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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Entrevista: As Verdades de Anabela

As Verdades de Anabela é uma banda de Post-Hardcore de Brasília. Com mais ou menos 2 anos de banda, o AVA como é popularmente chamado lançou um EP no ano passado chamado "No Dia em Que Você Chegar". Os integrantes antes formavam juntos a mesma banda só que com outro nome. Perdidos em Gloria foi o último nome antes de formarem e fecharem como "As Verdade de Anabela". Como Perdidos em Gloria gravaram um EP chamado "Um Brinde ao Cataclysmo" em 2012 com um peso de hardcore e grande influência do metalcore norte-americano. A banda já lançou outros singles em forma de video-clipes além do EP como "A Chama", música acústica que fala de amor e do vazio que muitas vezes sentimos em nossos corações. "O Despertar de um novo amanhecer" lançado em 2013, "Meu Cálice, Meu Sangue!" que configura a esperança em Deus e de desafios cotidianos e, neste ano a banda já lançou dois video-clipes de músicas inéditas chamada "A Intempérie" que marca a entrada do novo vocalista Victor Castamere e "Depois da Intempérie", uma faixa semi-acústica que segundo o guitarrista e também vocalista Zeck Carvalho disse; "marca uma nova fase do AVA". O clipe de "Depois da Intempérie" recebeu algumas críticas negativas por conter os integrantes fumando e as letras se desviarem um pouco da temática padrão que a banda vinha seguindo. A banda se manifestou em sua página oficial no facebook e esclareceu que nem todos os integrantes eram cristãos e que tinham integrantes de várias religiões. Segundo o Zeck, a base da banda sempre foi transmitir uma mensagem positiva e principalmente, o amor.

Tive a honra de entrevistar o vocalista Zeck Carvalho pelo facebook que, representou toda a banda e nos falou um pouco sobre os projetos e influências do AVA. Cheio de gírias e linguagem jovial, Zeck fala com orgulho do "corre" deles e da imensa vontade de, assim como toda banda almeja, crescer e fazer muitos shows. Confira:

Atual formação do As Verdades de Anabela
D&CB: Antes de tudo, obrigado Zeck por nos ceder esse papo bacana aqui para o D&CB. E pra início, como começou o As Verdades de Anabela e quem são os atuais integrantes?

Zeck Carvalho: Mano, primeiramente eu que agradeço esse corre! De coração, é um prazer imenso tá respondendo isso aqui. A AVA começou em 2013, ela foi um recomeço para outra banda nossa na época, que também já havia mudado o nome 2 vezes em menos de 2 anos, e quando mudamos para As Verdades de Anabela esse nome se tornou o nosso mantra. Nosso nome fixo. A banda atualmente é formada por mim, Zeck Carvalho (Guitarrista e vocalista) Victor Castamere (vocalista) Victor dos reis (Guitarrista) Leonardo Noya (Baixista e vocal) José André (Baterista) e o nosso querido Yuri Emidio que fazia parte da antiga formação, saiu e voltou agora (Sampler e tecladista).


D&CB: As letras do AVA tem didáticas cristãs e uma mensagem bem positiva. Vocês se consideram uma banda cristã ou isso não faz parte da identidade da banda?

Zeck: Então, a AVA tem uma identidade cristã, porém, assim como o sol nasce todo santo dia a gente também se desprende de religião a cada dia que passa. Creio que estão vindo tempo de mudanças e nós só pregamos e cantamos as nossas verdades, o que achamos ser o certo! 

D&CB: Recentemente houve uma mudança no vocal berrado (gutural). Isso abalou a banda de alguma forma? Como os fãs encararam essa mudança?

Zeck: Na verdade já faz um tempinho, ou ao menos parece que faz. Mas com certeza abalou de uma certa forma, mas a gente sempre se levanta e persiste no sonho. Tivemos uma positividade muito grande com os fãs em relação a entrada do novo vocalista. Ele se tornou um irmão pra gente e para mim parece que a banda nunca esteve tão boa. 

D&CB: No canal do YouTube de vocês, a banda costuma postar vídeos que são apelidados de "Drops de Anabela" que, basicamente são making-off de shows e tudo mais. De onde veio essa ideia e qual a importância que a banda dá para a galera que curte o som de vocês?

