foi um grande amigo que conheci logo que entrei na PUC-RJ. Já era veterano e nós nos tornamos grandes amigos. E ele foi meu grande amigo, mas também meu professor, e um cara que me ensinou muito. Grande cabeça, grande louco, culto, intelectual. Essa música foi um retrato dele à minha moda. Também é uma coisa que tem a ver com a saudade que eu sinto dele.
(...) ‘O Cometa’ é [Henry] Mancini puro: é meu amor pelo Peter Sellers e os filmes do Blake Edwards, na genialidade absurda que ele teve de escrever temas de comedia com uma delicadeza e uma inteligência absurda, não subestimando.”
(R. Amarante)

Músicas de homenagem costumam ser batidas e chatas, mas no caso de "Cometa" não enxergo isso. Amarante continua o disco com a métrica folk da primeira faixa. Talvez essa música interpretada ao vivo soe mais indie e familiarizada. Mais uma bela canção!

Cavalo: “Essa é a mais pura, no sentido de ser só imagens. É a que menos tem letra, é a mais sintética, e a que também toca no lance do ‘ritual’. É uma descrição de um sonho de um segundo, uma imagem que atravessa do mundo do sonho para o mundo vivo, através da memória. E que termina por representar todo esse conceito do duplo, de eu enxergando a mim próprio.
O lance do japonês na letra tem a ver com duas coisas. Uma é o formato da escrita, do poema, que é conciso com imagens, como os japoneses fazem. Sempre fui fã da arte japonesa desde criança, não sei bem por que. Tento me perguntar: ‘Será que é quando eu morei em São Paulo eu gostava de ir na Liberdade?’ E me lembro da primeira vez que vi o Sonhos do [Akira] Kurosawa. Tem uma cena que mostra os caras tentando achar um acampamento na neve e não conseguem ver nada, estão perdidos. O líder do grupo não aguenta mais, desmaia e tem um delírio: ele vê a tempestade na forma de uma mulher, que abriga ele com um cobertor de fios brancos, como se a tempestade se tornasse uma coisa confortável, aconchegante. Nesse delírio, ele reconhece que ela é a tempestade e significa a morte dele, e o sol abre. Esse trecho me tocou profundamente, e me lembro de que os meus sonhos sempre têm ventania, uma luz prateada, [que está em] um lugar fora do mundo, entre o dia e a noite. Essa música foi eu tentando ‘dar de volta’ aos japoneses: ‘Olha, eu fiz isso pra vocês, porque vocês me deram tudo isso’. O disco é cheio dessas coisas." (R. Amarante)


Chegamos na faixa-título e aqui já "respiramos" com mais dificuldade por conta do expressionismo ritualista do álbum. O japonês falando expressa toda a canção. Então fico sem palavras para resenhar essa canção!

I’m Ready: “‘I’m Ready’ é o espelho de ‘Ribbon’. É outro personagem da mesma história. [Pensa] Será que digo exatamente o que é? Eu me pergunto isso, porque penso: 'Daí, qual é a graça?' Acho que a graça mesmo é a pessoa ouvir a música e se perguntar. Se eu disser ‘tem uma relação entre as duas músicas, são dois personagens da mesma história, dois pontos de vista’, eu acho que já é o suficiente. Está claro: se você ouvir, vai ver o que é.” (R. Amarante)

"I'm Ready" (Eu estou pronto) soa - pra mim - como um diálogo com Deus e com esse outro que está em nós, que o compositor tanto falou e todo o disco. É o lado do epitáfio antes da hora.

Tardei: “É a mais autoexplicativa. Ela fala da minha infância, e também desse momento: desse disco, de eu voltar para cá, de todas as vezes que tive de partir, deixar pra trás e ser corajoso, e o que eu trago de volta – o meu rosário, meu fio de contas, que é esse disco. Disco é uma coisa que você precisa sentir que está pronto. E eu senti que essa música era o fim dele.
É por isso que eu disse que me exponho tanto nesse disco: eu estou falando de mim, da minha história, de como eu entendo que sou. Essa música fala desse momento, de eu voltar pra casa, trazendo esse disco, e o que ele traz com ele.” (R. Amarante)


É  a faixa de despedida, e que despedida hein! Não há mais nada a acrescentar. Está tudo metricamente tudo bem encaixado e absolvido! "Cavalo" é um disco para mastigar e ouvi-lo sozinho. Ouvir pra encontrar o duplo que mora em si. É se reencontrar. Um disco coeso e complexo, sim, mas com características bem definidas quando se ouve com atenção. Recomendadíssimo!