Zeck: "Os Drops de Anabela" foi uma ideia minha, na verdade a gente já lançava uma série de drops e os "Drops de Anabela" é tipo uma atualização mais organizada dos nossos drops. Em relação a galera que curte o nosso som eu só tenho a agradecer mesmo, porque pra mim é algo surreal a proximidade entre a gente e os nossos fãs, temos até um grupo no whatsapp que se chama #AVAGANG onde se encontra os membros da banda e a galera que curte a gente, estamos sempre trocando ídeias e discutindo diversos assuntos. Nossa proximidade com a galera é algo necessário para essa nova etapa da banda e a importância que damos pra essa galera podemos chamar de importância de alto nível e necessária.

D&CB: Qual foi o melhor show do AVA até agora?

Zeck: Mano, com certeza foi o nosso último show que foi no dia 26/07 com os irmãos da Lost In Hate, A Nuvem de Oort, e a banda Pray For Mercy de SP. O show foi realmente insano, casa cheia, galera cantando com a gente, eu realmente tive uma das melhores experiêncas da minha vida em relação ao rock.

D&CB: Vocês costumam lançar singles em forma de clipes. Isso é um diferencial enorme. Para vocês, isso é melhor ou simplesmente é o que gostam de fazer?


Zeck: Mano, a gente simplesmente gosta de fazer. É algo em que temos facilidade então a gente aproveita bastante essa oportunidade da facilidade em lançar clipes.

D&CB: Quais são as principais referências musicais do Zeck Carvalho e do As Verdades de Anabela? 

Zeck: Mano, nossas influências variam muito, podemos dizer que são influências bem ecléticas. "Queen, Johnny Cash, August Burns Red, Pierce the Veil, Racionais, The Devil Wears Prada, Fresno e etc... Diversas bandas nacionais... nossas influências são realmente incontáveis. 

D&CB: Tem alguma banda que vocês sonham em tocar juntos?

Zeck: Inúmeras bandas! Dividir palco com a Fresno é um sonho em comum dentro da banda. (haha) tomara que um dia role! 

D&CB: Vocês lançaram uma faixa acústica chamada "A Chama" e recentemente lançaram outra música acústica chamada "Depois da Interpérie". Esse formato faz parte do DNA da banda? Conte-nos um pouco.

Zeck: Essa vibe mais acústica faz parte do nosso DNA, porém esquecemos disso durante um tempo e estamos retornando com esses projetos acústicos.

D&CB: O que os fãs podem esperar do As Verdades de Anabela para os próximos meses? Pretendem gravar um novo EP ou álbum completo?

Zeck: Na verdade estamos lançando um EP por partes. Primeiro lançamos "A Intempérie" e logo em seguida lançamos a acústica "Depois da Intempérie". Até o início de 2016 serão lançadas mais 2 músicas no qual se resultará em um EP FÍSICO com essas 4 singles. O que os fãs podem esperar para os próximos meses é simplesmente um crescimento enorme na banda. Acreditamos que estamos passando por uma fase onde a banda sai do "banda de pequeno porte" para uma banda de "médio pequeno porte". Estamos com esse pensamento na mente e isso vai trazer coisas incríveis tanto para a banda quanto para os fãs. Aguardem nossas verdades, meus amigos! Pois não vamos nos calar.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

10 Melhores álbuns brazucas que comemoram uma década neste ano (2015)

O 1º semestre do ano de 2015 já passou e alguns lançamentos nos surpreenderam e outros ainda virão por aí. Mas o nosso blog teve a ideia de listar os 10 melhores álbuns brazucas lançados em 2005 que comemoram uma década neste ano. Confessamos que foi uma tarefa difícil e talvez alguns artistas tenham ficado de fora, mas esperamos ter colocado os mais importantes também. Foi feita uma seleção com os principais trabalhos lançados em 2005 e depois foi feita uma seletiva até ficarem os 10 melhores. Os críticos montaram a própria lista sendo que o 1º colocado de cada lista ganharia 10pts. e os demais iam ganhando 9, 8, 7 e assim seguindo a ordem até o 10º colocado, que ficaria apenas com 1pt. No final foi somado os pontos e montado o TOP10.

Nessa edição contamos com a participação especial do crítico Tiago Abreu, colunista e editor no Portal O Propagador que nos ajudou a escolher os 10 e comentar cada um deles. Logo abaixo estão os discos da 10ª a 1ª colocação e os comentários dos nossos blogueiros. Vamos a lista!

10º Lugar: Grandes Infiéis - Violins

Tiago Abreu: Este disco particularmente, me é um dos três melhores de 2005. A Violins é uma banda de Goiânia com mais de dez anos de carreira, vários discos lançados, e essas informações poderiam se confundir com o currículo de qualquer banda bem-sucedida no mercado (e mercado no sentido literal da palavra). Mas o fato de ser independente apenas abrilhanta sua posição, pois 2005 foi um ano terrível para a cena nacional. As composições da Violins são maduras, bem trabalhadas, tem letras muito complexas. Sua sonoridade não é fria e totalmente descompromissada, mas também não é quente comercialmente falando. Novamente, isso não é negativo, e apenas afasta os menos atentos a suas propostas. Certamente, é um grupo que deveria ser mais reconhecido, e que deveria estar no primeiro lugar desta lista. No mais, apenas digo que "Angelus" é a melhor música sobre ateísmo que eu já ouvi, até o momento em que escrevo.


9º Lugar: Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências - Cidadão Instigado

Tiago Abreu: O Cidadão Instigado, como projeto capitaneado por Fernando Catatau, chega com um dos melhores trabalhos do ano, com a devida justiça. Com uma sonoridade muito eclética, com influências do rock psicodélico, nota-se uma textura muito retrô nas composições, arranjos vocais e teclados utilizados, se repetindo em várias faixas. Uma curiosidade sobre a banda, especialmente aos cristãos que acessam o site: um de seus ex-integrantes, Amaury Fontenele, foi um dos melhores produtores musicais que já circulou pelo meio 'gospel'. Algumas de suas obras podem ser encontradas nas discografias de Fruto Sagrado, Brother Simion, Luciano Manga e outros.






8º Lugar: WARderley - U.D.R.

Tiago Abreu: Você pode estar achando que U.D.R. numa lista de melhores discos é uma piada. Mas não é. E preciso justificar: U.D.R. é uma das coisas mais geniais que surgiram na cena musical brasileira após os Raimundos. E não exagero: Essa galerinha cultuada como “inovadores” a exemplo de Cansei de ser Sexy, Bonde do Rolê, por mais que neguem, são influenciados pela U.D.R. E, meus caros, convenhamos, até pra fazer música ruim uma banda deve ser boa. É exatamente que vemos neste trio, formado por Professor Aquaplay, MS Barney e MC Carvão. As letras falam sim de anticristianismo, satanismo, transexualidade, zoofilia, coprofilia, benzina e uma série de temáticas politicamente incorretas, regadas a uma sonoridade criada, em grande parte, no Fruity Loops. Mas os versos são tão bem construídos, com uma sátira tão peculiar, que o fato de serem tão zoados soa incrível. Porém, é de imensa ingenuidade pensar que eles estão a simplesmente vomitar estes temas em seus ouvidos como uma brincadeira de mau gosto. Na música da U.D.R., há muito o que refletir acerca da violência e as condutas consideradas desviantes do nosso conceito confuso (e hipócrita) de normalidade. Os músicos sabem disso, pois possuem formação acadêmica na área de humanas. Enfim, há de se destacar a influência escrachada de Mano Brown (Racionais MC's) na longa "Avião Brutal do Scat", a homenagem a Rogério Skylab em “Você é Burro”,a paródia divertidíssima do Muse em "Rock and Roll Anticósmico da Morte" (quem mais seria capaz de fazer uma letra satânica em cima de um arranjo do Muse além da U.D.R.?) e “Clube Tião Caminhoneiro Hell”, com sua sonoridade contagiante. Enfim, o disco é um recheado de clássicos, como "O Cais", "Gigolô Autodidata", "Dança do Bukkake" e "Som de Natal", mostrando que a banda era realmente forte, como mostraram no disco Jamo Brazilian Voodoo Macumba Kung Fu... São 66 faixas (sim, várias delas com 6 segundos de duração). Sinceramente, se você ouve U.D.R. e se sente ofendido, é justamente pessoas como você que a banda quer criticar. 