Letras: 10
Produção: 9,5
Projeto Gráfico: 7
Interpretação: 9,5

sábado, 17 de janeiro de 2015

Top 5: Melhores álbuns que ouvimos em 2014 (por Jhonata Fernandes)

Olá galera de toda a blogosfera!
Inauguramos aqui mais um dia de postagem, o sabadão! E por que o sábado hein!?
Porque tem guris e gurias que ás vezes ficam sabadão em casa sem saber o que fazer, então esperamos ajudar sugerindo boas dicas da nossa boa cultura pop.

Ok?

Inauguro este espaço muito bacana listando os 5 melhores álbuns que ouvi em 2014. Mas dos 5, apenas um foi lançado em 2014, os outros são de anos anteriores, mas só ouvi com atenção (e amei!) em 2014.
Arte: Paula Carvalho
Poderia muito bem montar uma lista maior de álbuns que me marcaram demais por sua versatilidade e conceito musical e letrista. Mas resumo em 5 e com certeza já é suficiente.
2014 foi um ano de "caça músicas" para mim. Sou chamado pelos meus amigos de 'Jhonatapédia', por baixar discografias de bandas que vão de Os Descordantes (banda acreana muito boa) á For Today (banda de metalcore muito bacana!), para conhecer e coloca-las (ou não) em minha paylist diária.

Vamos ao (meu) Top Five!


5º Lugar: Infinito - Fresno (2012)

Infinito tocou muito em meus ouvidos em 2014. Com certeza um dos melhores trabalhos da Fresno, que eu já falei aqui. Com a parte letrista sendo toda assinada pelo vocalista Lucas Silveira, e produção também no mesmo, o álbum me cativou bastante!

Ainda estava concluindo o curso técnico de administração quando me interessei em conhecer a banda, e fui me acostumando pouco a pouco com sua sonoridade, até que me apaixonei e hoje faz parte do meu playlist.

Digo convicto de que Infinito merece está nesta lista, principalmente por eu querer mostrar que ainda se faz rock de qualidade no Brasil. O álbum é de 2012, mas só ouvi ano passado. Uma pena não ter ouvido antes, pois é demais! Ressalto aqui a música Sutjeska/Farol . Quanto sentimento há nesta música. Há princípio os crentalhões irão achar uma música herege, mas ouça com atenção e entenda a canção seu preguiçoso! Ela passa longe de assuntos divinos e/ou religioso.

                                            Diga Parte II

 
Infinito
 
 
4º Lugar: Ventura - Los Hermanos (2003)

Sério que tem um álbum de 2003 na lista dos melhores que ouvi em 2014? E os lançamentos de lá pra cá? Ham? Não tô entendendo! Que é issoooooo!

Isto mesmo querido(a)! Infelizmente, só conheci Los Hermanos no final de 2013, início de 2014. Me desculpem! Mas hoje é uma das minha bandas favoritas! Já comprei quase toda discografia (faltam 2 discos).

As letras e suavidade do Rodrigo Amarante neste disco é sensacional. Me define muito, e quase me bota pra chorar as vezes. Inclusive quando ouço Do Sétimo Andar, que música dos céus! \o/
Sem contar com toda versatilidade do Marcelo Camelo e seu vocal e composições marcantes.

Ahhh! Quantas idas e vindas no busão eu dei ao som desta beldade! Muitas! Um disco muito bom para se ouvir em vários momentos do dia, semana, mês, enfim, do ano inteiro!