7º Lugar: Casa dos Espelhos – Rosa de Saron

Tiago Abreu: O Rosa de Saron, com a entrada de Guilherme de Sá, sofreu uma evolução constante. Casa dos Espelhos é o registro deste gradual amadurecimento, embora eu, particularmente, ache que não é suficiente para figurar uma lista de melhores álbuns do ano (mas convenhamos, 2005 foi um ano tão ruim que nem soa absurdo esta obra aqui, em relação a outros discos que vocês verão dentre os primeiros). O trabalho é introspectivo, musicalmente suave, o que se espera de um trabalho do Rosa de Saron. No entanto, creio que a produção musical deixa a desejar. O timbre da bateria também não é lá dos melhores, e os graves tem pouca evidência.

Jhonata Fernandes: A mudança de estilo da banda Rosa de Saron não foi motivo para deixar os fãs chateados ou começarem a atirar pedras na banda. Muito pelo contrário: a banda que outrora (com o Marcelo Machado nos vocais) era considerada do estilo heavy metal, passou a ser alternativa e mais pop-rock em sua sonoridade com a entrada do Guilherme de Sá nos vocais, o que agradou muita gente. Eu sou (muito) suspeito em falar desse disco porque marcou boa parte da minha transição de adolescente para adulto e, considero este um dos melhores discos da banda (o 5º melhor pra ser mais específico). Músicas como "Sem Você", "As dores do silêncio", "Amor Sincero" e "Lembranças", são um dos principais hits da banda. Uma curiosidade sobre este disco: ele iria se chamar "Além do meu jardim" que é uma das faixas do álbum, mas como a banda Oficina G3 lançou no mesmo ano o "Além do que os olhos podem ver", a banda achou melhor desistir do título para não dá a impressão de que houve plágio de uma outra banda cristã. 

6º Lugar: Hoje - Os Paralamas do Sucesso
Tiago Abreu: Das bandas do rock nacional, a única que realmente não deixou a peteca cair, e seguiu uma regularidade na qualidade de seus discos foi Os Paralamas do Sucesso. O Titãs enfraqueceu-se muito desde Domingo (1995), Legião Urbana acabou, Capital Inicial virou uma piada, Raimundos perdeu seu mentor, enfim, uma série de fatalidades. Hoje é um disco cujas composições surgiram após o acidente de Herbert Vianna, mas mesmo assim não é musicalmente mórbido. Algumas letras, sim, são autobiográficas, e te fazem pensar sobre questões básicas da vida, como o poder de andar. Os arranjos de metais estão mais presentes, ao contrário do disco anterior, mais cru. 

Estevão Rockfeller: Ótima banda, não ouvi por completo mas o que ouvi me agradou.

5º Lugar: Livre para Voar – Chimarruts

Tiago Abreu: O disco do Chimarruts é uma fusão agradável de reggae e pop, trazendo todas as temáticas recorrentes do reggae: as raízes (“Roots Rock”), a crença em Jah (“Eu Tenho Fé”, “Jah Jamais Permitirá”) e a nateureza (“Lua Nova”). Livre para Viajar é aquele trabalho que apresenta exatamente o que se espera ao falar de reggae, e foi um trabalho razoável num ano bastante fraco de lançamentos.

Jhonata Fernandes: Livre para Voar me pegou de surpresa. Eu conhecia algumas músicas do grupo mas não sabia que iria me esbarrar com elas exatamente nesse álbum. Ouvindo enquanto discutia algumas ideias com os amigos, percebi que a banda é realmente boa no que se propõe fazer. Foi com certeza um dos melhores lançamentos do ano de 2005. Como uma banda underground, o Chimarruts representa e bem a cena. Destaco a bela canção "Versos Simples" que tem uma relação amena com uma fase da minha vida (que não teve nada a ver com namoro).

Estevão Rockfeller: Armaria, muito ruim!

4º Lugar: Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3

Tiago Abreu: Das bandas do mainstream, tirando Os Paralamas do Sucesso, Além do que os Olhos Podem Ver, da Oficina G3, é o único registro verdadeiramente honesto e que não é uma baixa (ou média) na carreira de um grupo. Considero como o segundo melhor disco da banda, perdendo apenas para o antológico Indiferença. Na verdade, a entrada de PG foi muito mal vista por parte do público, e o álbum O Tempoque é um trabalho bom, em sua proposta, e coeso – foi incompreendido, apesar das altas vendas. A sequência não foi tão boa assim, e lançaram Humanos, um disco com influências do new metal, pouco convincente, cheio de vícios, modismos da época, e um repertório inconsistente. Com a saída de PG, o trio remanescente acordou do comodismo e produziu um disco muito mais sério e "original". Com influências do metal progressivo, o disco é marcado pelo entrosamento entre Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos, acompanhados por Lufe e, em alguns momentos, Déio Tambasco. Afram surpreende nos vocais, e em momento algum nos deixa com saudade do ex-vocalista. As letras tratam da hipocrisia cristã, sem cair nos clichês antigos, com reflexões articuladas de forma mais trabalhada, sem muita religiosidade. Destaque para os contratempos cavernosos de "Réu ou Juiz", a letra de "A Lição" e a pegada 'bluezística' de "O Fim é só o Começo". Continuo considerando esse, Indiferença e Elektracustika, os melhores discos do Oficina, superiores ao superestimado e, em alguns momentos, chato, Depois da Guerra.

Jhonata Fernandes: Talvez esse seja o único disco dessa lista que eu discordo severamente de estar nessa posição. Para ser mais claro, considero o "Além do que os Olhos Podem Ver" um bom álbum, mas muito pior que "Hoje" dos Paralamas e "Casa dos Espelhos" do Rosa. Eu também não entendo a pressão louvadora que as pessoas colocam em cima desse trabalho pois, pra mim, ele continua sendo um Oficina forçado tentando fazer rock pesado além do que consegue [o nome desse álbum poderia ser perfeitamente "Além do que o Oficina consegue ser"]. Mas, nem tudo são pedras: o disco realmente é bom ao nível da banda e a situação em que os integrantes estavam. É um rock pra curtir, refletir e acreditem, dançar. 

3º Lugar: 4 - Los Hermanos

Tiago Abreu: O Los Hermanos é uma banda estranha: eles são superestimados e subestimados ao mesmo tempo. Superestimados, quando me refiro aos insuportáveis fãs e pseudointelectuais que acham o quarteto a coisa mais interessante surgida nas últimas décadas de nossa música, e subestimada para os que têm "Anna Júlia" como a melhor coisa que produziram. Entre os dois extremos, eu fico no centro, e vejo a música deste grupo como algo bastante normal. Há coisas que gosto e coisas que eu não gosto. E 4, definitivamente, está no segundo grupo. Este disco é simplesmente a justificativa para todo o argumento de pedantismo que pode ser atribuído aos Los Hermanos. Com canções dormentes, conduzidas de forma moribunda, só se salva exatamente pelas duas primeiras faixas, "Dois Barcos" e "Primeiro Andar". O restante é simplesmente enrolação da dupla Camelo e Amarante, que não conduziram o bom trabalho feito na maior parte das músicas do anterior, e relativamente agradável, Ventura. Vale lembrar que Amarante sempre foi o ponto de equilíbrio das idiossincrasias de Camelo, mas neste disco, ele simplesmente se jogou no buraco, juntamente com Marcelo Camelo.

Jhonata Fernandes: Começo dizendo que 4 é um disco pra fã. Quem acompanhou (e acompanha) o grupo, sabe das suas constantes mudanças de estilo e trabalhos as vezes bem estranhos. Eu estou na classe de fãs que já se apaixonaram por algumas músicas e inclusive pelo disco Ventura (que foi um dos melhores que ouvi no ano de 2014). Tenho amigo que não engolem, ou, não conseguem sacar a intenção do simplista 4. Dou crédito a todas as músicas mas enfatizo "Dois Barcos" "Primeiro Andar" que são as melhores do trabalho.