                                                                   Cara Estranho
 
Do Sétimo Andar
 
 

3º Lugar: Hello Hurricane - Switchfoot (2009)

Considero o Hello Hurricane como melhor álbum do Switchfoot.
Guitarras bem suadas, bateria e baixo bem alinhados, e uma infinidade de letras que tocam o coração de quem ouve!

Me apaixonei pelo álbum quando ouvi a primeira música, Needle and Haystack Life. A voz do Jon é sem dúvidas, intrigantemente saudável aos ouvidos.
 
Conheci a banda também em 2014, logo procurei conhecer sua discografia, e Hello Hurricane me chamou muito atenção! Vale apena!

O classifico como 3º lugar e 2º dos internacionais, porque realmente merece. Talvez ele até fique no mesmo nível do segundo colocado que irei citar, mas claro, estou baseando no critério dos que mais ouvi e me marcaram.

                                             
                                                           Needle and Haystack Life

                                              
                                                                 Hello Hurricane



 

2º Lugar: Amianto - Supercombo (2014)
 

Aaah Supercombo! O que dizer de Amianto né?
Guitarras, loop's, teclados, distorções e pedais shows demais! \o/
Ouvir este álbum e não pegar a vassoura e fingir que é uma guitarra, ou fazer a pia de teclado e a torneira de microfone nas músicas Campo de Força e Sol da Manhã não é ouvi-lo com toda alma!

Conheci a banda no início de 2014, quando eles tinham acabado de lançar o disco. Tenho um amigo que é mais fã do que eu da banda, mas acho que já tenho Autonomia suficiente para falar dele:

Um álbum bem temático que passeia pela MPB ao Indie, do Alternativo ao Eletrônico.
Amianto mostra uma nova Supercombo, então com uma nova formação também. Com a Carol Navarro assumindo o contrabaixo e back-vocal da banda, é perceptível que a banda encontrou o seu formato ideal: uma banda indie meio psicodélica. Ué, por que não?

O vocalista e guitarrista Léo Ramos com todo o seu bom humor vocal, consegue prender o ouvinte a ouvir toda a música e curioso para saber qual canção virá após.

Merece indiscutivelmente o 2º lugar, e recebe o 1º lugar na (minha) lista dos nacionais!

                                              
                                                                      Amianto


                                                             Piloto Automático



1º Lugar: City and Colour - The Hurry and the Harm (2013)

E em primeiríssimo lugar, quem aparece?
Sim, ele, Dallas Green. Ou simplesmente City and Colour.
Me tornei fã desse cara no início deste ano, e o primeiro contato de músicas que tive dele, foi este álbum.

Tenho trilhões de motivos para aponta-lo como melhor álbum que ouvi em 2014, mas serei sucinto e apenas dizer que EU ME IDENTIFICO DEMAIS COM O CARA!

Sua forma de escrever, tocar e cantar tem muito a ver com a minha percepção musical. Ainda não tinha encontrado um artista que me apontasse um norte musical tão pessoal assim.

Agora falando de The Hurry and the Harm: um álbum cativante, romântico, reflexivo e feito para quem tem emoções bem abaladas. Se identificou? (então corra direto para os vídeos aqui embaixo, depois você volta e termina de ler!)

As duas primeiras faixas mostram uma métrica instrumental mais animadinha, típico pra quem acabou de conhecer o som do cara, e ainda não sabe o que vai vim. Mas quando chega Of Space and Time o coração dispara e você sente a necessidade de chorar. Agora veja a tradução! (só cuidado para as lágrimas não pingarem na tela de seu i-phone ou notebook)

The Lonely Life e Paradise são as melhores do álbum. Este disco é minha trilha sonora do busão a noite: sentado ao lado da janela, ouvindo este álbum e contemplando as belas árvores de Rio Branco, é lindo!!!

Segue duas músicas!

                                      
                                                               The Lonely Life

        
                                                               Harder than stone


Então dialéticos, estes foram os álbuns que mais me cativaram em 2014.
Espero que não se limitem a este post, mas que procurem conhecer estes álbuns. Aí se você gostar desses, pode baixar as discografias que eu assino embaixo!

Selo de garantia Dialetos & Coisas Boas