Estevão Rockfeller: Dá vontade de se matar, mas é um trabalho bem feito. Mas continuo preferindo o Ventura.

2º Lugar: Anacrônico – Pitty

Tiago Abreu: É engraçado que os discos que eu dei menor nota estão dentre os primeiros (risos). Ela já é uma personalidade que ganhou a graça do público, e sempre tem seus clipes dentre os mais assistidos dentre todos os artistas de rock nacionais. E Pitty faz sucesso justamente porque a sua música é a mais básica e comum possível. Se você ouve um disco dela procurando letras interessantes e uma sonoridade intrigante, você não vai achar. E isso é relativamente decepcionante. Como se fosse uma versão do Foo Fighters brazuca (eu sei que a comparação é meio nonsense), é aquele tipo de música que te envolve momentaneamente, mas rapidamente você se esquece.

Jhonata Fernandes: Sobre o Anacrônico eu fico em cima do muro: ao mesmo tempo em que ele foi um bom lançamento brazuca da época, ele não foi melhor que muitos que nessa lista estão atrás dele. É perceptível a influência do grunge por parte da extensão vocal da cantora pois várias vezes ele tenta dá uns gritos (desnecessários) e tentar transparecer que suas letras são fortes o bastante para o estilo (nível Nirvana). No "Admirável Chip Novo" a banda meio crua ainda consegue pôr um pouco de sua cara e emplaca hits como "Teto de Vidro", "Admirável Chip Novo", "Máscara" e a romântica "Equalize". No Anacrônico, percebo que a banda quis experimentar algo mais punk, porém, de uma maneira errada: tentando usar letra fortes ao invés do instrumental pesado. A faixa homônima me deixou a desejar e "De Você" foi uma mostra do que seria Pitty nos próximos anos. Destaco "Na sua estante" (porque foi a música que me fez gostar da banda) e "Déjà Vú".

Estevão Rockfeller: Nunca fui fã da Pitty, mas este álbum não é ruim, ganharam pontos comigo.


1º Lugar: Imunidade Musical - Charlie Brown Jr.

Tiago Abreu: Quando você vê Charlie Brown Jr. dentre os dez melhores álbuns do ano (pior, em 1º lugar!), é sinal de que há algo realmente errado na nossa cena musical. As composições de Chorão & Cia. são tão infantis quanto a de um pré-adolescente de onze anos, a sonoridade, clichê quanto o estilo pede, é o que agrada a galera e justifica o primeiro lugar. Acho que o maior ultraje deste disco é a regravação infame de “Pra não Dizer que não Falei das Flores”. Ouvir a banda a regravar este clássico é tão bizarro caso o Slayer decidisse fazer um cover de “YMCA”. Desculpe fãs do grupo, mas todo culto que envolve sua obra pra mim não faz sentido.

Jhonata Fernandes: Como o Chorão nos disse nesse mesmo álbum: "falem bem, falem mal mas falem de mim" (música: É Quente), qualquer crítica a esse disco é válida. Até mesmo a minha mãe que não entende nada de música, falasse algo sobre o Imunidade Musical, estará tudo em paz. Mas há muita coisa boa nessa disco. Gente, já ouviram falar de GUITARRAS? Esse disco contém GUITARRAS. Eu disse e repito mais uma vez sem desligar o CapsLock: GUITARRAS! As 23 faixas não deixa o álbum enjoento, muito pelo contrário, deixa ele proporcional. Letras que falam bem com o público-alvo considerando que quase todas as músicas escritas pelo Chorão foram feitas quando o cantor estava lombrado, são canções que contém verdades e ideias claras. Ela Vai Voltar (Todos os Defeitos de Uma Mulher Perfeita) conquistou a galera. "O Mundo Explodiu Lá Fora" é uma das minhas favoritas e, pra um cara que só estudou até a 7ª série do fundamental, o Chorão foi um verdadeiro poeta das ruas. "Senhor do Tempo" suaviza o disco e "Dias de Luta, Dias de Glória" virou música-referência para quem não conhece o trabalho da banda.

Estevão Rockfeller: Longe de ser o melhor deles, mas me agradou bastante.

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